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11 de nov. de 2010

sobre como os beatles entraram na minha vida (ou pretexto para falar do show do paul)

Primeiro ouvi na Ipanema FM que tinha dado no ClicRBS que os empresários de Paul McCartney estariam em negociações para trazê-lo a Porto Alegre, aproveitando a passagem já confirmada por Buenos Aires. Pensei: “Humpf, que esperança”, e fui me ocupar com qualquer outra coisa. Dias depois, a conversa parecia um pouco mais séria. Na Itapema FM, deu que os caras estavam na cidade para visitar os estádios e hotéis e verificar se a estrutura era boa o suficiente para a grandiosidade do artista – não estou sendo irônica. Aí eu disse: “Humm, quantos dias para eles darem o veredicto negativo?”.

Pois é, mordi a língua. Logo o clã Sirotsky se reuniria com os tais empresários para assinar o contrato. Até a data já estava definida: 7 de novembro. Pasmei: “Uau, Paul McCartney em Porto Alegre, unbelievable”. Mas o segundo pensamento foi: “Decerto ele vai tocar só músicas da carreira solo”. Mordi a língua novamente: do setlist que ele vinha apresentando na Up and Coming Tour mundo afora, metade era Beatles. Quando finalmente divulgaram os preços dos ingressos, que nem eram tão absurdos quanto eu tinha imaginado, e que a pré-venda seria para assinantes de jornais da RBS – eu tinha feito uma assinatura de Zero Hora duas semanas antes –, só aí eu tive certeza de que eu iria ao show do Paul McCartney.

Mas a ficha custou a cair. Durante os cerca de 30 dias entre a compra do ingresso e o show, não tive frio na barriga, não fiquei nervosa, permaneci praticamente imune à histeria coletiva que se instalou em Porto Alegre, em grande parte embalada pela mídia massiva e até excessiva da RBS sobre o assunto (acho que exageraram na dose, mas, tratando-se de Sir Paul, é perfeitamente compreensível e perdoável). O máximo que fiz foi ouvir o mais que pude um CD gravado com as músicas do provável setlist que havia sido divulgado (e que se confirmaria totalmente, inclusive a ordem foi a mesma ), já que pouco conheço a carreira solo do moço e detesto ficar boiando em shows.

Tudo já se disse sobre o show e imagino que quem não foi está de saco cheio dessa conversa. Eu estaria. Mas sim, foi mesmo tudo isso. 55 mil pessoas não poderiam ser cúmplices de uma mentira, não teríamos como combinar “vamos dizer pra todo mundo que foi ótimo só pra tripudiar”. Unanimidade é coisa rara e dizem até que é burra, mas parece que o show do Paul McCartney foi para o topo da lista de exceções da velha máxima. Porque foi bom pra caralho. Beirou a perfeição. Deixou todos boquiabertos, bateu fundo no coração e na alma de quem estava lá, fez lágrimas escorrerem, sentimentos aflorarem... e aí já escorreguei pra pieguice e dela acho que não saio nunca mais quando se tratar do show do Paul McCartney.

Cada um tem seus motivos paga gostar de Beatles, do Paul, do John e até mesmo do George e do Ringo, que sempre me parecem meio esquecidos. Cada um tem uma história pra contar. A minha é assim: meu pai é professor de inglês. Ele dava aula em escolas públicas de Guaíba, onde morávamos, para os antigos primeiro e segundo graus. Uma das marcas registradas dele eram as musiquinhas, principalmente nas turmas infantis. Tinha de tudo, de Little Indian a My Bonnie Lies Over The Ocean. E tinha Beatles. Especialmente Love Me Do e Hello Good Bye, com seus versos repetitivos e fáceis, mas às vezes também Hey Jude e Help, bem mais complexas, e até Yesterday, se não me falha a memória. Ele gravava fitas K7 (oi?) a partir dos álbuns duplos de vinil (oi?) de capas azul e vermelha, que eram coletâneas do que de melhor o grupo fez ao longo de toda a carreira – o vermelho era da fase iê iê iê, e o azul, da psicodélica, da mais rock n’ roll.

