Antes do final do primeiro tempo, já 1x0 para os são-paulinos, resolvi ir pra cama, não para dormir, mas para ler. Em dia de jogo importante passando na TV aberta, me senti uma pessoa única, no sentido de ser a única pessoa do mundo (ou de Porto Alegre e de São Paulo) a estar na cama de pijamas lendo um livro. Quantos estariam na mesma situação que eu? Chuto que bem poucos. Peguei o calhamaço de contos brasileiros e reli um da Clarice Lispector. É sempre bom reler Clarice, pra ter certeza.
Quando começou o segundo tempo, fiquei tentando adivinhar o que se passava. Não é difícil, basta interpretar os sons que vêm da rua. Um vizinho gritou desafinada e desesperadamente, e seus gritos foram seguidos de buzinas, vuvuzelas e muitos outros gritos. Gol do Inter. Instantes depois, não foi tão fácil de entender. Mais gritos, o desespero do mesmo vizinho, mas era um desespero diferente. Achei que pudesse ser rescaldo do primeiro gol, mas eis que o Fredo se abala da sala ao quarto para me transmitir as boas-novas: 2x1 para o São Paulo. Não era suficiente, mas bastava um golzito para tirar os colorados da final da Libertadores. Comemorei timidamente de baixo dos edredons e disse então tá, acho que vai rolar.
Silêncio. Olhos pesados. Guardei o livro, desliguei o abajur e deixei o sono me levar. Não demorou para o Fredo vir juntar-se a mim. E aí?, perguntei, semidormindo. Ficou em 2x1. Tsc, tsc, tsc. São Paulo incompetente. Sempre perde pros gaúchos, afinal. Boa noite.
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6 de ago. de 2010
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