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1 de jul. de 2010

a europa e a internet

Se às vezes me pergunto como era possível viver sem internet, na hora de viajar esse questionamento fica ainda mais contundente. Afinal, para tornar realidade nossa viagem de 20 dias pela Europa, usamos a internet para montar o roteiro, comprar as passagens e os tickets de trem, reservar os hotéis, alugar o carro... Não fosse ela, como teria sido? Sei lá, mas o que importa é que tudo o que fizemos pela internet deu certo. Isso mesmo: tudo.

Essa viagem começou a ser imaginada há bastante tempo e vinha sendo adiada ano a ano, até finalmente decidirmos: de 2010 não passa. O primeiro passo foi escolher a época: maio. Primavera, fora da alta temporada, nem tão frio, nem tão quente. As próximas decisões já podiam começar a ser tomadas.

Já tínhamos algumas ideias, vontades, sonhos, mas o roteiro só tomou forma mesmo quando, depois de alguns dias monitorando os sites das companhias aéreas, conseguimos um bom preço na passagem da KLM direto a Praga. Na verdade, os voos da KLM sempre passam por Amsterdam, de modo que o trajeto ficou Porto Alegre - São Paulo - Amsterdam - Praga. Já a volta ficou Paris - Amsterdam - São Paulo - Porto Alegre, sendo que a conexão Paris - Amsterdam foi feita três dias antes da data de retorno. Assim, por uma módica taxa de 60 reais, a capital holandesa entrou definitivamente em nosso roteiro.

A passagem foi adquirida no próprio site da KLM uns cinco meses antes do embarque. Era o tempo que tínhamos para decidir todo o resto. Praga, Paris e Amsterdam eram destinos certos. O que fazer no resto do tempo? Vai dizer. Essa é uma das melhores partes da viagem. Nesta fase, reservamos e cancelamos hotéis (os que não cobram adiantado, claro), mudamos de ideia várias vezes, reviramos o Trip Advisor, o Conexão Paris e o Viaje na Viagem (entre outros) de cima abaixo, devoramos guias impressos (sim, eles continuam sendo essenciais!), conversamos com viajantes mais experimentados... Enfim, começamos a viajar antes de sair de casa.

Um mês antes, tínhamos tudo 100% definido e reservado. Nosso roteiro passou a ser Praga, Garmisch-Partenkirchen e Munique (Alemanha), Paris e Amsterdam. A seguir, relato as principais "transações" – de reservas a compras – feitas pela internet que nos ajudaram a compor a viagem.

- Hotel em Praga: reservamos pelo Late Rooms o Residence Agnes por 66 euros/dia. E ficamos positivamente surpresos: o hotel era melhor ao vivo do que nas fotos do site, muito bem localizado em uma rua tranquila a poucos minutos a pé da Cidade Velha. Funcionários gentis e com inglês fluente. Claro que deve haver hotéis muito melhores em Praga, mas este tem uma excelente relação custo x benefício!

- Aeroporto de Praga até o hotel - serviço de transfer: primeiro destino num país cuja língua é o tcheco... achamos melhor não arriscar. Contratamos – por e-mail – o serviço de transfer do hotel. Além de ser quase o mesmo preço de um táxi (30 dólares), vale pela comodidade, afinal, era a chegada e estávamos bem cansados.

- De Praga a Munique - ônibus e trem: depois de quatro deliciosos dias na capital tcheca, era hora de mudar de ares. Alemanha! Como não havia trem direto para Munique, o jeito foi comprar o ticket que faz Praga-Nüremberg de ônibus (de primeira categoria, aliás) e Nüremberg-Munique de trem. Compramos no próprio site da DB, a companhia de trens alemã, com o prazo máximo de antecedência, que são 90 dias. Vale a pena: pegamos a menor tarifa possível! Mas tem que ficar monitorando para não perder a barbada.

- De Munique a Garmisch-Partenkirchen - carro: nosso primeiro destino na Alemanha não foi Munique; ficamos três dias na pequena Garmisch-Partenkirchen, localizada aos pés dos Alpes, a meio caminho de Innsbruck, na Áustria, e de Füssen, onde está o castelo de Neuschwanstein (o da Cinderela). Alugamos pela Sixt uma Mercedes A160 novíssima que aquecia até a bunda (achei supérfluo, mas como pegamos quase zero graus por lá, mudei de opinião rapidinho) e devidamente equipada com GPS, o que se mostrou uma mão na roda. A reserva do carro havia sido feita previamente pelo site da Sixt.