Fui aluna do meu pai na quinta e na sétima série, mas antes disso as musiquinhas que ele dava em aula e que frequentemente tocavam na minha casa chamaram minha atenção. Sempre gostei de cantar, e quando gostava de uma música, não sossegava enquanto não decorava a letra, fosse em português ou em inglês. Na época – década de oitenta, tá? –, para conseguir as letras era preciso comprar o disco para ter o encarte ou então gravar da rádio e tirar de ouvido, coisa que muito fiz. Mas com Beatles eu tinha aquele tesouro do meu pai, os álbuns duplos, e certo dia decidi desbravá-los. Eu não sabia nada sobre o fenômeno que eles haviam sido, conhecia apenas meia dúzia de músicas, mas por algum motivo eu desconfiei que ali tinha bem mais do que Love Me Do e Hello Good Bye. Não demorou para eu constatar que sim, tinha muito, muito mais. E como até hoje, quando gosto de um disco, de uma banda, de um cantor ou cantora, ouço até cansar, eu devo ter gasto algumas agulhas escutando aqueles discos no três em um.

Logo descobri que os encartes dos álbuns, que continham as letras das músicas, estavam se deteriorando com tanto uso. Foi assim que, por vários dias, talvez semanas, me entretive ouvindo os discos e restaurando cuidadosamente os encartes. Alguns pedaços das letras tinham se rasgado e eu completava no papel, escrevendo a mão o que tirava de ouvido. Desse jeito acabei decorando as músicas e até mesmo as melodias, as notas, os riffs de guitarra, as interjeições, todos os detalhes de quase todas as canções. Até hoje acho que isso contribuiu muitíssimo para o aprimoramento da minha pronúncia no inglês, que é bem boa, modéstia às favas.

E foi assim que os Beatles entraram na minha vida. Nada pomposo, uma história singela, até. Foi unicamente a música deles que me cativou, e não o fato de eles terem sido os maiores de todos os tempos ou coisa do tipo. Nunca fui beatlemaníaca, estou mais para admiradora, alguém que curte, que se identifica, se emociona, se arrepia e se diverte com eles. Os Beatles me fazem lembrar minha infância e a sorte que tive de ter aqueles benditos álbuns dentro de casa. Mais tarde eu pude comprar vários CDs e continuar curtindo os Beatles, agora sim sabendo melhor quem foram aqueles quatro garotos, a importância que tiveram para toda uma geração e que continuam tendo, vide a enorme quantidade de jovenzinhos e de velhinhos no show do último domingo.

Para mim, o fato de Paul McCartney estar vivo e super na ativa era uma coisa, confesso, meio distante, meio, sei lá, nunca tinha parado para pensar no assunto. Vez ou outra lia notícias sobre ele, mas não tinha muita noção do que significava um beatle ter sobrevivido ao tempo e aos próprios Beatles para construir uma carreira irretocável como foi a dele, sem nunca decair, e aos 68 anos ser capaz de fazer um show como o que eu vi no Beira-Rio. A sensação de estar no mesmo ambiente de Paul McCartney, mesmo a muitos metros de distância, foi estranha e impactante. Fui ao show da Madonna em São Paulo e saí de lá com uma lista enorme de reclamações, assisti ao Eric Clapton no Olímpico e foi uma das coisas mais monótonas que já presenciei, e até mesmo os dois shows do meu ídolo-mor, Chico Buarque, vão para a lona perto do que fez Paul, e tudo isso considerando as diferenças óbvias de estilo. Como seria bom se todos os artistas – e veja que poucos podem sequer ser comparados a Paul McCartney – tivessem o entusiasmo, a simpatia, o bom humor, o fôlego que ele teve, a preocupação com a perfeição e em proporcionar o melhor espetáculo possível, de honrar o amor do público e fazer valer cada centavo investido. É um exemplo para toda a classe artística, goste ou não de Beatles e de Paul McCartney. Não há como ignorar.

Vou parar por aqui, porque até eu já estou me achando uma chata. O que queria mesmo era contar a maneira despretensiosa que os Beatles entraram na minha vida, e acabei falando um monte sobre o show. Agora me resta guardar na memória esse momento que foi mágico e... tá, chega.

