11 de nov. de 2010
sobre como os beatles entraram na minha vida (ou pretexto para falar do show do paul)
Pois é, mordi a língua. Logo o clã Sirotsky se reuniria com os tais empresários para assinar o contrato. Até a data já estava definida: 7 de novembro. Pasmei: “Uau, Paul McCartney em Porto Alegre, unbelievable”. Mas o segundo pensamento foi: “Decerto ele vai tocar só músicas da carreira solo”. Mordi a língua novamente: do setlist que ele vinha apresentando na Up and Coming Tour mundo afora, metade era Beatles. Quando finalmente divulgaram os preços dos ingressos, que nem eram tão absurdos quanto eu tinha imaginado, e que a pré-venda seria para assinantes de jornais da RBS – eu tinha feito uma assinatura de Zero Hora duas semanas antes –, só aí eu tive certeza de que eu iria ao show do Paul McCartney.
Mas a ficha custou a cair. Durante os cerca de 30 dias entre a compra do ingresso e o show, não tive frio na barriga, não fiquei nervosa, permaneci praticamente imune à histeria coletiva que se instalou em Porto Alegre, em grande parte embalada pela mídia massiva e até excessiva da RBS sobre o assunto (acho que exageraram na dose, mas, tratando-se de Sir Paul, é perfeitamente compreensível e perdoável). O máximo que fiz foi ouvir o mais que pude um CD gravado com as músicas do provável setlist que havia sido divulgado (e que se confirmaria totalmente, inclusive a ordem foi a mesma ), já que pouco conheço a carreira solo do moço e detesto ficar boiando em shows.
Tudo já se disse sobre o show e imagino que quem não foi está de saco cheio dessa conversa. Eu estaria. Mas sim, foi mesmo tudo isso. 55 mil pessoas não poderiam ser cúmplices de uma mentira, não teríamos como combinar “vamos dizer pra todo mundo que foi ótimo só pra tripudiar”. Unanimidade é coisa rara e dizem até que é burra, mas parece que o show do Paul McCartney foi para o topo da lista de exceções da velha máxima. Porque foi bom pra caralho. Beirou a perfeição. Deixou todos boquiabertos, bateu fundo no coração e na alma de quem estava lá, fez lágrimas escorrerem, sentimentos aflorarem... e aí já escorreguei pra pieguice e dela acho que não saio nunca mais quando se tratar do show do Paul McCartney.
Cada um tem seus motivos paga gostar de Beatles, do Paul, do John e até mesmo do George e do Ringo, que sempre me parecem meio esquecidos. Cada um tem uma história pra contar. A minha é assim: meu pai é professor de inglês. Ele dava aula em escolas públicas de Guaíba, onde morávamos, para os antigos primeiro e segundo graus. Uma das marcas registradas dele eram as musiquinhas, principalmente nas turmas infantis. Tinha de tudo, de Little Indian a My Bonnie Lies Over The Ocean. E tinha Beatles. Especialmente Love Me Do e Hello Good Bye, com seus versos repetitivos e fáceis, mas às vezes também Hey Jude e Help, bem mais complexas, e até Yesterday, se não me falha a memória. Ele gravava fitas K7 (oi?) a partir dos álbuns duplos de vinil (oi?) de capas azul e vermelha, que eram coletâneas do que de melhor o grupo fez ao longo de toda a carreira – o vermelho era da fase iê iê iê, e o azul, da psicodélica, da mais rock n’ roll.
Fui aluna do meu pai na quinta e na sétima série, mas antes disso as musiquinhas que ele dava em aula e que frequentemente tocavam na minha casa chamaram minha atenção. Sempre gostei de cantar, e quando gostava de uma música, não sossegava enquanto não decorava a letra, fosse em português ou em inglês. Na época – década de oitenta, tá? –, para conseguir as letras era preciso comprar o disco para ter o encarte ou então gravar da rádio e tirar de ouvido, coisa que muito fiz. Mas com Beatles eu tinha aquele tesouro do meu pai, os álbuns duplos, e certo dia decidi desbravá-los. Eu não sabia nada sobre o fenômeno que eles haviam sido, conhecia apenas meia dúzia de músicas, mas por algum motivo eu desconfiei que ali tinha bem mais do que Love Me Do e Hello Good Bye. Não demorou para eu constatar que sim, tinha muito, muito mais. E como até hoje, quando gosto de um disco, de uma banda, de um cantor ou cantora, ouço até cansar, eu devo ter gasto algumas agulhas escutando aqueles discos no três em um.
Logo descobri que os encartes dos álbuns, que continham as letras das músicas, estavam se deteriorando com tanto uso. Foi assim que, por vários dias, talvez semanas, me entretive ouvindo os discos e restaurando cuidadosamente os encartes. Alguns pedaços das letras tinham se rasgado e eu completava no papel, escrevendo a mão o que tirava de ouvido. Desse jeito acabei decorando as músicas e até mesmo as melodias, as notas, os riffs de guitarra, as interjeições, todos os detalhes de quase todas as canções. Até hoje acho que isso contribuiu muitíssimo para o aprimoramento da minha pronúncia no inglês, que é bem boa, modéstia às favas.
