Antes do final do primeiro tempo, já 1x0 para os são-paulinos, resolvi ir pra cama, não para dormir, mas para ler. Em dia de jogo importante passando na TV aberta, me senti uma pessoa única, no sentido de ser a única pessoa do mundo (ou de Porto Alegre e de São Paulo) a estar na cama de pijamas lendo um livro. Quantos estariam na mesma situação que eu? Chuto que bem poucos. Peguei o calhamaço de contos brasileiros e reli um da Clarice Lispector. É sempre bom reler Clarice, pra ter certeza.
Quando começou o segundo tempo, fiquei tentando adivinhar o que se passava. Não é difícil, basta interpretar os sons que vêm da rua. Um vizinho gritou desafinada e desesperadamente, e seus gritos foram seguidos de buzinas, vuvuzelas e muitos outros gritos. Gol do Inter. Instantes depois, não foi tão fácil de entender. Mais gritos, o desespero do mesmo vizinho, mas era um desespero diferente. Achei que pudesse ser rescaldo do primeiro gol, mas eis que o Fredo se abala da sala ao quarto para me transmitir as boas-novas: 2x1 para o São Paulo. Não era suficiente, mas bastava um golzito para tirar os colorados da final da Libertadores. Comemorei timidamente de baixo dos edredons e disse então tá, acho que vai rolar.
Silêncio. Olhos pesados. Guardei o livro, desliguei o abajur e deixei o sono me levar. Não demorou para o Fredo vir juntar-se a mim. E aí?, perguntei, semidormindo. Ficou em 2x1. Tsc, tsc, tsc. São Paulo incompetente. Sempre perde pros gaúchos, afinal. Boa noite.
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6 de ago. de 2010
7 de dez. de 2009
um livro que me fez sonhar
O post sobre mulheres e futebol foi o centésimo do blog e eu custei a tomar coragem de escrever o centésimo primeiro. Porque sei lá, parecia que um ciclo tinha se encerrado, nem sei de quê, eu entrava no editor do blog e ficava olhando aquele número, 100 posts publicados nesse blog que pouca gente lê, mas que eu não consigo largar porque adoro escrever e, como já disse antes, não me importo de escrever pra mim mesma, pelo menos enquanto não encontro tempo de me dedicar a sério (se é que vou um dia).O que finalmente me encorajou a escrever o centésimo primeiro post foi o livro que li nesse final de semana, Mulher de um homem só, do Alex Castro. Breve histórico: acompanho o blog LLL há algum tempo, só como leitora mesmo, nunca participei das polêmicas que ele enseja a cada post publicado. Eu só me divirto com as coisas que o Alex escreve. Às vezes concordo, às vezes discordo (é impossível ficar indiferente), mas acima de tudo eu adoro as coisas e, principalmente, o jeito que ele escreve.
Então ler um livro dele seria algo natural, não? Nem tanto, eu custei a decidir comprar o livro. Levei alguns meses. Bem sinceramente, a promoção de final de ano a 25 reais foi fundamental. Não que não valha mais, mas eu adoro uma promoção, compro quase tudo que tenho na liquidação, do sapato à máquina de lavar roupa, e com livro não é diferente. Foi um puta incentivo. Mas deixemos esses assuntos mundanos pra lá.
O livro atrasou dois dias e, quando chegou, eu brinquei que aquilo era uma carta dizendo que eu tinha que retirá-lo no correio ou algo assim. Porque ele é minúsculo. Fiquei meio decepcionada, mas não quis julgar pela embalagem. Naquele dia mesmo, fui andando pra casa e no caminho li as primeiras páginas. Cheguei em casa sorrindo, bom sinal.
Well, muito já se disse sobre Mulher de um homem só. Não sei mais em que eu poderia contribuir. Só lamento ter lido tantas coisas a respeito do livro antes de lê-lo: eu quase já tinha sacado a história (quase, na verdade só lendo mesmo pra saber), depois de tantas resenhas, elogios e críticas. Não foi uma leitura muito isenta. Mesmo assim, me atraiu do início ao fim, e já estou querendo ler de novo pra ver se capto outras nuances que, acho, me passaram meio despercebidas.
Terminei de ler durante o jogo de Grêmio X Flamengo, para o qual nem dei bola (e nem precisava, anyway). Ao acabar, fiquei burilando várias coisas: o quanto tenho (e não tenho) em comum com Carla; o quanto Murilo é chato, um mala mesmo, nunca me casaria com um cara assim (embora ele seja praticamente um coadjuvante, não dá pra conhecê-lo de verdade); que eu fiquei com uma tremenda vontade de conhecer a Júlia melhor, acho que ela é uma injustiçada, uma incompreendida que precisa de análise urgente, terapia nela djá!; e que a Carla é paradoxal, porque o livro começa mostrando uma guria toda moderninha, tipo "à frente de seu tempo", e no decorrer da história ela se mostra bem conservadora e antiquada. E tão ou mais louca quanto Júlia.
Sonhei essa noite inteirinha com Mulher de um homem só. Não foi um sono tranquilo, não. Foi quase uma noite de insônia. Mexeu com a minha cabecinha de mulher de um homem só. Meu lado Carla e meu lado Julia ficaram ali se afrontando. Fazia muito, mas muito tempo que um livro não me tirava o sono assim.