9 de nov. de 2010

paul, I can't hardly express

Arram, eu fui.

Por enquanto, sigo sem palavras. Quero escrever, expressar, mas é tão difícil. Vai sair, vai sair. Só tenho que conseguir lembrar do show sem ficar com os olhos marejados.

(eu sei, eu sei que o título do post é de uma música de John, mas ele não deve se incomodar com o empréstimo)









Paulinha, Dani e eu :-)

25 de ago. de 2010

em respeito à memória de renato russo

Ontem o Multishow fez o desfavor de "homenagear" o Legião Urbana colocando o Vitor e Léo (quem?) e a Claudia Leitte (ã?) cantando a música Pais e Filhos. Putaquemepariu. Foi um dos shows do Prêmio Multishow de Música Brasileira, que, aliás, já teve dias melhores. Mas enfim, que o Multishow abra espaço para o Luan Santana (hein?) e o Fiuk (o mundo se contentaria só com um Fábio Junior, nénão?), eu até entendo, agora fazer isso com o Renato Russo, avápá... vergonha alheia, vergonha, vergonha.
Pais e Filhos foi e talvez ainda seja o maior hino adolescente da história. Eu ouvia essa música na minha adolescência e ela falava diretamente comigo, era feita pra mim. Pra mim e pra todos os que tinham a minha idade no Brasil inteiro. O Legião e o Renato Russo tinham isso, falavam a língua do público. Fizeram coisas maravilhosas. Tem gente que acha depressivo. Eu acho autêntico. Visceral. Legião é rock, é poesia, é crítica social, é soco no estômago. Que falta faz tudo isso na música brasileira de hoje.
Agora mesmo resolvi ouvir o CD Legião Urbana V, aquele da capa branca com letras douradas. Tenho ele até hoje. Está escrito no encarte: 17/10/1992. Dezoito anos. Uau... Provavelmente ganhei de aniversário, não lembro. Mas lembro que o escutei infinitas vezes. Ainda sei as letras decor. Até mesmo a da faixa número 2, Metal Contra as Nuvens, que tem mais de 11 minutos de duração. Cantei ela inteirinha no show que fui no Gigantinho, em 1994. Na época tive a nítida sensação de ser a única pessoa que sabia cantar aquela música. Acho que poucos tinham paciência de ouvi-la. Eu tinha. Sabia até mesmo as canções instrumentais, acompanhava com a mente cada nota, cada acorde. Eu era assim na adolescência, ouvia um mesmo disco até furar. Mas não furou, tanto é que esse me acompanha há longos dezoito anos.
Esse disco, o Wikipedia acaba de me contar, reflete a crise econômica causada pelo plano Collor e a dependência química de Renato. Interessante saber disso agora. Porque na época eu não me dava conta. Mas me emocionava, mesmo não entendendo bem o que as letras significavam. Não são letras fáceis. Duas delas me chamaram particular atenção hoje: a música-para-suicídio Vento no Litoral e a meiga, alto astral, romântica e bem-humorada O Mundo Anda Tão Complicado. Uma contraposição perfeita. Me fizeram ir às lágrimas indagorinha.
Renato Russo morreu uns anos depois. Não lembro bem o que senti quando soube. Mas foi estranho porque menos de dois anos antes eu o tinha visto muito de perto, nesse show do Gigantinho. Um show histórico, aliás. Histórico pra banda e pra mim também. Fomos eu e o Sandro, meu amigo, meu parceiro de momentos inesquecíveis como esse que foi ver Legião Urbana em Porto Alegre. Algumas pessoas viram Cazuza, outras viram Elis Regina, outras viram Cássia Eller. Eu vi o Renato Russo. Ídolo.
Pois tudo isso para dizer que as músicas do Legião continuam tocando adolescentes e adultos até hoje, mas se o Multishow insistir em colocá-las na boca de artistas de quinta categoria (e eu acho que "artistas de quinta categoria" é até elogio para os charlatões em questão), vai contribuir para que o legado de uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos seja confundido com música de quinta também. Ora, faça-me o favor, Multishow!