Não posso deixar de falar sobre a experiência do aluguel do carro. Em todas as vezes que fiz isso no Brasil, perdi pelo menos uma hora com a burocracia da papelada, as explicações idiotas (como ligar o pisca-alerta, como abrir o porta-malas...) e as vistorias. Em Munique, colocaram a chave na nossa mão, disseram (naquele inglês carregadíssimo) onde o carro estava e virem-se! Na entrega a mesma coisa: eles não foram nem conferir se o tanque estava mesmo cheio, se não usamos o carro em um rally... só devolvemos a chave e thank you very much! Enfim, tudo muito self-service e na base da confiança. Bem diferente daqui...

- Hotel em Garmisch-Partenkirchen: nos hospedamos no Mercure, da Accor. Neste caso pagamos adiantado para garantir as ótimas tarifas. Não imaginávamos ficar em um hotel de rede logo em Garmisch – embora este Mercure seja excelente –, mas não tivemos muita opção: lá, a maioria das pousadas é pequena e familiar, muitas não tem nem site, e as que enviamos e-mail não tinham quem entendesse inglês. Esse é o tipo de lugar onde internet e inglês não são tão úteis assim, o que, sinceramente, considero um charme a mais.

- Hotel em Munique: na capital da Bavária ficamos em um Tryp da rede Sol Meliá. A localização é apenas razoável (15 minutos a pé da Marien Platz, a famosa praça no Centro de Munique), mas o hotel é bom. A reserva, feita diretamente pelo site, foi paga no ato para garantir a tarifa camarada, que não incluía café da manhã. Mas isso não foi um problema, já que na Alemanha é possível comprar queijos, presuntos, pães e mil coisas deliciosas por preços inacreditáveis.

- De Munique a Paris - trem: este ticket também foi comprado no site da DB. A viagem levou seis horas e foi tranquila. No entanto, em Paris as coisas mudaram um pouco. Nós, que vínhamos da Alemanha, onde tudo funciona e é muito limpinho e cheirosinho, fomos negativamente impactados pelas estações de metrô da capital francesa. Sabíamos quais linhas pegar para chegar até nosso endereço, mas na prática não foi tão simples, pois foi preciso carregar duas malas grandes e pesadas escada acima e escada abaixo várias vezes. Demorei a acreditar naquilo: poucas estações de metrô de Paris têm escada rolante. Elevador? Esqueça. Não sei como cadeirantes se locomovem naquela cidade. Concluímos que a economia do táxi não vale o esforço.

- Estúdio em Paris: como ficamos sete dias em Paris, optamos por um estúdio e não por um hotel. Depois de pesquisar bastante, achamos que era o melhor a fazer, pois pelo que estávamos dispostos a pagar pela diária, o máximo que conseguiríamos seria um hotelzito muito meia-boca. Não é exagero: por 100-120 euros é difícil ficar bem instalado em Paris. O estúdio foi encontrado no site http://www.homelidays.com/ (referência 18500) e era apenas razoável. Se o proprietário fosse mais caprichoso, nossa impressão teria sido beeem melhor. E o prédio, óbvio, não tinha elevador: nada menos que 112 degraus nos separavam do estúdio. Haja perna, pulmão... Mas enfim, a semana saiu por 450 euros, uma pechincha. E a localização é quase imbatível: na rua Saint Honoré, bem no Centro, pertíssimo do Louvre, do Sena, de metrôs e etc. Por isso, fica a dica: quem pretende ficar pelo menos uma semana em Paris (costuma ser o mínimo exigido) pode optar por um estúdio ou apartamento pequeno, e se puder desembolsar mais do que nós, tanto melhor. Provavelmente encontrará excelentes ofertas.

- De Paris a Amsterdam - avião: o deslocamento Paris – Amsterdam foi feito de avião, já que fazia parte da nossa passagem da KLM. Desta vez nem cogitamos pegar o metrô, até porque o aeroporto Charles de Gaulle é bem mais longe que a estação do trem. Subir e descer escadas carregando 50 quilos de malas, nunca mais!