E foi assim que os Beatles entraram na minha vida. Nada pomposo, uma história singela, até. Foi unicamente a música deles que me cativou, e não o fato de eles terem sido os maiores de todos os tempos ou coisa do tipo. Nunca fui beatlemaníaca, estou mais para admiradora, alguém que curte, que se identifica, se emociona, se arrepia e se diverte com eles. Os Beatles me fazem lembrar minha infância e a sorte que tive de ter aqueles benditos álbuns dentro de casa. Mais tarde eu pude comprar vários CDs e continuar curtindo os Beatles, agora sim sabendo melhor quem foram aqueles quatro garotos, a importância que tiveram para toda uma geração e que continuam tendo, vide a enorme quantidade de jovenzinhos e de velhinhos no show do último domingo.
Para mim, o fato de Paul McCartney estar vivo e super na ativa era uma coisa, confesso, meio distante, meio, sei lá, nunca tinha parado para pensar no assunto. Vez ou outra lia notícias sobre ele, mas não tinha muita noção do que significava um beatle ter sobrevivido ao tempo e aos próprios Beatles para construir uma carreira irretocável como foi a dele, sem nunca decair, e aos 68 anos ser capaz de fazer um show como o que eu vi no Beira-Rio. A sensação de estar no mesmo ambiente de Paul McCartney, mesmo a muitos metros de distância, foi estranha e impactante. Fui ao show da Madonna em São Paulo e saí de lá com uma lista enorme de reclamações, assisti ao Eric Clapton no Olímpico e foi uma das coisas mais monótonas que já presenciei, e até mesmo os dois shows do meu ídolo-mor, Chico Buarque, vão para a lona perto do que fez Paul, e tudo isso considerando as diferenças óbvias de estilo. Como seria bom se todos os artistas – e veja que poucos podem sequer ser comparados a Paul McCartney – tivessem o entusiasmo, a simpatia, o bom humor, o fôlego que ele teve, a preocupação com a perfeição e em proporcionar o melhor espetáculo possível, de honrar o amor do público e fazer valer cada centavo investido. É um exemplo para toda a classe artística, goste ou não de Beatles e de Paul McCartney. Não há como ignorar.
Vou parar por aqui, porque até eu já estou me achando uma chata. O que queria mesmo era contar a maneira despretensiosa que os Beatles entraram na minha vida, e acabei falando um monte sobre o show. Agora me resta guardar na memória esse momento que foi mágico e... tá, chega.
9 de nov. de 2010
paul, I can't hardly express
Por enquanto, sigo sem palavras. Quero escrever, expressar, mas é tão difícil. Vai sair, vai sair. Só tenho que conseguir lembrar do show sem ficar com os olhos marejados.
(eu sei, eu sei que o título do post é de uma música de John, mas ele não deve se incomodar com o empréstimo)
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| Paulinha, Dani e eu :-) |
27 de set. de 2010
a parada das vacas
Boa oportunidade de fazer as pazes com Porto Alegre depois do post indignado sobre nosso belo rio escondido: a partir do dia 8 de outubro vai ter Cow Parade na cidade. A-do-ro.
Vi as vaquinhas pintadas em Buenos Aires na primeira vez em que lá estive, em 2006. Foi o máximo. Tirei várias fotos, como essa aí de cima. Que sacada teve quem inventou esse negócio. Porque é definitivamente a coisa mais inusitada que pode acontecer com um cidadão comum: andar pela rua e topar com uma vaca colorida, enfeitada, diferente, linda ou nem tanto, depende do gosto e do olhar de cada um.
Tem gente que não entende, fica se perguntando "qual é a moral", "pra que serve". Ora. Acho engraçado. E por acaso é para servir para alguma coisa? O melhor é não tentar entender. A Cow Parade, na minha maneira de ver, é uma ode à (in)utilidade da arte: as vaquinhas estão lá para provocar os sentidos, aguçar a curiosidade, fazer brilhar os olhos das crianças, fazer rir os velhinhos, obrigar os transeuntes apressados a parar e olhar, colocar tempero e cor em nossa rotina tão absurdamente mergulhada na mesmice. As vacas são esculturas, são obras de arte misturadas à sujeira urbana, à feiura ou à beleza da cidade, visíveis a toda e qualquer pessoa, não precisa entrar em museu, comprar ingresso, muito menos entender de arte para apreciar. Gosto da arte acessível. Algumas vacas da Cow Parade até podem trazer certo rebuscamento nas propostas dos artistas, podem conter mensagens subliminares, ter um cunho de protesto ou alertas para a desigualdade social ou whatever. O que importa é que, independente da leitura de cada um, elas atingem o propósito de instigar, de entreter e de deixar a vida da gente mais leve.
Porto Alegre será bem mais interessante nos próximos três meses.
Mais infos em http://www.cowparade.com.br/poa/.
15 de set. de 2010
maldita seja
11 de jun. de 2009
num ponto equidistante entre o Parcão e a Redenção...
Aos que não sabem, eu e Fredo estamos dando um upgrade em nossa vida conjugal. Adquirimos um apartamento de três quartos (oops! vem gente aí? suspense...), garagem e 106 metros quadrados. Foi amor à primeira vista. Movidos pela emoção, fechamos negócio em tempo recorde. Vimos o apartamento apenas uma vez. Não sabemos se a instalação elétrica funciona, nem se há vazamentos. Muito menos se os vizinhos são legais. Cegos de paixão, deixaremos que ele nos surpreenda. E seja o que o Síndico quiser.
