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15 de set. de 2010

maldita seja

Maldita seja a cidade que esconde de seu povo o que tem de mais bonito. Às vezes eu não entendo porque não consigo ser apaixonada por Porto Alegre. Gosto, mas não amo. Falta alguma coisa. Não é culpa da cidade. Não sei bem de quem é  a culpa. E acho que, a essas alturas, nem interessa mais. O que interessa é que ele está ali. Sempre esteve. Mas, por algum motivo, não o vemos, pelo menos não da maneira como seria possível, como seria a ideal. Porto Alegre poderia ter uma orla. Ciclovias, calçadões. Nós poderíamos conviver diariamente com o Rio Guaíba. Assim, de pertinho, intimamente, chegar perto dele. Entrar nele talvez seja pedir demais (será?), mas não se trata disso.
Hoje, lá pelas 17h30, vindo de carro pela freeway, já próxima da ponte do Guaíba, eu vi o rio. Ele tinha uma cor prata indescritível, a paisagem era magnífica, mas eu só pude admirá-lo por uns poucos segundos, arriscando provocar um acidente, pois estava dirigindo. Nesse momento me bateu uma indignação. Fiquei pensando que cada vez que vejo o rio é como se fosse a primeira vez, a beleza dele me estarrece e ao mesmo tempo me causa estranheza, esse rio pertence à minha cidade, mas não pertence às pessoas, não me pertence.
Espero sinceramente que o governador do estado e o prefeito de Porto Alegre que forem eleitos esse ano FAÇAM finalmente alguma coisa e DEVOLVAM aos porto-alegrenses o Rio Guaíba. Usem a Copa do Mundo de Futebol como desculpa, ou como motivação, não importa. Mas façam acontecer e me deem motivos para amar Porto Alegre, para ter orgulho de Porto Alegre, para eu poder dizer a um amigo de fora "Vê que linda a cidade que escolhi pra morar?", para eu poder dizer BENDITA SEJA Porto Alegre, a cidade onde eu vivo, pois ela tem um rio que é de todos, um rio que é meu.

6 de jul. de 2008

a lei da divergência

Vamos falar do assunto da hora. A tal lei seca que começou a vigorar há uns 15 dias no Brasil está fomentando acaloradas discussões. E eu, ouvindo e lendo sobre, confesso que ainda não formei uma opinião definitiva a respeito.

Não é segredo que eu adoro uma bebidinha. Então, em tese, eu seria contra a tal lei, certo? Em parte. Não dá pra negar que a intenção é louvável. Sempre me indignei com os bebuns que saem dirigindo por aí, ameaçando a si e aos outros. Especialmente com os playboyzinhos, que se acham imortais dirigindo seus carrões. E também com os "véio grosso" com seus chevetes e belinas caindo aos pedaços e poluindo o ar. Se a lei servir pra botar um corretivo nessa gente, então tá.

Mas o que assusta é o risco de ser parada por uma blitz ao voltar de um restaurante onde eu dividi uma garrafa de vinho com meu marido. Na minha opinião (e com a minha experiência), 375 ml de vinho é uma quantia inofensiva. Era preciso haver uma estatística (talvez haja, não sei) que mostrasse a quantidade média de álcool ingerida por pessoas que se envolveram em acidentes graves. O questionável da lei é isso: colocar no mesmo nível quem bebe além da conta de quem bebe socialmente. E olha que eu, vez ou outra, me encaixo no primeiro grupo.

Só não estou mais preocupada porque já tinha me adaptado à lei antes mesmo de ela existir. E por um motivo bem mais nobre do que medo de soprar o bafômetro: a gente gosta de viver. Não é raro Fredo e eu irmos de táxi a festas mais animadas. Também nunca pegamos a estrada depois de beber (tipo Guaíba-Porto Alegre, Tramandaí-Atlântida, enfim, esses trechos que o pessoal faz como se estivesse indo à esquina). Sabemos que é melhor não confiar em bêbado, mesmo sendo nós mesmos.

Acho que o assunto ainda vai dar muito pano pra manga. Especialistas dizem que a lei tem furos, que é inconstitucional, blábláblá. Tem aquilo de ninguém ser obrigado a produzir provas contra si mesmo - ou seja, você pode se negar a soprar o bafômetro. Também tem o metabolismo de cada pessoa, que varia conforme peso, altura, sexo. E o mais preocupante: nesses últimos dias, parece que a polícia está mais interessada em pegar bebum do que bandido.