- Bed & Breakfast em Amsterdam: terminamos nossa viagem em Amsterdam, onde nos hospedamos em um bed & breakfast, o Inn Old. Ficamos muito felizes com nossa escolha: é uma espécie de pousada, localizada no centro da cidade e ao lado do distrito da Luz Vermelha (o que foi ótimo, o bairro é o máximo!), com diária de 95 euros com café (para Amsterdam, o preço é bem camarada). O quarto era lindinho, amplo e aconchegante, mas tinha o inconveniente de não ter banheiro privativo, era preciso dividi-lo com os proprietários. Um pouco estranho, certo? Mas não foi problema nenhum: o banheiro era absolutamente limpo e, como era apenas mais um casal, foi super tranquilo.

Tanto em Paris quanto em Amsterdam, a reserva da hospedagem foi feita por e-mail diretamente com os proprietários. Nos dois casos, não pagamos nada adiantado. Foi tudo feito na base da confiança. Depois de vários e-mails trocados, já nos sentíamos amigos dos caras. Enviamos todas as informações possíveis para tranquilizá-los de que realmente estaríamos lá no dia combinado, e poucos dias antes do embarque um último e-mail dizendo “já, já estaremos aí!”. Para nós, brasileiros, que não confiamos nem na própria sombra, que estamos sempre a mercê de algum espertinho pronto para nos passar a perna... essa é uma das melhores coisas da Europa.

E por que decidi escrever sobre isso? Ah, sei lá. Tanta gente nos pergunta “como vocês foram? com que agência?” e aí respondemos “agência nenhuma, fizemos tudo por conta” e muitos ainda ficam impressionados com isso, principalmente porque foi nossa primeira vez na Europa. Não tenho nada contra agências de turismo, mas vejo que muita gente poderia fazer diferente e não faz por insegurança, porque não se acha capaz de fazer ou porque não confia na internet (pois saiba que o seu agente de turismo faz tudo pela internet também, da mesma maneira que você faria). E, com isso, não se dedica tanto a sonhar, planejar, pesquisar, escolher. Deixar tudo nas mãos de especialistas pode reduzir os riscos ao mínimo (nunca a zero), mas o que você terá aprendido? Acho que toda viagem tem seus momentos roubada, tem imprevistos, tem coisas que você achava que seriam diferentes. Você vai tomar “tufo” antes, durante ou depois. Você vai gastar mais do que planejou. Você pode ficar resfriado (aconteceu comigo em Garmisch), você pode ser surpreendido pelo frio ou pelo calor fora de época (Paris 35 graus em maio). Você vai se irritar por não ser compreendido, vai ficar feliz porque entenderam seu inglês macarrônico, vai cruzar com pessoas grosseiras e gentis, vai derrubar preconceitos e mitos. E acredito que tudo isso será muito mais intenso se você tiver feito todas as escolhas.

Mas é só a minha opinião.

2 de mai. de 2010

borboletas no estômago


Então as coisas vão acontecendo e me deixando assim, meio tonta. Tudo o que penso e faço e vejo é para a viagem de daqui a alguns dias, aquela tão sonhada, aquela acalentada durante anos e anos, desde que me entendo por gente, talvez. Aquela que deveria ter acontecido de outro jeito, num outro momento, ou não, porque daí não seria esta viagem, teria sido outra. Esta é esta, aquela é aquela, e aquela não aconteceu, pronto. Let’s change the subject.

Será minha primeira vez em um avião com três fileiras de cadeiras, cada fileira com três cadeiras, o que faz com que este avião tenha nove fileiras de cadeiras. Ou melhor, de assentos. Avião tem assento, não cadeira. Já era hora de eu saber disso. Também será a primeira vez que ficarei mais de dez horas dentro de um avião, sobrevoando um oceano. Será a primeira vez que pisarei no Velho Mundo, aquele das aulas de história e dos filmes épicos. São tantas primeiras vezes que acho melhor parar por aqui.