24 de dez. de 2008

coisas boas e ruins de um show da madonna

(Tentar) ver Madonna no Morumbi foi uma experiência e tanto. É muito provável que esta tenha sido minha última vez num show em estádio e, principalmente, na pista. Esqueci o dorflex e quase morri de dor nas costas, depois de passar horas em pé ou muito mal sentada no chão. Nunca fui fã de freqüentar estádios nem pra ver o Grêmio jogar, abri uma exceção porque, afinal, é Madonna, e acho que tão cedo ela não pinta no Bourbon Country...


Vamos aos fatos. Primeiro, o show atrasou 1 hora e meia. E aqui fica meu protesto: esse povo de São Paulo é muito pacífico! Ficou ali como se um atraso desses fosse normal! Eu queria reclamar, mas o que seria minha voz sozinha entre 70 mil? Não ouvi um ai. Defeito ou virtude dos paulistanos, que certamente eram maioria lá? Não sei, mas fiquei revoltada. Quieta, mas revoltada.

Eis que então, finalmente, o palco se iluminou... Os telões foram ligados... E ela entrou. E todos, inclusive eu, esqueceram o atraso. E a dor nas costas. E a vontade de fazer xixi. O que tem essa mulher pra fazer isso com as pessoas? Eu, que nem curto muito música pop, que sou muito mais do "banquinho & violão", do samba, da música brasileira, fui totalmente contagiada por aquela freak que não envelhece nunca, que não pára de lançar discos incríveis e que não deixa as britneys e rihannas da vida chegarem nem perto do posto que há anos é dela.

Agradeci por ter me dedicado a ouvir exaustivamente o disco Hard Candy no meu MP3 nas últimas semanas, pois assim pude acompanhar praticamente todas as músicas. E adorei. Juntando essas com um punhado de outras mais antigas que ela cantou e está feito o show perfeito, que remete uma guria de 31 como eu a várias fases da vida, principalmente à tão remota adolescência.

Pena mesmo que não vi muita coisa. Em meus minguados 1 metro e 65, não fui páreo para meio Morumbi com mais de 1,70. Pescoção esticado, ponta do pé, nada resolveu muito. Diante de tudo isso, o saldo da experiência é uma mistura de coisas boas e ruins. Mas a conclusão é que as coisas boas neutralizam as ruins, como acabei percebendo depois que fiz essa listinha:

Gostei:
- Do show em si, da produção, dos efeitos visuais, do som que estava impecável. É puro entertainment, é espetáculo. Expectativas atendidas e superadas.
- Da companhia perfeita do meu amigo Sandro, super parceirão que até ergueu várias vezes as dezenas de quilos deste corpitcho (aff...) pra eu ver melhor o palco.
- Da simpatia da Madonna (por essa eu não esperava), que bateu altos papos, reclamou da chuva (até os popstars falam sobre o tempo...) e sorriu muito.
- Da tranqüilidade daquele povaréu. Nem sombra de violência, pelo menos por onde eu passei.
- Do repertório mesclando músicas novas e antigas.
- Do momento Like a Prayer. Nunca pulei daquele jeito num show!
- Das cervejas geladas que tomei (só isso e muita sede pra salvar uma Sol).

Não gostei:
- Do atraso de 1 hora e meia.
- Do conformismo do público com o atraso de 1 hora e meia.
- Da Madonna ter ficado quase metade do show dançando no chão (se em pé já era ruim enxergar, imagina deitada).
- Da desafinação da Madonna cantando Borderline em ritmo de rock.
- Da Madonna fingindo tocar guitarra.
- De a Madonna ter recusado o pedido de um cara para cantar Open your heart. Se só ensaiou Express yourself, por que pergunta?
- Da altura da Madonna (vai ser baixinha assim no inferno!).
- Do cabelo da Madonna (ela já teve momentos melhores).
- De a única cerveja a venda lá ser Sol.
- De ter sido obrigada a entrar no estádio do São Paulo (grrrrrrrrrrr)

4 de out. de 2008

shows da minha vida

Este post eu fiz inspirada pela Martha Medeiros, que escreveu em seu blog sobre os muitos shows que já foi na vida. Achei legal e resolvi copiar, só pela diversão de tentar lembrar os que eu já fui. É claro que a minha lista nem se compara à dela, um dia eu chego lá...