E aí ficam as perguntas: a polícia e o judiciário estão prontos para atender a demanda? Deve um delegado deixar de resolver roubos, seqüestros e homicídios para se ocupar de um motorista que bebeu dois ou três chopes? A lei que existia antes já não impedia que gente podre de bêbada dirigisse? Então por que não era cumprida?

Ainda estou formando uma opinião a respeito.

9 de jun. de 2008

que lambança

Desde sexta-feira todos os gaúchos estão ligados nos acontecimentos políticos do Estado. Fazia tempo que não se via uma lambança tão grande por aqui. Resumo da ópera: vice-governador (que nunca se deu com a governadora) grava conversa comprometedora com o chefe da Casa Civil, em que este afirma que os grandes partidos - citando PP e PMDB - são financiados por instituições públicas como Detran, Daer e Banrisul.

Merda feita, agora todos nós temos que agüentar a ladainha do deputado Busatto (já demitido) dizendo que estava se referindo ao loteamento de cargos nos órgãos públicos. Ou seja, os CCs financiam os grandes partidos "doando" parte dos seus salários. Ora, pois. O deputado resolveu implantar orelhas de burro e nariz de palhaço em toda a população. A explicação não convence nem o seu mais fiel eleitor.

Ele não disse nada que todos já não soubessem ou, no mínimo, desconfiassem. Mas enquanto não há provas - ou confissões - não há fatos, certo? Tem que ter uma operação da Polícia Federal, uma investigação. O que impressiona é a ingenuidade explícita, a confissão aberta a um inimigo - sim, o vice-governador sempre foi um inimigo do governo Yeda.

Incrível também é a autofagia do governo estadual. Eles estão se destruindo sem que a oposição mova um dedo sequer. Ao contrário do que normalmente acontece - a oposição procurando agulha em palheiro para condenar e difamar o governo a qualquer custo -, eles mesmos estão fornecendo subsídios para que sejam detonados pela bancada oposicionsita e pela sociedade.

Não louvo a atitude do vice-governador Feijó. Será que se sustenta como político depois dessa? Ele traiu um pacto velado que eu imagino existir neste meio, de simplesmente eles aceitarem a corrupção (e se beneficiarem dela). É assim mesmo que funciona, não é, deputado Busatto?

Tudo isso também é uma boa resposta (ou pergunta: viu? viu?) àqueles que votaram na Yeda para tirar o Olívio do segundo turno. Nunca um tiro saiu tão pela culatra como este. Ela nem devia ser nossa governadora, porque votaram nela sem querer elegê-la. Ô, culatra!

O que pode acontecer agora? Tem gente falando em impeachment, eu não iria tão longe. Espero, apenas, que o governo Yeda possa retornar ao trabalho e tocar em frente a gestão, porque o Rio Grande do Sul não pode parar. Independente de quem ocupe o Piratini.

17 de mai. de 2008

quem o prefeito acha que engana?


Ontem apareceram do nada umas lixeiras novas no meu bairro. Uma bem na esquina de casa. Também tem umas melhoriazinhas acontecendo na cidade, uns asfaltinhos, umas pinturinhas aqui e acolá. Mas aí eu pergunto: só agora? O cara teve 4 anos pra fazer as coisas e só agora ele resolve botar lixeiras nas ruas? No ano que ele vai tentar se reeleger?

Essa é velha, né? Acontece em todo lugar. Eu até não acho que um prefeito, governador ou presidente deva parar de fazer as coisas em ano de eleição só porque ele será candidato de novo. O problema, neste caso, é que vários serviços públicos essenciais pioraram no mandato do Fogaça. Então fica muito, mas muito chato ele sair fazendo coisicas a essas alturas do campeonato.

Não vou nem entrar no mérito partidário, estou escrevendo isso como cidadã, como munícipe (adorei descobrir essa palavra!). Quem me conhece um pouquinho sabe qual o meu viés político, mas não é o que eu quero dizer aqui. O que eu quero é perguntar:

Quem ele pensa que engana?

Ele não ganha essa eleição, não ganha, não ganha. O porto-alegrense não vai se deixar enganar. Se ainda fossem grandes feitos, grandes obras, mas não. Porto Alegre, que nunca pôde se vangloriar de sua limpeza, está mais suja do que nunca. A cidade está feia, andar na rua ou de ônibus não é mais como antes. Porto Alegre precisa, no mínimo, de alguém com mais vontade, mais gana. A cidade perdeu sua identidade, perdeu características que eram só nossas, que faziam a gente se orgulhar de viver aqui. Espero que a gente possa voltar a se orgulhar em 2009.
Não vejo a hora.