Já ando pensando como e o que vou escrever quando voltar. Primeiro: pretendo me esforçar para deixar a pretensão de lado e escrever como uma boa turista de primeira viagem. Que é o que sou, for God's sake. Não posso querer escrever ou pensar como parisiense, praguense, muniquense, amsterdanense. Não tem jeito, serei mais uma brasileira deslumbrada a descobrir as maravilhas do outro lado do Atlântico, a contar centavos de euros pra ver se dá pra jantar naquele restaurante bacana, a invejar a vida europeia, o glamour de Paris, as cervejas alemãs, os telhados alaranjados de Praga, os cafés de Amsterdam. E serão tão poucos e breves dias em que tentaremos ver e fazer tudo o que pudermos, mas também tentaremos andar à toa pelas ruas, ouvir as línguas estranhas, observar as pombas nas praças, apontar para o lixo na rua e dizer "viu, viu! aqui também tem sujeira, não é só no Brasil". Ou não.

Seja como for, juro, prometo que vou escrever como uma iniciante, com todo o direito de errar, de falar a maior bobagem do mundo, a ponto de me acusarem de louca, de perguntarem "mas você esteve na mesma Paris que eu estive???". Porque a gente só consegue sentir um lugar, saber um lugar, depois de ir duas, três, muitas vezes. E mesmo assim (então não falei há poucos dias sobre minha incrível visão míope do Rio de Janeiro? então não versei sobre minha segunda vez em Búzios, dez anos depois?), nunca conheceremos, nunca saberemos como eles, como os que lá são o que eu sou aqui em Porto Alegre, e olhe que nem portoalegrense eu sou (que o digam os amigos guaibenses que se entristecem ou se ofendem ou me xingam ou só acham graça do meu menosprezo - a esses últimos, obrigada pela compreensão).

Então aqui estou eu, escrevendo pela primeira vez sobre a viagem que planejo há meses. Apenas cinco dias me separam dela. Minha lista de afazeres turísticos inclui muitas compras em freeshops e pontas de estoque europeias descobertas internet afora, porque sou mulherzinha até dizer chega. Mas inclui, sobretudo, sentir. Viver. Ver. Comer e beber, talvez não nessa ordem. Andar, me cansar, não entender, me perder, me encontrar. Falar inglês (detalhe: não vou a nenhum país de língua inglesa, God have mercy). Levar patada de algum francês mal-humorado. Me sentir cosmopolita uma vez na vida.
Sinto borboletas no estômago. Foi meu professor de inglês, o Marlo (que me ajudou a estar neste momento com a língua da aunt Elisabeth praticamente desenferrujada), quem me falou isso. Do you feel butterflies in your stomach? Sim, sinto. Muitas borboletas. Não dá pra fingir que é só mais uma viagem. It's big deal. Por mais piegas, por mais clichê que isso pareça, é a realização de um sonho.
Meu próximo post será, muito provavelmente, só em junho. É rapidinho. Vou ali e já volto.

Au revoir!

21 de out. de 2009

búzios: um lugar para voltar

Já faz algum tempo que a gente comenta sobre voltar aos lugares que gostou mais. Santa Catarina não conta, claro. Pra lá já voltamos várias vezes. Mas é que desde que começamos a viajar para mais longe, de avião, sempre avaliamos: com tanto lugar no mundo, será que um dia vamos vir aqui de novo?

Búzios foi o lugar que escolhemos para estrear nossos retornos (ah! Rio de Janeiro capital também não conta!). Não foi ao acaso: estivemos lá em fevereiro de 1999 e a viagem foi marcada por estreias: minha primeira vez num avião (Transbrasil, acredite), nossas primeiras férias fora da região Sul, a primeira viagem mais longa e longe. Naquela ocasião, dividimos as férias em duas: Guarapari (ES) e Búzios, sete dias em cada. A primeira semana não foi tudo isso. Carnaval, multidões, era quase como estar em Tramandaí. Mas Búzios tornou essa uma de nossas melhores férias.

Mais de 10 anos depois, em outubro de 2009, revisitamos a cidade que tanto nos encantou. O interessante (ou assustador) é perceber que as coisas mudaram um bocado, inclusive nós mesmos. Ora, eu tinha só 22 anos. E fui justamente escolher o meu aniversário de 32 pra voltar lá. No mínimo, faz pensar.