Mas isso é assunto para posts futuros. O que interessa aqui é o apartamento em que moramos, este em que me encontro neste exato momento. Ele precisa ser vendido, o que muito nos entristece. Mas é a vida, não é? Já o colocamos em algumas imobiliárias, mas achei que não custava nada divulgá-lo em meu próprio blog. Afinal, todo mundo sabe que esses sites de imobiliárias nunca dizem a verdade. Ou afirmam que o imóvel é ótimo quando está em estado calamitoso, ou então não conseguem transmitir o quanto ele é verdadeiramente bom. Este é o nosso caso.
Então vamos a ele. Não é casa, nem apartamento. É, simplesmente, apê. É assim que o chamamos desde sempre. Um carinhoso apelido a um lugar que tem muitas e boas histórias para contar. E que é cheio de alma, de astral, de boas lembranças (me perdoem se isso ficar piegas).
Num ponto equidistante entre Parcão e Redenção
A localização é realmente privilegiada, não é papo de corretor. Está no bairro Rio Branco - um dos que mais se valoriza em Porto Alegre -, num ponto equidistante entre o Parcão e a Redenção. Você escolhe onde quer caminhar ou tomar chimarrão. Decida-se: ou vai para o Bom Fim, ou para o Moinhos. Por isso, não se preocupe em ter um estilo só. Morando aqui, você pode ser alternativo e ir ao brique aos domingos e tomar ceva na Lancheria do Parque, ou então vestir sua melhor roupa e curtir a badalação da Padre Chagas. E não precisa nem ir de carro.
Exibir mapa ampliado
Se você gosta de futebol, nem precisa de pay per view. Tem vários bares próximos pra torcer com a galera. E, claro, num pulinho você está comemorando a vitória do Grêmio ou do Inter, porque estamos a uma quadra da Goethe. Se você não curte futebol tanto assim, nem esquente. Logo, logo, vai todo mundo pra casa e a paz volta a reinar. Como em qualquer outro lugar de Porto Alegre.
A verdade é que aqui você tem tudo na mão. Supermercados, bares, botecos, armazéns e restaurantes. É uma zona residencial muito bem servida, digamos assim. Este foi um dos grandes motivos para, durante anos, nós sequer pensarmos em sair daqui. E vamos até continuar no mesmo bairro! Sim, no mesmo Rio Branco, acho que a menos de 500 metros do apê.
O condomínio e a vizinhança
O prédio é pequeno, tem apenas dois pavimentos. Embaixo é comercial (uma farmácia para diabéticos na esquina e o escritório de um advogado muito discreto). Em cima, apenas você e a sua vizinha, uma pessoa também muito discreta. Claro que não temos nenhum controle sobre o humor dos vizinhos, mas aqui, se você gosta de ouvir música bem alto ou de reunir os amigos e ficar de papo até altas horas, dificilmente alguém irá reclamar. Conosco nunca aconteceu, e olhe que volta e meia a gente se empolga um pouco além da conta.
Obviamente, o edifício não tem portaria, elevador, sala de fitness, playground ou qualquer dessas frescuras de condomínio classe média. Mas, dependendo de quem você é, ainda bem, né? Morar num lugar assim tem muitas vantagens: você tem muito pouco com o que se incomodar, o condomínio é baixinho (em torno de 90 reais por mês), tudo é muito enxutinho. Menos, definitivamente, é mais.
Pra que garagem?
Buenas, você já deve estar imaginando que o apê não tem garagem. É, não tem mesmo. Eu e Fredo temos um carro, que sempre foi guardado na garagem-posto que fica ali na Cabral. É uma boa opção, mas não a única. Há outras garagens no entorno. Se você não tem carro (nos dias de hoje, isso não é uma má ideia!), esse é o lugar perfeito. Mas, se tem, não se preocupe. Nós sempre tivemos e moramos aqui por mais de 10 anos. Pra tudo tem um jeito.
Uma das soluções, claro, são as abundantes opções de transporte público. Você tem algumas linhas de ônibus passando na Goethe/Mariante para vários lados da cidade. Se nenhuma servir, em cinco minutos você está na Protásio Alves e vai para onde quiser. Se ainda assim o seu lado é outro, pegue um pouco mais de ar e suba a lomba da Miguel Tostes para chegar à Mostardeiro. Ou seja, quase todos os ônibus e lotações de Porto Alegre passam por aqui.
Por dentro
Vamos lá. O apê tem 65 metros quadrados. Um ótimo tamanho para um dois dormitórios, não é? Se você tem visto o tamanho dos apartamentos novos que andam construindo por aí, sabe do que estou falando. De que adianta ter suíte se você mal consegue abrir a porta do roupeiro? Aqui não tem isso. As peças são amplas e bem distribuídas (argh, fui contaminada pela linguagem dos corretores). Todo ele foi reformado. O parquet recebeu sinteco, as paredes foram pintadas, os rodapés trocados. E não há vestígio de cupins. Fizemos tudo isto para você.
O banheiro
Este é um capítulo a parte. Sério, o banheiro é um salão de baile, considerando os padrões atuais. Antigamente, ele tinha uma banheira, daí você já imagina o tamanho. Mas nós já fizemos essa obra para você. E o melhor, ele não é azul marinho nem rosa choque, e sim todo clarinho, reformadinho, uma tetéia. Acredite, você quase poderia morar nele.



