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9 de out. de 2010

batendo o cartão-ponto e tirando o mofo

Estou de malas prontas para o Rio de Janeiro. O voo sai em menos de duas horas. Estou em casa ainda, terminando as arrumações, vou antes almoçar, e então ir para o aeroporto. Resolvi sentar aqui rapidinho pra escrivinhar qualquer coisa. Há anos, pelo menos uma vez por ano, bato o cartão-ponto no Rio de Janeiro. Nem que seja um final de semana, um feriadinho qualquer. Sempre volto bem de lá. Espero dessa vez voltar muito bem. Arejada. Vou lá tirar o mofo, sentir o ar da primavera que ainda não deu bem as caras aqui nos pampas. A previsão promete tempo parcialmente nublado. O que, do sudeste pra cima, normalmente significa muito sol e nuvens dando uma trégua de vez em quando. Pra mim, não tem clima melhor. A minha brancura é tanta, mas tanta, que não sei se vou ter coragem de ir à praia. Vou ter que comprar um protetor fator 450. Se existisse. Vou dar uma caminhada na areia, claro. Um mergulho também, não resisto, amo entrar no mar. O biquini está na mala, assim como duas cangas. E as havaianas, as rasteirinhas, as blusinhas, os vestidinhos e as sainhas. Tudo tirado lá de cima do armário, porque ainda não deu pra fazer a tradicional troca, os blusões e casacos permanecem ao alcance da mão, enquanto as roupas de meia-estação e de verão, só subindo no mocho. Dessa vez, vou conhecer Niterói e Vila Isabel, dois passeios diferentes, novidades. E vamos à Lapa, claro. E conhecer o Bip Bip, famoso boteco de Copacabana com três mesas e nenhum garçom, mas com um clima espetacular, dizem. Depois, se der vontade, conto tudo. Para meus dezessete leitores. Bom feriado.

8 de abr. de 2010

deixa assim

Capital da violência ou paraíso tropical? Clichês à parte, o Rio de Janeiro me encanta tanto que chega a doer. Sonho com o dia em que poderei financiar no mínimo uma longa estada por ano na cidade. Enquanto isso, vou vivendo das memórias de cada segundo que lá passei. E fico esperando ansiosamente pela próxima promoção de companhia aérea.

O Rio, por si só, já é um clichê. Não é a imagem automática que todo estrangeiro tem do Brasil? A cidade maravilhosa entoada em mil versos? O cartão postal capaz de representar um país inteiro? Pensando assim, dá até pra dizer que todo brasileiro é um pouco carioca!

Se o Rio é o próprio clichê, é também a mais pura contradição. É onde muitos querem estar, e de onde tantos querem fugir. É onde o pobre tem vista para o mar e o rico vive atrás das grades. Abriga a intelectualidade da Zona Sul e a futilidade da Barra da Tijuca.

Visão deturpada? Estereotipada? É provável que sim. Cariocas, não se zanguem! Não passo de uma turista. Até tento parecer nativa, mas o desbotado da pele e o sotaque sem chiados me denunciam em segundos. Não tenho a pretensão de descrever o Rio dos cariocas, mas sim o de uma visitante esporádica. E cegamente apaixonada.

Mas e se eu me mudasse pro Rio? Bom exercício. Adoro me imaginar vivendo nos lugares que visito. E todas as vezes em que estive no Rio, essa imagem quase se materializou diante de meus olhos.

Eu moraria em Ipanema. Também poderia ser no Leblon. Numa daquelas ruas transversais às avenidas. O prédio teria grades e segurança. Mas, uma vez do lado de fora, eu estaria livre, a poucos passos da orla. Eu seria bronzeada e sarada, afinal, me exercitaria todas as manhãs no calçadão e na praia. Nos finais de tarde, iria com as amigas a um boteco pé-limpo e tomaria chope da Brahma. Nos finais de semana, me remelexeria nas casas de samba da Lapa.