Uma coisa é certa: com mais grana é melhor ir a Búzios (Dã. Onde não é melhor ir com mais grana??). Há 10 anos éramos bem mais duros. Andávamos só a pé ou de ônibus. Escolhíamos a dedo onde iríamos comer, pra fugir dos careiros (o que não é muito fácil em Búzios). Dessa vez, deu pra aproveitar mais. Alugamos um carro e ficamos em Geribá, numa pousadinha lindinha chamada Bon Bini (longe das chiquérrimas, mas uma evolução em relação à simplinha de 1999). Até jantamos no tailandês Sawasdee, pra comemorar meu aniversário. Enfim, nada de esbanjamentos, só uns confortinhos a mais.

E o que eu achei de Búzios?

Eu amei Búzios. Queria morar em Búzios. Não poderia ter escolhido melhor destino para retornar.

Claro que tem defeitos, não é perfeita. Mas, de todos os lugares que já visitei, não tenho dúvidas de que é um dos melhores pra se passar as férias ou um feriadão. Um lugar que dá pra ficar um bom tempo, porque tem muita coisa pra ver e fazer. Búzios tem praias belíssimas e, ao mesmo tempo, aquele centro cheio de restaurantes ótimos, lojas descoladas e por aí vai. Junte o que tem de bom numa cidade grande com natureza e praias maravilhosas, e o resultado (ou um dos) será Búzios.

Nesses 10 anos, a cidade cresceu, mas não perdeu o charme. Ao contrário, a orla Bardot está muito mais linda (nem tinha esse nome na época), a Rua das Pedras está ainda mais badalada... e a mulherada cada vez mais chique! Sair à noite em dia de balada é uma verdadeira aula de moda. A montação é tanta que põe a Padre Chagas no chinelo. E sabe aquela dica que todas que foram a Búzios dão sobre não usar salto na Rua das Pedras? Eu a sigo religiosamente, mas tem muita mulher que não está nem aí e simplesmente usa seu MAIOR salto, sem medo de ser feliz (nem de cair ou de torcer o tornozelo). Quanta coragem!

O lado ruim do crescimento é que os morros estão apinhados de casas, mansões que interferem na paisagem e, claro, na natureza. É um problema real. Na Ferradurinha, por exemplo, tenho uma foto de 1999 do morro limpinho, só com o verde da mata. Hoje, tem um casarão cravado bem ali. Uma pena. Espero que isso não continue!

Sobre o tempo, estávamos esperando o pior. A previsão era péssima, tanto que levamos na mala dois vinhos e duas espumantes, já esperando ficar ilhados na pousada. Mas o milagre aconteceu. Tirando o primeiro dia (chegamos lá abaixo de muita água), o clima foi melhorando, melhorando, até os dias ficarem lindos e perfeitos. Acho que outubro é uma ótima época para estar em Búzios.

Pra não me estender mais, afinal ficar falando das coisas boas de Búzios não vai ser muito diferente do que tantos já disseram, essas são minhas dicas, recomendações, percepções:

- Geribá: tem muita gente que não gosta dessa praia, porque ela é extensa (mais de 2km), ao contrário da maioria das praias de Búzios, que são enseadinhas. Mas eu acho Geribá bem legal. A partir das 4, 5 horas da tarde, o sol reflete na água de um jeito especial, tem um brilho lindo. O banho é ótimo. Querendo ondas, é o lugar certo! (eu, criada nas praias do Rio Grande do Sul, sinto falta de ondas!). E a opção de se hospedar lá também foi boa. É longe e perto ao mesmo tempo. Mas tem que estar de carro, viu?

O brilho do sol na água é especial em Geribá!

Da varanda da pousada víamos a lagoa de Geribá

- Ferradurinha: perdeu um pouco da beleza com as várias barracas e mesinhas de plástico amarelas que se instalaram ali. Em 1999, havia nessa praia uma única barraca, a do seu Anastácio, um velhinho de quem compramos várias cervejas geladas. Até fotografamos seu Anastácio. Infelizmente, soubemos que ele morreu pouco tempo depois. Hoje, a filha dele toca o negócio, várias outras barracas vieram, e construíram uma casa no morro. Mudou, mas continua linda, aconchegante, convidativa. Não dá pra não ir.

Era melhor sem tanta mesa e cadeira de plástico...