A cozinha
A cozinha não chega a ser um salão, mas se é grande o suficiente para o Fredo inventar suas mil guloseimas, deverá ser para você também. E foi recentemente reformada. Aqueles azulejos originais, cheios de florzinhas, já não existem mais. Os móveis são planejados Todeschini, top de linha. Tudo é muito clean e funcional, porque esse é o nosso estilo. Se for também o seu, bingo!



O quarto "do casal"
O quarto principal, ou do casal, também tem um ótimo tamanho. Para se ter uma ideia, nosso guarda-roupa tem sete portas, sendo uma delas maior que as outras seis. E vai do chão ao teto, imenso. Esse a gente está pensando em levar para a casa nova, mas nada que uma boa negociação não nos convença do contrário. Faça sua oferta :-)
O living
A sala é grande, e eu acho que nós não a aproveitamos em todo o seu potencial. Você, que certamente tem excelente bom gosto, poderá organizar os móveis melhor do que nós e terá um maravilhoso living para receber os amigos, fazer suas refeições, ver TV e etc. Tem tudo para ser um ambiente ainda mais aconchegante. E nós já fizemos o buraco na parede para você instalar o seu split.
O quarto menor
O outro quarto é um pouco menor que o principal. Serve para muitas coisas: o seu home-office, o quarto do seu filho (se for o caso), o quarto de hóspedes ou o depósito das coisas que você quer se livrar mas não tem coragem. Tudo depende de como você vive, se é solteiro ou casado, em que trabalha... só sei que ele é extremamente útil.
O sol
O apê é de esquina e todas as janelas dão para a rua, exceto a da área de serviço/cozinha. Nesta, você é abençoado por um gostoso sol todas as manhãs. Ótimo para secar a roupa. Também pega um bom sol à tarde no quarto menor. Na sala e no quarto principal, só pega sol numa determinada época do ano, que eu nem lembro qual é. Mas isso nunca me incomodou, sabe? Recomendo ter ar-condicionado nestas duas peças, como nós temos. E está tudo resolvido.
O prédio será reformado e você não vai pagar por isso
Você vai adorar saber disso: nós estamos pagando, desde o início do ano, uma chamada extra para a reforma externa do prédio. Sim, porque, sejamos sinceros, ele está bem caidinho. Mas a boa notícia é que quem comprar o apartamento não precisará pagar por esta obra. E já sabe que o imóvei vai ter outra cara logo, logo.
Vai ficar aí parado? Ligue djá!!!
Fale a verdade. Você amou, não é? Já está se imaginando morando aqui e como os seus móveis ficariam lindos no apê? Sim, eu também acho, ficarão perfeitos. Estamos pedindo 145 mil reais por ele. Converse conosco. Faça sua proposta. Se você ficou interessado, mande um e-mail agora para nanda.vier@gmail.com. Se conhece alguém que possa se interessar, mande o link deste post. Ele vai lhe agradecer para o resto da vida por uma dica tão valiosa.
Obrigada!
29 de mar. de 2009
baile da cidade
Ontem fui ao Baile da Cidade, a festa que acontece todo ano, há 20 anos, na Redenção, para comemorar o aniversário de Porto Alegre. Moro na capital há quase 13 anos e nunca tinha ido ao tal baile. Não sei por quê. O evento é bem legal, considerando o que entendo ser sua proposta: reunir pessoas de todas as idades e classes e oferecer a elas entretenimento gratuito em um espaço público.
Os segredos pra curtir o evento são: não se importar em beber cerveja não muito gelada, direto da lata e tirada daqueles isopores bem sujos cheios de gelo derretido; relaxar ao constatar que vc só gosta de uma a cada dez músicas que tocam, e olhe lá; aguentar na boa os bebuns dançando funk perto da sua mesa, normalmente trajando camisetas do Internacional; esquecer que quem promove o evento é a prefeitura de Porto Alegre, que deixa tanto a desejar em outras áreas (mas que, pelo menos, não economizou no policiamento).
Acho que o maior segredo é estar de bom humor, e isso eu estava ontem à noite. Dancei até as 3 horas da manhã na companhia da Dani, do Fredo, da mãe da Dani e de uma galera que eu nem conhecia, mas que conhecia meus conhecidos. Boa parceria é fundamental também.
Apesar da festinha divertida, venho pensando muito sobre Porto Alegre ultimamente. Não é mais a mesma cidade de 1996, quando vim de mala e cuia saída de uma provinciana Guaíba ali do outro lado do rio. A cidade mudou, eu mudei. Algumas coisas das quais me orgulhava já não existem mais. Porto Alegre me parece apenas mais uma grande cidade brasileira afundada em problemas.
Acho que eu mudei mais que Porto Alegre.
25 de fev. de 2009
cinema, liquidação ou como preencher um feriado de carnaval
Cute!
23 de fev. de 2009
turismo em porto alegre
Aí começamos a olhar os hotéis de Porto Alegre. Não é a primeira nem a segunda vez. Já nos hospedamos no Blue Tree (lá nos altos da Lucas), no Manhattan Apartments (curiosamente, na mesma rua em que moramos), no Novotel (na noite do casamento, alguns chamam isso de lua-de-mel) e no Millenium Flat, ali na Borges, de frente para o rio.
Podem achar meio estranho, mas é uma experiência interessante. Acho melhor que ir a motel. Você passa uma noite num quarto diferente, com uma super infra, um belo café-da-manhã e com todo o "glamour", digamos assim, de se hospedar num bom hotel. E nada de pernoite, a diária dura 24 horas. E o risco de pensarem que você é amante do cara que está dirigindo o carro é muito menor.