Você dirá: não é bem assim. E eu direi: ESSE é o Rio que me dói. Assim é o Rio das minhas lembranças. Não estrague meus sonhos. É desse Rio que eu quero sentir saudades. Então, fazendo o favor, deixa assim.
***
Este texto foi originalmente escrito a mão, no dia 31 de março de 2010, na aula de Leitura e Produção Textual da Faculdade de Letras da PUCRS. Depois da correção e das pertinentes considerações da professora Jocelyne Bocchese, ele foi revisado e adaptado para melhor se enquadrar aqui no blog.
Poucos dias depois, chuvas implacáveis caíram sobre o Rio de Janeiro, fazendo centenas de vítimas. No noticiário, o Rio e as cidades do entorno são cenários desoladores. Por isso, achei que seria um bom momento para publicar o texto. O Rio de hoje - 8 de abril de 2010 - não é o que eu quero guardar na memória, mas é o que está precisando de ajuda. Força a todos os cariocas e fluminenses.

30 de nov. de 2008

um boteco porto-alegrense, por favor?


Apreciadora de botecos como sou, peno por morar numa cidade como Porto Alegre. Além de dispor de pouquíssimas opções, ainda tenho que agüentar os pretensos "botecos cariocas" pipocando pela cidade. Tudo bem que é uma benção poder tomar um bom chopp Brahma sem quebrar a cabeça para lembrar onde ir para matar a vontade. Mas é dose ir num bar que se diz "carioca" com leão-de-chácara na porta anotando o nome dos clientes em uma comanda (isso às 5 horas da tarde!!) e garçom querendo empurrar um novo chopp quando ainda tem 1/3 de líquido no meu copo. Esse pessoal acha que é só botar umas frases espertinhas ou letras de clássicos do samba na parede (o Nito fez isso há muito tempo), um DVD de pagodão a tocar, escondidinho de camarão no cardápio e um bando de garçons mal treinados enfiando chopp goela abaixo para se autoproclamar "boteco carioca".

Menos, bem menos. Por que não tentam encontrar a essência do que poderia ser um típico boteco porto-alegrense, ao invés de ficar tentando imitar o estilo dos outros? Não vão chegar perto nunca. Era preciso estar a bem menos quilômetros do litoral, era preciso muito mais simpatia, muito mais chiado e empadas de camarão com catupiry, sem falar na carta de cachaças, que ninguém ainda pensou em oferecer. Me parece tudo tão falso, tão forçado, tão mal copiado, que dá um desânimo.

Mas enfim, nem tudo é tragédia. O Natalício, que fica na divisa entre o Centro e a Cidade Baixa, até consegue impor uma certa autenticidade. Ali toma-se um ótimo chopp a bom preço e come-se petiscos dignos dos bons bares cariocas. Ontem me arrisquei num pedido inusitado: uma coxinha de galinha, sem igual em Porto Alegre, segundo eles. E estão certos. Enorme, sequinha, a massa tipo "risólis do Limuta" (é preciso ser guaibense e ter mais de 30 anos pra entender), bom mesmo. O escondidinho é outra excelente pedida, e o sanduíche de filé com gorgonzola também. O segredo é mostrar desde o início quem manda: diga ao garçom que ele só deve servir um novo chopp quando você pedir. Aí é só curtir.

O que decepcionou mesmo foi o tal Dona Neusa, que ocupa a casa onde por tantos anos funcionou o Cult (que se mudou para o Moinhos). No pouco tempo que ficamos lá, quiseram nos enfiar um chopp com 2/3 de colarinho (sem colarinho não dá, mas só espuma também não, né?), acharam ruim quando pedimos para trocar e já vieram nos empurrando chopp quando não tínhamos terminado os nossos. Lá dentro estava rolando um samba ao vivo, mas para entrar era preciso passar por um detector de metais. Isso às 5 da tarde. Pode? Nem no Rio, a terra do tráfico de drogas e de armas, das favelas e das balas perdidas, existe isso. Deprimente. Possivelmente daremos uma nova chance ao Dona Neusa, talvez à noite, quando parece mais propício a uma badalação. Mas a primeira impressão foi péssima.
Em suma, tudo o que eu queria era ir num bom boteco porto-alegrense em Porto Alegre, num bom boteco paulista em São Paulo, num bom boteco carioca no Rio, e assim por diante. Parem de ficar copiando (mal) e criem, façam algo autêntico. Mas com chopp Brahma, se não for pedir muito.