25 de fev. de 2009
cinema, liquidação ou como preencher um feriado de carnaval
De volta ao trabalho depois de quatro dias de "folia". Que, para mim, traduziram-se em filmes na TV, no DVD e no cinema (O Curioso Caso de Benjamin Button, very good entertainment), muita comida e bebida (verdadeiro regime de engorde!) e compras.
Aliás, não posso deixar de comentar: VIVA O LIQUIDA PORTO ALEGRE EM PLENO CARNAVAL DE SHOPPINGS VAZIOS. Sou a mais feliz nova dona de três lindas sapatilhas Paradoxo que me saíram pela barbada de 33,33 reais cada uma. E de um jeans M.Officer pela bagatela de 79 reais. Aaamo liquidação.
Livros novos também entraram em casa no feriado. Um best-seller do tipo "must read" (O Caçador de Pipas a 16,90... não resisti), um do uruguaio Eduardo Galeano que eu não lembro o nome, mas que parece ser muito bom, e mais um guia de Paris - que é o que de mais concreto conseguimos fazer enquanto nossa sonhada viagem à Europa se torna cada vez mais remota. Acho que, com muita reza braba, em 2010 ela sai.
By the way, na segunda-feira eu fui a prova viva do que uma simples compra no shopping pode fazer por uma mulher, principalmente quando os produtos adquiridos forem sapatos. Como explicar a sensação? Saí da loja agarrada à sacola como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo, ou como uma mãe com seu bebê saindo da maternidade... Para aqueles que me entendem, não resisti e fotografei as belezinhas já no meu guarda-roupa, totalmente MINHAS. Vai dizer que não são as coisas mais fofas do mundo?
Cute!
28 de out. de 2008
quando um livro é bom (Travessuras da Menina Má)

Quando leio um livro bom, me dá uma felicidade... acho que falei coisa parecida em outro post. É que não posso me furtar de comentar sobre o último livro que devorei, digo, li. A Americanas.com me entregou em tempo recorde os três títulos encomendados - um deles, sobre lendas da mitologia grega, foi de presente para meu sobrinho de 9 anos, a pedido dele. Não é um fofo? - e eu peguei para ler na mesma hora Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa. Há tempos queria ler algo deste peruano, que eu vim a descobrir, lendo a orelha do livro, que chegou a ser candidato a presidente de seu país. Perdeu para o tirano Fujimori. Daí dá pra entender as críticas que permeiam a narrativa de "Travessuras ".
Não vou fazer um resumo do que li - há críticas e resenhas aos montes na web -, mas ao desafortunado que ainda não teve a oportunidade de conhecer a história da menina má e do bom menino, quero apenas deixar aqui a minha mais entusiasmada recomendação. É uma jóia rara. Provoca no leitor uma verdadeira catarse, é possível sentir as emoções dos personagens, de tão reais e humanos que são. Uma história de amor às avessas que daria um filme daqueles. Aliás, não posso acreditar que ninguém tenha pensado nisso ainda. Por via das dúvidas, melhor ler antes que Hollywood estrague a surpresa.
Comprei Travessuras da Menina Má influenciada por um título delicioso e por um escritor renomado de quem nunca tinha lido nada. Decisão impulsiva, porém acertadíssima. Estava mesmo precisando de um aperitivo pra me abrir a fome. Às vésperas da Feira do Livro de Porto Alegre, estou louca pra devorar tudo o que vier pela frente.
13 de jun. de 2008
saudade dos livros e do rio de janeiro
Eu tenho saudade dos livros que leio. Quando termino um, me dá um aperto, fico com aquele olhar vago, um sorriso pequeno. Fico pensando se não era de ler tudo de novo.Se o livro era emprestado, então... ler o livro dos outros é ótimo por um lado, mas, ao devolver (eu tenho essa mania de devolver), fico me sentindo meio órfã, com uma vontade louca de não me desfazer dele. Fico pensando se não é de comprar o livro só pra tê-lo por perto.
Os últimos que me arrebataram foram um generoso empréstimo da Mimi, ambos do Ruy Castro: 'O Anjo Pornográfico', a biografia do Nelson Rodrigues, e 'Ela é Carioca', a enciclopédia do bairro carioca de Ipanema. Além de ter ficado fã do Ruy, que tem um texto incrível, eu também virei fã do Nelson, esse cara que eu conhecia tão pouco, mas de quem agora me sinto íntima.
Ler 'Ela é Carioca' veio bem a calhar. É que eu vou para o Rio de Janeiro na semana que vem. Vou pro Rio!!! Isso merece muitos pontos de exclamação. Fizemos uma compra por impulso - quem resiste a uma promoção da Gol com trecho a 1 real?
Como agora eu me sinto mais íntima de Ipanema do que nunca, vou lá dar uma conferida nas coisas que aprendi com o Ruy Castro. Pena que muita coisa já não existe mais. Mas vou lá matar a saudade mesmo assim, do ontem e do hoje.
E em homenagem ao meu inesperado final de semana no Rio de Janeiro, um pouquinho do carioquíssimo e ipanemense Tom Jobim. Só porque eu vou pousar no Galeão. E porque estou, sim, morrendo de saudade.
Samba do Avião
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar, praias sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar
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