Desta vez, decidimos ficar novamente no Millenium Flat, da rede Blue Tree. Tinha a melhor relação custo/benefício, principalmente pela promoção que incluía early check-in e late check-out - em bom português, entrar antes e sair depois. Demos sorte, pois entramos no ensolarado e infernalmente quente domingo de carnaval, e aproveitamos umas boas horas da piscina instalada na cobertura do prédio de 21 andares.
Saca só a vista.
Fredo perdendo de olhar a bela vista da cobertura do Millenium
O céu ficou bem bonito no final da tarde. A sacada é da cobertura do Millenium.
Uma Porto Alegre mais bonita: rio (lago), árvores do parque Marinha, Gasômetro e anfiteatro Pôr-do-Sol
O legal desse hotel é justamente a vista. Pra quem mora na parte baixa do Rio Branco, ver Porto Alegre dessa altura é algo diferente. Não é todo dia que vemos o rio Guaíba (ou lago, que seja...) desta perspectiva. E mesmo a cidade, por mais feia que pareça lá de cima. De noite, choveu bem forte. E vimos a chuva da sacada do quarto, que ficava no décimo primeiro andar. Acho que nunca vi chuva tão bonita!
Confesso que essas coisas me dão um prazer danado. Dondoca por um dia. É engraçado, porque abomino dondocas. Mas ter momentos de dondoca não me parece nada grave. É gostoso, faz bem pro ego. Depois a gente volta à vida real, sem traumas. Que foi exatamente o que aconteceu quando fechamos a conta no Millenium, entramos no carro e voltamos para nosso simpático e limpinho dois-quartos-sala-cozinha-banheiro do Rio Branco. Ainda bem que a vida real é bem boa também.
30 de nov. de 2008
um boteco porto-alegrense, por favor?

Menos, bem menos. Por que não tentam encontrar a essência do que poderia ser um típico boteco porto-alegrense, ao invés de ficar tentando imitar o estilo dos outros? Não vão chegar perto nunca. Era preciso estar a bem menos quilômetros do litoral, era preciso muito mais simpatia, muito mais chiado e empadas de camarão com catupiry, sem falar na carta de cachaças, que ninguém ainda pensou em oferecer. Me parece tudo tão falso, tão forçado, tão mal copiado, que dá um desânimo.
Mas enfim, nem tudo é tragédia. O Natalício, que fica na divisa entre o Centro e a Cidade Baixa, até consegue impor uma certa autenticidade. Ali toma-se um ótimo chopp a bom preço e come-se petiscos dignos dos bons bares cariocas. Ontem me arrisquei num pedido inusitado: uma coxinha de galinha, sem igual em Porto Alegre, segundo eles. E estão certos. Enorme, sequinha, a massa tipo "risólis do Limuta" (é preciso ser guaibense e ter mais de 30 anos pra entender), bom mesmo. O escondidinho é outra excelente pedida, e o sanduíche de filé com gorgonzola também. O segredo é mostrar desde o início quem manda: diga ao garçom que ele só deve servir um novo chopp quando você pedir. Aí é só curtir.
O que decepcionou mesmo foi o tal Dona Neusa, que ocupa a casa onde por tantos anos funcionou o Cult (que se mudou para o Moinhos). No pouco tempo que ficamos lá, quiseram nos enfiar um chopp com 2/3 de colarinho (sem colarinho não dá, mas só espuma também não, né?), acharam ruim quando pedimos para trocar e já vieram nos empurrando chopp quando não tínhamos terminado os nossos. Lá dentro estava rolando um samba ao vivo, mas para entrar era preciso passar por um detector de metais. Isso às 5 da tarde. Pode? Nem no Rio, a terra do tráfico de drogas e de armas, das favelas e das balas perdidas, existe isso. Deprimente. Possivelmente daremos uma nova chance ao Dona Neusa, talvez à noite, quando parece mais propício a uma badalação. Mas a primeira impressão foi péssima.
16 de nov. de 2008
restaurantes favoritos (parte V): Baumbach Ratskeller
Começamos a ir mais vezes no Baumbach depois que eles adotaram o prato soft. A idéia, que vem ganhando outros adeptos na cidade, é simples: uma versão menor dos pratos individuais para os menos esfomeados. A questão é que os pratos que, supostamente, são para uma pessoa, servem duas tranqüilamente. Quando não dá pra dividir, o resultado é desperdício de comida e conta astronômica. O prato soft acabou com esse problema. Os mais gulosos podem achar que não vai ser suficiente, mas eu aconselho experimentar. O preço é 1/3 menor e a porção é o que eu chamaria de normal, pois a individual "tradicional" é que é exagerada.
Descoberto o prato soft, o Baumbach entrou para o nosso top 10. É um lugar legal para ir quando se quer fazer um programa mais sóbrio (mas não sem álcool, claro). Não espere um lugar cool, descolado: o Baumbach é caretíssimo, a começar pela decoração, toda em madeira escura e com imensas e realistas telas retratando diferentes tipos de flores. É freqüentado por pessoas mais velhas, casais maduros com filhos criados. É comum que grupos de amigos dessa faixa etária se encontrem lá, em mesas de 8, 10 pessoas.