Tudo começou com shows dos Menudos e do Dominó, mas graças a Deus as pessoas crescem, evoluem e finalmente conseguem discernir entre o bom e o ruim. E apesar de alguns tropeços nesses meus quase 31 anos de vida, só tenho boas histórias para contar. Tentei colocar numa ordem cronológica, mas foi impossível. Tem alguns que eu nem lembro quando foram. Procurei não deixar nada de fora, mas é claro que não incluí os shows de bandas cover que assisti nas festas do clube Itapuí, no Opinião e nos bares da vida. Vamos a ela:

Cascavelletes: com apenas 12 anos conferi a performance da lendária banda gaúcha cantando os hits “Menstruada” e “Nega Bombom”. Foi no clube da Riocell, em Guaíba, e foi a primeira vez que saí sozinha de noite!!! Nossa, que precoce...

Rosa Tatooada: pode? Foi também no clube da Riocell e só lembro que o cara da banda abaixou as calças e mostrou a bunda pro público. Nojento. Nem merecia estar na lista, mas já que a intenção é relembrar, vamos agüentar também os maus momentos.

Gabriel O Pensador: devia ter uns 16 anos e fui sozinha! Descolei o ingresso de graça com a mulher do dono do Opinião, que dava aula em Guaíba na época. Eu adorava o cara e aquelas músicas que, de certa forma, traduziam as coisas que eu pensava.

Jorge Benjor: em Passo Fundo, com a Fê e a Michele. Acho que isso foi em 1994 ou 1995... certamente éramos menores. E aprontamos todas nessa viagem!

Legião Urbana: show antológico de 1994 em uma das maiores lotações da história do Gigantinho. O Sandro foi meu parceiro na empreitada. Quase fui esmagada e um cara mijou na minha perna, mas nossa, como valeu a pena!

Fernanda Abreu: na primeira edição do Planeta Atlântida, em 1996. Óbvio que foi a primeira e a última vez que fui ao evento. Detalhe: passei mal e desmaiei no meio do show da mulher. Mas acho que a culpa não foi dela. Depois a vi novamente no Opinião.

Lulu Santos: mais um momento de fraqueza... eu até curto o Lulu, mas daí a ir num show... e no Gigantinho! Acho que foi em 1996 e não curti muito.

Planet Hemp: também no Opinião, com ingresso descolado na rádio Ipanema, onde eu fazia estágio na época, ali por 1998. Mas não agüentei o peso do som e nem os teens maluquetes da platéia (e olha que eu tinha só 21 anos) e fui embora antes da metade do show.

IRA!: fui ao show do disco Isso é Amor, que eu adoro. Foi no Opinião, com a companhia de Fredo, Isadora e Fi. Ainda bem que eu fui, porque infelizmente o Ira! acabou.

Papas da Língua: o Fredo jura que nós fomos a um show deles no Salão de Atos da UFRGS. Eu não lembro!

Hard Working Band: esse eu lembro e foi demais. No Salão de Atos da UFRGS lotadíssimo. Mais uma boa banda gaúcha que se acabou.

Nei Lisboa: perdi as contas de quantos shows do Nei eu fui. Acho que uns cinco. Três só no Theatro São Pedro. Destaque para o show do disco Hi-Fi, que eu adoro.

Djavan: já gostei demais de Djavan, hoje não sou mais tão entusiasmada. Mas valeu vê-lo ao vivo no Teatro do SESI.

Luiz Melodia: esse negão é algo. Foram dois shows, no SESI – só sucessos, o máximo – e esse ano no Bourbon Country, do disco Estação Melodia, só de sambas antigos. Muito, muito bom.

Titãs: assisti duas vezes, a primeira naquele Planeta Atlântida de 1996, e confesso que nem lembro direito (deve ter sido depois do desmaio). A segunda vez foi num ótimo show do disco acústico, no Teatro do SESI.

