20 de set. de 2008

maré de sorte

Consegui. Depois de praticamente me conformar de não ir ao show da Adriana Calcanhotto, apelei para o improvável: a piedade da produção dela. E não é que deu certo? Pois é. Mandei um e-mail e contei toda a minha história triste (e verdadeira) que me impediu de acessar o site do Poa em Cena ou de chegar no Gasômetro a tempo de comprar os ingressos.

Logo no outro dia veio a resposta. Eu deveria ligar no dia 18 para uma outra pessoa que talvez pudesse me conceder dois convites. Fiquei empolgada pelo simples fato de ter recebido aquele e-mail, embora achasse difícil que alguma coisa saísse dali. Mas não ia deixar de tentar, é claro. Liguei no dia combinado e me pediram para ligar de novo no dia seguinte, pois ainda não era possível saber se haveria convites disponíveis. Quando liguei, pasmem: "ok Fernanda, vá lá hoje, me liga às oito e meia que eu digo pra você onde os convites vão estar". CARACA! Eu estava na lista de convidados da Adri. Um envelope com o meu nome e dois ingressos dentro me esperava. Primeira fila da platéia alta.

Não sei o que dizer do show. Apenas que está no meu Top Five. Que foi divino. Que Adriana Calcanhotto é um ser superior, não é desse mundo. É deusa. E também que ela cantou uma música do Guilherme Arantes. Ela também! Eu cantei Coisas do Brasil. Ela cantou Meu Mundo e Nada Mais. Nós duas cantamos Guilherme Arantes no mesmo dia. Temos, afinal, algo em comum.

Esse episódio só reforça alguns ditos populares, como "a esperança é a última que morre", "quem espera sempre alcança", "sou brasileiro e não desisto nunca". E me deu também um alento. Minha performance ontem no sarau deixou a desejar. Fiquei extremamente nervosa e as coisas não saíram tão bem quanto nos ensaios. Fiquei desapontada. Mas não vou desistir nem me deixar abater. Vou seguir em frente nas coisas que gosto. Mesmo que não importe pra mais ninguém. Mesmo que seja só pra mim.

A foto ali em cima é de Fernanda Chemale / Divulgação PMPA.

16 de set. de 2008

cantar pra quê?

Essa semana estou me preparando para fazer algo muito legal. Minha professora de canto, Karine Cunha, e o marido dela, Marcos Bonilla, vão promover um sarau de canto e violão na Palavraria Livraria e Café, ali na Vasco da Gama. Vai ser uma espécie de despedida deles, que estão indo passar uns meses no Nordeste para fazer shows e mostrar o excelente trabalho que desenvolvem como músicos.

E eu, aspirante a reles mortal que canta, estou ensaiando (menos desesperadamente do que na época do casamento da Fê e do Ricardo, é verdade) umas músicas para apresentar aos convidados. Serão 3,3 músicas, isso porque serão três inteiras e 1/3 de outra, já que dividirei os vocais com outras duas alunas.

Estou ansiosa, mas até que nem tanto. Acho que sempre esperei por um momento desses, de tanto que gosto de cantar. Chega uma hora que cansa ficar cantando só no chuveiro. Ainda mais depois de quase dois anos de aulas. A evolução é visível, ou audível. É claro que continuo sendo uma reles mortal, mas uma reles mortal afinadinha.

O fato é que cantar - bem ou mal - me faz bem. Hoje, ouvir minha própria voz me faz bem. Antes eu tinha vergonha, não cantava alto, não sabia se podia, se conseguiria. Agora não, sei que posso fazer uma porção de coisas. Ainda tenho os diabinhos que me acompanham, que me impedem de, às vezes, alcançar as notas que eu sei que alcanço, ou de sustentar uma nota por mais tempo, ou de ter ar suficiente pra cantar uma frase até o fim... mas aos poucos estou superando isso.

Aí eu (e muita gente que sabe que eu faço - e pago! - aulas de canto) me pergunto: pra quê? Não, não pretendo virar cantora. Too late. Não sei se essa pergunta tem resposta. É como tentar explicar porque eu tenho esse blog. Quem o lê? Não faço muita idéia. De vez em quando alguém comenta alguma coisa. Mas a audiência é bem pequena. Mais ou menos como cantar: minha platéia mais freqüente é o Fredo, que não tem pra onde fugir, e a minha professora. Nessa sexta-feira, mais algumas pessoas vão poder conferir esse "talento" que eu tento desenvolver.

Continua sem resposta... Pode ser só "porque eu gosto"? Acho que sim, né? É como escrever o blog. Adoro escrever. Eu trabalho escrevendo, só que pros outros. Aqui, eu escrevo pra mim, é um exercício. Lidos ou não, esses textos retratam meus bons e maus momentos e registram coisas sobre mim, hoje e no futuro. E servem para melhorar meu português, meu vocabulário, minha escrita.