22 de jul. de 2008

o bloco, a dercy e os videntes


Eu passei um momento muito legal bem pertinho da Dercy Gonçalves. Ela era a homenageada do Bloco da Galinha do Meio no carnaval de 2007 e vinha saracoteando em cima do caminhão com pinta de trio elétrico. E eu, contagiada pelas marchinhas, pelas várias cervejas e pelo pique da velhinha, pulei com vontade nas ruas de Ipanema.

Foi um dos momentos mais divertidos de uma das melhores férias da minha vida. A cena era surreal: a Dercy ali, sambando, hora em pé, hora sentada, e visivelmente feliz. Já eu, pra lá de bagdá, ao som de Alá Meu Bom Alá, aproveitei horrores. A foto não me deixa mentir. Estão vendo Dercy ao fundo?

Videntes, nós?
Não vou nem contar em detalhes a conversa que o Fredo e eu tivemos horas antes de ela passar dessa pra melhor. Mas resumindo, a gente comentou quando será que a Dercy ia morrer, que ela parecia eterna e que seria engraçado ver o William Bonner anunciar no Jornal Nacional que, "aos 115 anos, morre Dercy Gonçalves".

Bom, ela não morreu aos 115 anos e não foi o Bonner quem deu a notícia, mas ela se foi na tarde daquele sábado. Uuuuiii... Não quero nem pensar no que isso significa.

Descansa em paz, Dercy!

23 de jun. de 2008

ressaca carioca (agora com fotos)

Putz, tô mesmo na maior ressaca, o corpo pedindo uma noite bem dormida. Porque passar só o final de semana no Rio de Janeiro vale a pena, mas caaaansa! Cada minuto é precioso e dormir é a maior perda de tempo.

Praticantes do "botecoturismo" como somos (créditos: meu amigo Romualdo cunhou este termo no verão de 2003, durante nossas primeiras férias cariocas. A-DO-RO!), não deixamos por menos. Fomos a todos os nossos prediletos: Informal, Belmonte, Bracarense, Jobi, Conversa Fiada, Devassa. Em todos eles, nós - óbvio - bebemos e - nem tão óbvio - comemos. Empada de camarão, escondidinho, carne de sol desfiada com cebola, pizza... O resultado é uma sensação que mistura culpa e felicidade.

A noite de sexta foi na Lapa, do jeito que eu gosto: boteco, chope, cachacinhas e comidinhas, especialmente empadas, muitas empadas! De camarão com catupiry, claro. Tava um tumulto digno da mais movimentada noite da Cidade Baixa. Data esta que, certamente, não seria 20 de junho.

Na mesinha de calçada do Antonio's, na Lapa

No Rio, o primeiro dia do inverno veio abençoado pelo sol e por um calor de mais de 30 graus. Nosso sábado começou com o pitoresco passeio de bonde pelo bairro de Santa Teresa. No início deu medo, principalmente quando ele passou por cima dos arcos da Lapa. Falando sério: aquilo ali não respeita regras mínimas de segurança. Tem que fazer vista grossa mesmo e pensar que todos os dias milhares de pessoas andam no veículo, especialmente gringos, e se algum já tivesse morrido, teria dado no Jornal Nacional. Então não vai ser contigo que vai acontecer uma tragédia, né?