Rita Lee: só vi a rainha do rock uma vez, naquele primeiro e único Planeta Atlântida. Não lembro muita coisa, mas uma eu jamais esquecerei: da mulher nua que desfilou no palco enquanto a Rita cantava Miss Brasil 2000. Aquilo chocou, ninguém esperava. Muito tempo depois eu descobri que a primeira Miss Brasil 2000 foi a Adriana Calcanhotto, num show da Rita no Gigantinho. Pode?

Eric Clapton: no Olímpico. Foi uma droga. Assim como a Martha Medeiros, fiquei lá longe e não me conectei com o cara. Dinheiro posto fora.

Maria Rita: linda, maravilhosa, rainha. O show, no Teatro do SESI, foi impecável. Era o lançamento do primeiro disco, Maria Rita, em 2005.

Lenine: eu e a Dani compramos ingresso para o mezanino do Teatro do SESI, mas o show não lotou. Tivemos a sorte de encontrar uma amiga minha que era assessora de imprensa da TIM, que promovia o show. Ela ficou com peninha e nos colocou na platéia baixa, bem pertinho do pernambucano arretado!

Gilberto Gil: vi o ex-ministro pela primeira vez num show no Salão de Atos da UFRGS do disco Quanta, talvez o mais difícil de digerir de toda a carreira dele. E assim foi o show. Mas o do Kaya N’ Gan Daya, em que ele canta músicas do Bob Marley, foi ótimo! E acreditem, foi no Araújo Vianna!

Marisa Monte: fui a três shows da Marisa, dos discos Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão, Barulinho Bom e Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Eu a amava muito, hoje nem tanto, mas enfim, é Marisa Monte, não é?

Chico Buarque (As Cidades e Carioca): foram dois shows inesquecíveis do meu maior ídolo. O primeiro, em 1999, eu só consegui ingressos para a última fila do mezanino do Teatro do SESI. Ou seja, vi o Chico a uma distancia de mais ou menos... 1 km, talvez mais. O segundo, em 2007, assisti da platéia alta do mesmo teatro e foi tudo, tudo de bom.

Paralamas do Sucesso: no Rio de Janeiro, com o Romualdo e a Ciça, assistimos ao primeiro show do Paralamas depois do acidente do Herbert Vianna. Foi no Credicard Hall.

Theddy Correa: cantando Lupicínio Rodrigues no Theatro São Pedro. Escolhi esse show para comemorar nosso aniversário de dois anos de casamento. Foi bonito, mas me chamou a atenção os vários erros cometidos por Theddy. Acho que ele não tinha ensaiado direito.

Seu Jorge: adoro esse negão, mas o show não foi muito legal. Era a primeira vez que eu pisava no Teatro do Bourbon Country, em 2007, e por muito tempo eu culpei o próprio teatro pelo fracasso do show, porque o som era alto demais. Mas hoje eu acho que o problema foi o show mesmo, era a estréia da turnê e eles não estavam entrosados.

Ney Matogrosso: o show Inclassificáveis foi o presente da RBS para convidados VIPs em 2007. Como presidente da AJE, lá estava eu, lépida e fagueira. S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!

Karine Cunha: minha professora de canto merece e muito estar nessa lista. Fui a dois shows do disco Epahei!, no Teatro do SESC e no Teatro Novo do DC. Linda e talentosa!

Quarteto em Cy: as quatro baianas que fizeram história na MPB estiveram em Porto Alegre em 2008. É claro que eu estava lá.

Fernanda Takai: show do disco Onde Brilhem Os Olhos Seus, primeiro trabalho solo dela. Foi esse ano no Bourbon Country. Fofa!

Adriana Calcanhotto: show com gostinho de vitória. Consegui entrar na lista de convidados da própria Adriana depois de não conseguir ingresso pelas vias normais dos espetáculos do Porto Alegre em Cena. E não é só porque eu queria muito assisti-la. Foi simplesmente indescritível. Adri é minha deusa.

Madonna: tô precisando incrementar a lista de shows internacionais ASAP! Isso vai começar logo mais, em dezembro, no show da Madonna em São Paulo!