Assim, para curtir o Baumbach, o objetivo tem que ser passar bem. Ontem, estávamos com esse espírito. Queríamos simplesmente um bom lugar para jantar. Ajudou na escolha o fato de que a única bebida que estava me apetecendo era a cerveja de trigo da Eisenbahn. Lá tem, sempre geladíssima, servida em um copo lindo e de um jeito todo especial, que deixa uma espuminha cremosa.
Para comer, decidi inovar. Lá eu já tinha comido peixes, filés, massas, vitelas... ontem arrisquei e pedi uma marreca ao molho de laranja. Nunca tinha comido marreca. Não me arrependi, estava uma delícia. Mas, da próxima, acho que vou voltar a apostar nos peixes, que são o melhor da casa, na minha modesta opinião. O Fredo, mais conservador, pediu a tradicional salsicha bock com chucrute e salada de batata. Como (quase) sempre, dispensamos a sobremesa, até porque, antes do jantar, detonamos o ótimo couvert. Com tanta comida, sem chance para a sobremesa.
É isso: se a idéia for um excelente jantar, invista no Baumbach Ratskeller sem medo.
9 de ago. de 2008
a balada que não é a minha

Ontem, impulsivamente, aceitei o convite da minha amiga Fê pra ir a uma boate, a tal República de Madras. Eu estava mesmo a fim de fazer algo diferente nesse final de semana, daí ela me ligou, achei que veio bem a calhar, consegui convencer (ou obrigar) o Fredo a ir... e fomos.
Não sei porque ainda insisto. Não adianta, eu até teria curtido uns anos atrás, mas pensando bem, esse tipo de balada nunca foi a minha praia. Não gosto de música eletrônica, não entendo a lógica de ficar pulando ao som de tunt tunt, de as pessoas ficarem horas em pé e não poderem se sentar porque não há sequer um banquinho de bar disponível... pois não há bancos no bar.
Ok, estou ficando velha, eu sei. Acho que comecei a ficar velha faz tempo, desde que descobri do que realmente gosto. Eu gosto mesmo é de estar em um lugar confortável, de só me levantar quando - e se - quiser, para dançar ou para conversar com alguém, bebendo chopp, cerveja ou vinho e, claro, ouvindo estilos musicais como samba, MPB, rock 'n roll...
Também, como é que alguém que gosta de Chico, Tom, Cartola, Caymmi, Vinicius, Lupicinio, Beatles... como uma pessoa que vai ao show do Quarteto em Cy, do Luiz Melodia (dia 26) e do Danilo Caymmi (domingo que vem!), vai curtir balada e música eletrônica? Eu devia ter nascido na década de 50, devia ter sido jovem nos anos 60. Assim, quem sabe, não me sentiria um peixe fora d'água fazendo algo que devia ser natural pra minha idade.
Ah, mas azar, né? Sou muito mais o meu gosto do que o deles. Egoisticamente, acho que quem sabe o que é bom sou eu.
E outra: fazendo uma análise antropológica da coisa, o lugar que, dizem, é o melhor para dançar em Porto Alegre, consegue reunir em uma noite de sexta-feira umas pessoas (desculpem a sinceridade) feias, mal arrumadas e que quase não consomem (ó a empresária falando). A faixa etária - 20 a 25 anos - é de quem está na faculdade e, portanto, ainda não tem grana. O ingresso é 20 a 30 reais por pessoa, mortinho. O resultado disso é um bando de gente careta e dura que só está ali pra dançar e caçar (ou seria "pegar"?).
Tão cedo eu não entro num lugar desses de novo. Fiquei é louca pra ir ao Bar do Nito, e mais ainda pra ouvir minhas músicas de mil novecentos e antigamente. Essa é a balada que eu gosto.
30 de jun. de 2008
maria vai com as outras
Graças à excelente idéia de colocar a rádio Gaúcha AM em uma freqüência FM (alguém me explica por que não fizeram isso antes?), eu soube do show Bailadêra, do grupo vocal Maria Vai Com as Outras. As integrantes foram entrevistadas pelo Ruy Carlos Ostermann na quinta à tarde, quando eu voltava de Novo Hamburgo na companhia do rádio do carro (que só pega FM).Eu adoro grupos vocais, amo aquela combinação de vozes, as interpretações sempre tão criativas... Não dava pra não ir ao show das Marias, ainda mais sendo tão baratinho (doando 1 kg de alimento, míseros 10 reais). Foi no decadente Teatro Renascença, cheio de goteiras no sagüão e um cheirinho de mofo... Mas nada que comprometesse a performance das quatro cantoras e seus músicos, todos impecáveis, até onde meu parco conhecimento musical permite.
Aproveitei pra levar o pai e a mãe, que quase nunca fazem esse tipo de programa, e eles gostaram bastante. A prova de que o show foi bom é que o Fredo até bateu palmas no final. Nada demais se ele não abominasse aqueles momentos em que os cantores convidam a platéia para interagir, dançar, cantar, sabe?
No show, composições de Dona Ivone Lara (direto pro meu repertório), Ana Carolina, Tetê Espíndola, Ângela Rô Rô, Adriana Calcanhoto (inacreditável o que fizeram com Esquadros, uma das minhas preferidas), Marisa Monte e Chiquinha Gonzaga, entre outras menos conhecidas. Não por acaso (acho), todas compositoras mulheres. Ah, elas têm um blog: http://bandamariavaicomasoutras.blogspot.com.