A filha do seu Anastácio, outrora o único comerciante da praia, toca o negócio do pai


- Azeda e Azedinha: acho que são as mais famosas de Búzios, ainda mais agora com a novela do Maneca. São lindas mesmo, e o melhor, são bem perto do centro, acessíveis a pé. Só a Azedinha eu não consegui curtir muito, pois ela é tão pequenina que ficou difícil disputar um pedaço de areia e até de praia com tanta gente. E “tanta gente” não deve ser mais do que 30 pessoas. Na Azeda dá pra ver a pesca da sardinha e o vôo das gaivotas, que dão show. Bom de sentar e ficar o dia todo de bobeira, admirando tanta beleza.

Vindo da Azedinha tem-se essa vista da Azeda. Na praia, a pesca da sardinha


- Centro, Rua das Pedras, Orla Bardot: sem dúvida uma das melhores coisas de Búzios é a parte urbana. Caminhar na Orla Bardot (linda, linda, linda), babar nas vitrines, ir e vir na Rua das Pedras e na rua de baixo que agora não lembro o nome... uma delícia, pra quem gosta disso. É uma atração turística tão importante quanto qualquer praia. Um dos lugares mais concorridos da Rua das Pedras, a creperia Chez Michou - que frequentamos em 1999 - dessa vez não deu pra ir, tal era a muvuca. Mas não há de ser nada: o que não faltam são opções por ali. Capriche no modelito e vá balançar as tranças na rua mais charmosa do Brasil!

Prepare-se para bater perna e ver gente bonita :-)

Eu e Brigitte Bardot na orla que leva o nome da diva


- Sawasdee: o restaurante que escolhemos para comemorar meu aniversário é ótimo, com toda certeza, mas tenho uma reclamação a fazer: por que eles se acham no direito de cobrar 12% de serviço? Tudo bem, a diferença é pouca para os tradicionais 10%, mas não se trata disso. O atendimento é bom, a comida é boa, mas não é melhor do que tantos outros! Humpf, não gostei. Será que um dia poderemos dar gorjeta no Brasil de acordo com a qualidade do serviço, e não com o que o prestador de serviço ACHA que merece?

Isso aí foi antes de receber a conta com 12% de serviço


- Arraial do Cabo: nos decepcionamos um pouco, mas é que não tivemos muita sorte. Fomos no dia do feriado (sinônimo de muvuca) e o dia estava muito, mas muito ventoso. Optamos pelo passeio de barco até uma praia que não pode ser acessada de outra maneira e que é protegida pela Marinha. Para chegar lá, enfrentamos um mar muito agitado. Pavor! Pela primeira vez tive medo de estar em um barco. Tiramos belas fotos, é realmente lindo, mas não consegui relaxar. E como em todo passeio desse tipo, a maior roubada ainda nos aguardava: o tal restaurante flutuante onde todos os barcos despejam os turistas. É tão feio que não merece a visita. Apesar da sensação de dia meio perdido, é aquilo: fui, vi, não me apaixonei, mas tente um dia me convencer a voltar. Se não tiver nadica de vento, penso no caso.

Dá pra notar o pavor por trás das latinhas?

Me achando Tieta do Agreste

A conclusão da viagem é que quero voltar a Búzios muito mais vezes, um dia quem sabe alugar uma casa e ficar por lá um mês inteirinho. Estou perdidamente apaixonada. Nem sei se consegui demonstrar isso nesse post, acho que não, fiz meio na corrida. Mas pode ter certeza que, aqui dentro, meu coração bate mais forte por esse lugar.

8 de fev. de 2009

sobre as férias

Voltar de férias até é bom, mas também é meio complicado. Primeiro, a gente se deu conta de que foram curtas demais. Mal começou, já estava no fim. Decidimos que é a última vez que tiramos férias tão curtas. 14 dias, no mínimo. Pra desligar mesmo.

Segundo, a gente se acostuma mal. 10 dias sem preocupações domésticas. Sem lavar louça. Sem hora pra dormir ou levantar. Sem domingo ou segunda-feira. Tomando cafés-da-manhã homéricos. Abrindo os trabalhos antes do almoço. Comendo camarão dia sim, outro também. Por essas e outras que a volta à rotina costuma ser tão traumática.