20 de set. de 2008

maré de sorte

Consegui. Depois de praticamente me conformar de não ir ao show da Adriana Calcanhotto, apelei para o improvável: a piedade da produção dela. E não é que deu certo? Pois é. Mandei um e-mail e contei toda a minha história triste (e verdadeira) que me impediu de acessar o site do Poa em Cena ou de chegar no Gasômetro a tempo de comprar os ingressos.

Logo no outro dia veio a resposta. Eu deveria ligar no dia 18 para uma outra pessoa que talvez pudesse me conceder dois convites. Fiquei empolgada pelo simples fato de ter recebido aquele e-mail, embora achasse difícil que alguma coisa saísse dali. Mas não ia deixar de tentar, é claro. Liguei no dia combinado e me pediram para ligar de novo no dia seguinte, pois ainda não era possível saber se haveria convites disponíveis. Quando liguei, pasmem: "ok Fernanda, vá lá hoje, me liga às oito e meia que eu digo pra você onde os convites vão estar". CARACA! Eu estava na lista de convidados da Adri. Um envelope com o meu nome e dois ingressos dentro me esperava. Primeira fila da platéia alta.

Não sei o que dizer do show. Apenas que está no meu Top Five. Que foi divino. Que Adriana Calcanhotto é um ser superior, não é desse mundo. É deusa. E também que ela cantou uma música do Guilherme Arantes. Ela também! Eu cantei Coisas do Brasil. Ela cantou Meu Mundo e Nada Mais. Nós duas cantamos Guilherme Arantes no mesmo dia. Temos, afinal, algo em comum.

Esse episódio só reforça alguns ditos populares, como "a esperança é a última que morre", "quem espera sempre alcança", "sou brasileiro e não desisto nunca". E me deu também um alento. Minha performance ontem no sarau deixou a desejar. Fiquei extremamente nervosa e as coisas não saíram tão bem quanto nos ensaios. Fiquei desapontada. Mas não vou desistir nem me deixar abater. Vou seguir em frente nas coisas que gosto. Mesmo que não importe pra mais ninguém. Mesmo que seja só pra mim.

A foto ali em cima é de Fernanda Chemale / Divulgação PMPA.

5 de set. de 2008

better, better, better


Things are getting better, that's all I have to say.

I'll be there!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

31 de jul. de 2008

quarteto em cy: pelos outros e por mim


Tem coisas que a gente faz mais pelos outros do que pela gente. O altruísmo, essa qualidade tão bonita, vale mesmo quando o beneficiado duvida que a boa ação seja realmente boa. No caso, o beneficiado era meu pai, a quem quase precisei levar a força ao show do Quarteto em Cy. Sim, o grupo vocal formado por quatro baianas já bem passadinhas, mas que continuam escrevendo, com muito mérito, a história da música brasileira.

Ultimamente eu tenho tentado incluir meus velhos em programas como este. É que agora eles moram em Porto Alegre - depois de terem passado pelo purgatório, digo (ops!), por Guaíba e Tramandaí. Durante o pouco tempo em que morei com eles aqui em Poa, eu era recém-saída dos 18 anos e a última coisa que pensava em fazer era qualquer coisa com meus pais. Hoje, isso é um prazer.

Desde que soube que o Quarteto em Cy ia se apresentar em Porto Alegre, eu botei na cabeça que meu pai tinha que ir. O problema era convencê-lo disso. Ele adora falar que vai fazer e acontecer, mas, na hora H, acaba ficando em casa.

(Parênteses: foi com meu pai que aprendi a gostar de música. Não que ele seja grande entendido no assunto (hoje em dia, a gente até "briga" por diferenças gritantes de gosto). Mas foi com ele que eu ouvi pela primeira vez Lupicínio Rodrigues e Beatles, e acho que é por causa dele que eu tenho esse gosto musical tão anacrônico para alguém que nasceu em 1977.)

Eu estava certa: ele amou o show. Não só ele, claro. Apesar de ser evidente que as "meninas" já não cantam como outrora - ainda mais depois de ter sido alertada disto por quem entende do assunto -, foi uma experiência única.