O Ostermann tocou essa música da dona Ivone Lara durante a entrevista. Grudou no meu ouvido feito chiclete e me ajudou a decidir que valia a pena ir ao show. Salve dona Ivone Lara, salve Marias!
Alguém me Avisou
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar...
17 de mai. de 2008
quem o prefeito acha que engana?

Essa é velha, né? Acontece em todo lugar. Eu até não acho que um prefeito, governador ou presidente deva parar de fazer as coisas em ano de eleição só porque ele será candidato de novo. O problema, neste caso, é que vários serviços públicos essenciais pioraram no mandato do Fogaça. Então fica muito, mas muito chato ele sair fazendo coisicas a essas alturas do campeonato.
Não vou nem entrar no mérito partidário, estou escrevendo isso como cidadã, como munícipe (adorei descobrir essa palavra!). Quem me conhece um pouquinho sabe qual o meu viés político, mas não é o que eu quero dizer aqui. O que eu quero é perguntar:
Quem ele pensa que engana?
Ele não ganha essa eleição, não ganha, não ganha. O porto-alegrense não vai se deixar enganar. Se ainda fossem grandes feitos, grandes obras, mas não. Porto Alegre, que nunca pôde se vangloriar de sua limpeza, está mais suja do que nunca. A cidade está feia, andar na rua ou de ônibus não é mais como antes. Porto Alegre precisa, no mínimo, de alguém com mais vontade, mais gana. A cidade perdeu sua identidade, perdeu características que eram só nossas, que faziam a gente se orgulhar de viver aqui. Espero que a gente possa voltar a se orgulhar em 2009.
13 de abr. de 2008
restaurantes favoritos (parte IV): Borgo Antico
Vejamos. Talvez pelo fato de ela estar instalada em uma belíssima casa na esquina da Castro Alves com a Miguel Tostes, ou seja, bem pertinho da minha casa (adoro poder ir a pé aos lugares). Ou porque o chopp é da Brahma! Ah, talvez porque as pizzas e as massas sejam deliciosas e preparadas em uma cozinha toda aberta, à vista dos clientes.
Mas a Borgo tem algo que nenhuma outra tem: a decoração com cara de anos 50. Um charme! Tem uma lambreta legítima na frente do restaurante, um balcão que algum dia foi um daqueles enormes freezers horizontais (provavelmente um Frigidaire), entre vários outros elementos que remetem à década de 1950.
Outra vantagem: leve sua quentinha pra casa sem a menor vergonha. Já vi muita gente fazer isso. É que a pizza grande é mais que isso: é enorme! Só tem duas opções de tamanho, a grande ou a balcão (esta serve muito bem duas pessoas que não estejam totalmente famintas). As porções de todos os pratos são muito bem servidas, e eles embalam tudo - até a salada - pra levar. Uma refeição lá, normalmente, rende duas. Eba!
O único porém fica para o atendimento, que poderia melhorar. Eles optaram por contratar essas universitárias que à noite são garçonetes pra pagar a faculdade, e elas não fizeram curso no Senac. Mas nada que todo o resto não compense.
6 de abr. de 2008
restaurantes favoritos (parte III): Barranco
Almoço de domingo no Barranco é sinônimo de fila de espera. Mas ok, a fome não era tão grande, e nem a fila. Em 20 minutos estávamos acomodados.
O Barranco é outro lugar que eu e o Fredo freqüentamos há muuuitos anos. Talvez não seja a melhor churrascaria de Porto Alegre, mas tem outros fatores que pesam para que seja considerada assim por muita gente. Vamos a eles:
- Das 11 da manhã às 2 da madrugada, de segunda a segunda, o Barranco está sempre aberto. Às 5 da tarde você não almoçou ainda? Então já sabe onde ir.
- O chopp é da Brahma, está sempre gelado e é bem tirado. Sim, isso faz diferença numa cidade onde imperam Sol e Nova Schin e muitos garçons não sabem o que é colarinho.
- Os garçons são meio loucos. Eles não se contentam em te atender, eles têm que fazer piadas e ficar amigos dos clientes (isso pode ser bom ou ruim, depende do ponto de vista).
- Se a conta for bem gorda (e será) e você já tiver tomado vários chopps, eles dão a última rodada de cortesia. Tente pedir. Mas se estiver sóbrio, melhor deixar pra lá.
- Tem salada de carrinho, uma super inovação que eu ainda não vi em lugar nenhum. Vc paga por pessoa e se serve à vontade, quer dizer, o garçon serve. É um buffet ambulante.
- A salada de batata, pra mim, é a melhor de todas.
- Em dias bonitos e de temperatura amena, dá pra sentar numa mesa ao ar livre, sob as árvores. Uma delícia.
- Por incrível que pareça, a carne não é o melhor do Barranco. Mas é a la carte, o que já é uma grande vantagem pra quem não curte o bastantão dos espetos corridos. Escolha o eu corte e espere a tábua chegar na mesa. É bom, só não é o melhor churrasco do mundo.
Certo que tem outras coisas boas, isso sem falar nas ruins, mas essas são as que nos fazem voltar lá sempre. Respire fundo na hora de pagar a conta e releve qualquer coisa. Afinal, estamos falando do Barranco.
27 de mar. de 2008
interaja!