Quero muito escrever mais sobre as férias, contar e mostrar os lugares que conhecemos, as coisas boas e ruins, as quentes e as frias. Mas ainda não tive tempo pra isso. Consegui pelo menos colocar as fotos no Orkut, pra saciar a curiosidade dos amigos. Eu não me contentei em voltar à rotina, já fui logo arrumando um monte de coisas extras pra fazer. Curso de Arquitetura de Informação na Perestroika, retorno à ginástica 3 vezes por semana, aula de violão... e vem mais por aí, 2009 será um ano de muitas metas a serem atingidas.

Enquanto preparo o superpost sobre a viagem, deixo essa prévia com algumas fotos legais.

Praia de Tatuamunha, litoral Norte de Alagoas (Rota Ecológica)

Coqueiral visto do mirante da Praia do Gunga, litoral Sul de Alagoas

Praia da Barra de São Miguel, litoral Sul de Alagoas

Praia de Carneiros, litoral Sul de Pernambuco

14 de jan. de 2009

mar azul-calcinha me espera nas alagoas

Já estou naquele ponto que só penso nas férias que se aproximam. O Fredo não para de montar roteiros, faz dois ou três por dia, anotando tudo em folhas de caderno. Já sabe decor as praias, as barbadas, as dicas quentes e as frias que cercam qualquer viagem turística.

Dessa vez vamos desbravar o litoral alagoano. Não inteirinho, é verdade, mas a melhor parte, a mais selvagem, apelidada de Rota Ecológica por nosso guru Ricardo Freire. A viagem também vai incluir uma boa parada em Carneiros, ainda em Pernambuco, e, claro, em Maceió, porque (quase) sempre é preciso um pouquinho de urbanidade.

Nossas expectativas são altas, enormes. E acho que não têm como não serem atendidas. Acho até que essa tem tudo pra ser a melhor viagem das nossas vidas. Com chances, inclusive, de superar Fernando de Noronha. Afinal, Noronha é um paraíso pequenininho, com diâmetro e atrações limitados, bem diferente da diversidade que encontraremos em Alagoas. Alguns dirão "menos, Fernanda, menos". Eu prefiro pensar que a próxima viagem será sempre a melhor.

Esse período pré-férias é legal porque dá um friozinho na barriga. Tem que lembrar de tudo, comprar o que falta, marcar manicure, depilação, tudo tem que ser feito no momento certo pra nenhum imprevisto atrapalhar a viagem. Adoro. Esse ano eu até resolvi fazer um bronzeamento a jato pra não chegar tão albina no Nordeste. Isso sem falar na superdieta que comecei rigorosamente depois do feriado de ano-novo.

Tudo pra sair bem na foto. Afinal, vamos combinar: pra sentar naquela cadeirinha ali, tem que dar um trato no visual antes, né? Pra não destoar tanto da paisagem.

Piscina da pousada Borapirá, onde nos hospedaremos na Rota Ecológica, litoral Norte de Alagoas.

22 de jul. de 2008

o bloco, a dercy e os videntes


Eu passei um momento muito legal bem pertinho da Dercy Gonçalves. Ela era a homenageada do Bloco da Galinha do Meio no carnaval de 2007 e vinha saracoteando em cima do caminhão com pinta de trio elétrico. E eu, contagiada pelas marchinhas, pelas várias cervejas e pelo pique da velhinha, pulei com vontade nas ruas de Ipanema.

Foi um dos momentos mais divertidos de uma das melhores férias da minha vida. A cena era surreal: a Dercy ali, sambando, hora em pé, hora sentada, e visivelmente feliz. Já eu, pra lá de bagdá, ao som de Alá Meu Bom Alá, aproveitei horrores. A foto não me deixa mentir. Estão vendo Dercy ao fundo?

Videntes, nós?
Não vou nem contar em detalhes a conversa que o Fredo e eu tivemos horas antes de ela passar dessa pra melhor. Mas resumindo, a gente comentou quando será que a Dercy ia morrer, que ela parecia eterna e que seria engraçado ver o William Bonner anunciar no Jornal Nacional que, "aos 115 anos, morre Dercy Gonçalves".

Bom, ela não morreu aos 115 anos e não foi o Bonner quem deu a notícia, mas ela se foi na tarde daquele sábado. Uuuuiii... Não quero nem pensar no que isso significa.

Descansa em paz, Dercy!