O repertório era Vinicus e Caymmi. Poderia ser melhor? Curti cada música e fiquei pensando quando e se um dia eu ouviria aquelas músicas cantadas ao vivo por pessoas que conviveram com esses gênios. Nada a ver com mediunidade (depois daquela da Dercy, sei lá...), mas me senti mais perto de Vinicus assistindo a este show. E do Caymmi também, que do alto de seus noventa e poucos anos, dificilmente fará um show novamente. E me pus a pensar: quão perto é possível chegar de alguém que já se foi? Acho que descobri uma maneira.

Mas o melhor de tudo foi ver meu pai aplaudindo cada música, fazendo comentários de "sensacional"... Eita... Vai ver ele sentia isso quando me levava pra ver qualquer coisa quando eu era criança. Circo, cinema, sei lá. As coisas vão se invertendo com o tempo.

30 de jun. de 2008

maria vai com as outras

Graças à excelente idéia de colocar a rádio Gaúcha AM em uma freqüência FM (alguém me explica por que não fizeram isso antes?), eu soube do show Bailadêra, do grupo vocal Maria Vai Com as Outras. As integrantes foram entrevistadas pelo Ruy Carlos Ostermann na quinta à tarde, quando eu voltava de Novo Hamburgo na companhia do rádio do carro (que só pega FM).

Eu adoro grupos vocais, amo aquela combinação de vozes, as interpretações sempre tão criativas... Não dava pra não ir ao show das Marias, ainda mais sendo tão baratinho (doando 1 kg de alimento, míseros 10 reais). Foi no decadente Teatro Renascença, cheio de goteiras no sagüão e um cheirinho de mofo... Mas nada que comprometesse a performance das quatro cantoras e seus músicos, todos impecáveis, até onde meu parco conhecimento musical permite.

Aproveitei pra levar o pai e a mãe, que quase nunca fazem esse tipo de programa, e eles gostaram bastante. A prova de que o show foi bom é que o Fredo até bateu palmas no final. Nada demais se ele não abominasse aqueles momentos em que os cantores convidam a platéia para interagir, dançar, cantar, sabe?

No show, composições de Dona Ivone Lara (direto pro meu repertório), Ana Carolina, Tetê Espíndola, Ângela Rô Rô, Adriana Calcanhoto (inacreditável o que fizeram com Esquadros, uma das minhas preferidas), Marisa Monte e Chiquinha Gonzaga, entre outras menos conhecidas. Não por acaso (acho), todas compositoras mulheres. Ah, elas têm um blog: http://bandamariavaicomasoutras.blogspot.com.

O Ostermann tocou essa música da dona Ivone Lara durante a entrevista. Grudou no meu ouvido feito chiclete e me ajudou a decidir que valia a pena ir ao show. Salve dona Ivone Lara, salve Marias!

Alguém me Avisou

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho

Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar...

18 de mar. de 2008

irritando fernanda vier (parte I)

Gente irritante e sem noção tem em todo lugar. Disso ninguém duvida. Mas eu, que sou bem estressada, costumo me irritar com coisas que gente normal nem dá bola. Por exemplo, sexta passada fomos eu e o Fredo (meu maridíssimo) no show da Fernanda Takai, que gravou um belo disco em homenagem à Nara Leão. Um show lindo, aquela voz delicada dela merecendo toda a atenção do mundo. E o cara que sentou ao meu lado resolveu brincar com o celular. Ora, quando dizem que devemos desligar os celulares no cinema ou em shows, não é só pelo risco de ele tocar no meio da sessão. Aquela luzinha também atrapalha, e muito! Ficar mandando torpedo não é algo que se faça em teatro. Mas comigo ele se deu mal. Com a sutileza que me é peculiar, consegui fazê-lo ficar bem constrangido e parar. Quer dizer, mais ou menos. Depois de ficar vários minutos olhando pra cara dele bem de pertinho (e de perder a concentração bem quando a Fernandinha cantou a lindíssima Insensatez) ele se tocou e fechou o celular. Depois começou de novo, daí eu fui mais longe: me escorei por cima dele e comecei a olhar o que ele fazia no aparelhinho. Se não estivéssemos em um teatro, acho que teria apanhado. Que gente! Escravo de celular! Como pode não conseguir desgrudar dessa maquininha?

Já sabe né? Ao meu lado no teatro, melhor curtir o show bem quietinho.