O encontro foi um InterAJE, o almoço que acontece a cada 15 dias no Z Café da Padre Chagas. Nós começamos esses encontros há quase 1 ano, era uma vontade que eu tinha desde quando era vice-presidente e que conseguimos implementar só no ano passado. Mas nunca tivemos um almoço tão bem freqüentado como o de hoje! Nossa, foram quase 20 pessoas, um recorde. Vários novos associados, diretores e gente que veio conhecer a AJE. O cantinho que o pessoal do Z reservou ficou pequeno pra tanta gente.
*Em tempo, a proposta do InterAJE é de um bate-papo informal, então ele não foi dimensionado pra receber muita gente. Mas, precisando, não tem problema, a gente arreda umas mesas aqui e ali e tudo se ajeita! (né, Ricardo?)
Adorei ver o entusiasmo do pessoal. Tem muita gente nova se associando e a entidade está ficando cada vez mais forte e representativa. Fruto do trabalho de muita gente! Nesses 23 anos, a AJE vivenciou altos e baixos (e sempre sobreviveu firme), mas agora estamos, sem dúvida, em uma fase de altos, altíssimos.
Acho que tem um pouco a ver com o cenário econômico do País. Se as coisas vão mal, os empresários só pensam em cortar custos. Mas, ao contrário, não tenho visto ninguém reclamar muito no momento. Acho que estão todos preocupados em aproveitar a boa fase, quase inacreditável em tempos de recessão estadunidense. Tá, eu sei que a carga tributária é pesada, o País tem problemas estruturais e que a desigualdade social ainda é uma ferida aberta. Mas, olhando mais para o nosso umbigo, há muito tempo não tínhamos um mercado tão propício aos negócios. O cavalo está encilhado.
Mas voltando à AJE, acontece assim: com o fluxo de caixa azulzinho, é mais fácil investir em atividades que são ao mesmo tempo prazerosas e lucrativas, como se associar a uma entidade empresarial, porque isso traz negócios. Ir aos eventos, participar dos comitês, conhecer gente, trocar idéias... isso é a AJE, e enquanto existirem jovens empreendedores interessados nesse tipo de coisa, ela vai continuar a cumprir sua missão.
Tá certo que ninguém sai fechando negócio no primeiro evento. Pode até acontecer, mas é exceção. É preciso persistência, se fazer presente, ver e ser visto. Como a entidade é muito aberta e aproximativa, as coisas acontecem naturalmente. Mas não dá pra pensar que o retorno será só monetário. Ele pode vir de outras formas. Dá pra crescer e aprender muito participando de uma associação empresarial, e um bom empreendedor sabe tirar proveito disso (no bom sentido).
O Ricardo, meu sucessor, amigo e futuro afilhado (falta pouco!), está de parabéns, assim como toda a diretoria. Essa galera vai longe. E ao pessoal que está chegando, parabéns também pela iniciativa. Continuem assim que vale muito a pena (isso eu afirmo de cadeira!).
Acho que ainda vou falar muito da AJE aqui no blog... esse foi só o primeiro post.
25 de mar. de 2008
restaurantes favoritos (parte II)
Hoje fomos no Al Nur, nosso árabe preferido em Porto Alegre. São poucos os árabes por aqui, e dentre esses poucos, o Al Nur é disparado o melhor. O ambiente é ótimo - requintado até - e a comida idem. Fica bem pertinho do meu trabalho, então às vezes rola até um almoço. E também pedimos direto pelo telefone, pra comer em casa. Hummm...
Não sei de onde tirei essa de gostar tanto de comida árabe. Sou descendente de alemães por parte de mãe, e por parte de pai é uma mistura só, mas de árabe eu passo longe. Por algum motivo, um dia eu resolvi provar e me apaixonei.
A gente já sabe tão bem o que gosta que raramente pede o rodízio. Nosso pedido é mais ou menos assim: quibe cru (meu predileto), tabule, coalhada, pasta de beringela ou de grão de bico, pães e uma esfiha (de carne pro Fredo, de espinafre pra mim). Quando estamos a fim de exagerar, pedimos uma beringela gratinada. E era isso!
Claro que tem outros pratos deliciosos, mas esse é o básico que satisfaz. Pra quem não conhece a culinária típica árabe, recomendo pedir o rodízio e experimentar de tudo um pouco pra descobrir o que gosta.
O Al Nur fica ali na Av. Protásio Alves , 616 (esquina Dona Leonor), no bairro Rio Branco. Confere que é garantido.
22 de mar. de 2008
restaurantes favoritos (parte I)

O legal do Stübel é que ele não muda nunca. É a mesma decoração com cara de casa de vó, os mesmos garçons (sempre simpáticos, mas tem um que me parece meio mal-humorado), as mesmas musiquinhas alemãs engraçadíssimas. O cardápio também deve ter mudado muito pouco, mas a gente gosta de pedir sempre a mesma coisa: o couvert, que vem com um pãozinho de café que é uma delícia, além do patê de fígado e das morcílias, que ficam todas pra mim porque o Fredo não come entranhas; e Rahmschnitzel, um ótimo (e gordinho) filé ao molho de nata. Pra acompanhar, o confirmadíssimo chopp da Brahma, que vem numa tulipa superbonita. Tudo isso a preços justos.
Sempre tem uns lugares que moram no coração da gente, né? O Stübel é um desses. Recomendadíssimo.