Vai por mim, é melhor pensar assim e fazer o passeio. Daí é relaxar e se divertir com os moradores que andam dependurados no bonde. O bairro é uma graça, tem um quê de Pelourinho e de favela... até comprei uns trecos numa lojinha supercharmosa! E almoçamos na Adega do Pimenta, um simpático restaurante alemão.

O Fredo no bonde de Santa. Parado, obviamente

Não era permitido fotografar esse armazém de
Santa... mas eu só descobri isso depois

Pra quem pensa que esta que vos escreve só gosta de pé sujo, chope e cachaça, nosso final de semana teve um momento chique. Os amigos Eti e Cadu nos levaram ao restaurante do Jockey Clube no sábado à noite. Excelente pedida, só que tem que ser sócio, dá licença? Nos divertimos horrores e depois ainda esticamos no Conversa do Leblon. Companhia agradável, comida boa, bebida idem... o que mais poderíamos querer?

E o domingo foi um delírio. Botecoturismo na sua mais profunda essência. Com direito a jogo do Grêmio (3x0 no Atlético-PR de pênalti!), afinal, não tinha nenhum time carioca jogando naquela hora e o garçom era legal. Por tudo isso, minha segunda-feira foi, digamos, quase inútil. Mas lavô, tá novo.

Entre as diversas excentricidades do Rio, quero destacar duas:
1) Em que lugar do Brasil tu escuta "uuuuuuh" ou “gooool!!!” durante um jogo entre Holanda e Rússia? No Rio. Foi engraçado ver os gringos torcendo por suas seleções na Eurocopa. E o Fredo até encontrou um alemão que trabalha no ramo de aço da ThyssenKrupp (torcendo pra Espanha, eu hein?). Colega!
2) Carioca estaciona na calçada como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Pedestre que se dane, ande na rua, perigando ser atropelado. Não gosto, acho o cúmulo da falta de civilidade. Calçada é feita pra andar! Só espero que essa moda não pegue.
P.S.: de novo não rolou meu encontro com o Chico... Incrível o nosso azar, ele nunca está no Rio quando eu vou pra lá... aposto que foi pra Paris. Someday, someday...

13 de jun. de 2008

saudade dos livros e do rio de janeiro

Eu tenho saudade dos livros que leio. Quando termino um, me dá um aperto, fico com aquele olhar vago, um sorriso pequeno. Fico pensando se não era de ler tudo de novo.

Se o livro era emprestado, então... ler o livro dos outros é ótimo por um lado, mas, ao devolver (eu tenho essa mania de devolver), fico me sentindo meio órfã, com uma vontade louca de não me desfazer dele. Fico pensando se não é de comprar o livro só pra tê-lo por perto.

Os últimos que me arrebataram foram um generoso empréstimo da Mimi, ambos do Ruy Castro: 'O Anjo Pornográfico', a biografia do Nelson Rodrigues, e 'Ela é Carioca', a enciclopédia do bairro carioca de Ipanema. Além de ter ficado fã do Ruy, que tem um texto incrível, eu também virei fã do Nelson, esse cara que eu conhecia tão pouco, mas de quem agora me sinto íntima.

Ler 'Ela é Carioca' veio bem a calhar. É que eu vou para o Rio de Janeiro na semana que vem. Vou pro Rio!!! Isso merece muitos pontos de exclamação. Fizemos uma compra por impulso - quem resiste a uma promoção da Gol com trecho a 1 real?

Como agora eu me sinto mais íntima de Ipanema do que nunca, vou lá dar uma conferida nas coisas que aprendi com o Ruy Castro. Pena que muita coisa já não existe mais. Mas vou lá matar a saudade mesmo assim, do ontem e do hoje.

E em homenagem ao meu inesperado final de semana no Rio de Janeiro, um pouquinho do carioquíssimo e ipanemense Tom Jobim. Só porque eu vou pousar no Galeão. E porque estou, sim, morrendo de saudade.

Samba do Avião

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar, praias sem fim
Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
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