Cantar é um pouco assim. Hoje eu ouço música de outra forma, meu ouvido está muito mais seletivo. Estou musicalmente mais inteligente, não sou mais uma mera ouvinte. Me sinto mais próxima dos artistas que admiro, entendo-os melhor.

O próximo passo é aprender a tocar violão... mas pra quê? Ah, essa resposta é bem mais fácil: pra eu poder me acompanhar, ora! Pra não depender dos outros e poder cantar a qualquer hora, em qualquer lugar...

Humm, acho que arrumei mais uma atividade extra.

7 de set. de 2008

a tabela


O Fredo ultimamente anda hipnotizado pela tabela de classificação do campeonato brasileiro. É impressionante o fascínio que essa tabela exerce sobre ele. São horas olhando pra ela, seja na tela do computador, seja na TV. A casa fica toda silenciosa, nem um zumbido: é o Fredo analisando os números, fazendo cálculos, tentando prever quem sobe, quem desce... É ele e o Oswald de Souza.

Engraçado é que isso nunca tinha acontecido antes, que eu lembre. O Fredo é gremista, mas nunca foi fanático, raramente vai ao estádio e só em jogos mais importantes se abala até o boteco da esquina pra assistir, caso não esteja passando na TV. Mas tem uma explicação. É que os prognósticos são os melhores possíveis. O Grêmio é o primeiro da tabela há várias rodadas. E tem tido uma sorte incrível no resultado dos adversários. Ou seja (dá até medo pensar nisso), temos enormes chances de ser campeões em 2008.

Números fascinam quando são favoráveis.

5 de set. de 2008

better, better, better


Things are getting better, that's all I have to say.

I'll be there!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

24 de ago. de 2008

minhas pequenas mazelas

Por que será que temos momentos em que tudo resolve dar errado? Eu acabo de viver uma semana assim, e espero sinceramente que ela encerre junto com este 24 de agosto.

A semana foi tão ruim que até coisas sobre as quais eu não tenho o menor controle - como o resultado da final do vôlei masculino nas olimpíadas - parecem corroborar minha maré de ... (aquela palavrinha proibida).

Fazendo um retrospecto, tudo começou com o Fredo manchando de X14 meu edredon novinho, que eu comprei nas Americanas.com em 10 vezes sem juros. Ou seja, vou passar quase um ano pagando um edredon que, em seu primeiro mês de uso, já ostenta uma mancha que nem Vanish, lavanderia ou reza braba tirariam.

Depois foi a minha discussão com a empregada, que resultou no pedido de demissão dela. Ambas sabíamos que esse dia estava próximo, mas é claro que tinha que ser nessa semana fatídica! Agora preciso correr contra o tempo para arrumar logo uma substituta, e nem sei por onde começar.

Na quarta-feira, adivinhem, quase bati de carro. Um taxista entrou rachando num cruzamento cuja preferencial era minha. O erro foi tal que ele até parou e pediu desculpas. E meu susto foi tão grande que não consegui nem trabalhar direito aquele dia.

A saga continuou no sábado, quando o Fredo foi assaltado bem aqui na frente de casa e nosso carro foi levado pelos ladrões. Siiiiim, minhas mazelas não se resumem a pequenos incidentes domésticos. Poderia ter sido bem pior, é verdade, mas o Fredo mandou bem e finalmente pôde colocar em prática o que até então era só retórica: numa situação dessas, entregue tudo, não reaja nem discuta.

Foi o que ele fez, e deu certo. Três sujeitos - um deles armado - abordaram o Fredo e até tentaram levá-lo junto, mas ele saiu do carro rapidinho, deixou a chave na ignição e disse leva, leva, é de vocês. Polícia e seguro avisados, algumas horas depois o carro foi encontrado em uma vila. E agora vamos ter que enfrentar toda burocracia para liberá-lo.

Para coroar meu infortúnio, neste domingo abriu a venda de ingressos pro Porto Alegre em Cena e eu só fui lembrar disso no final da tarde. É óbvio que os três shows da Adriana Calcanhotto já estavam esgotados. O show que eu espero ansiosamente há tanto tempo vai acontecer e eu não estarei lá. Ai, essa doeu demais...

Mas não posso me deixar abater pela sucessão de fatos adversos! Como diz o ditado, depois da tempestade vem a bonança. Vou fazer um esforço pra encarar essa segunda-feira com otimismo e bom humor, pra ver se atrai coisas boas.

Mas por enquanto não acabou. Neste momento, o Grêmio está perdendo para o Náutico. O líder do Brasileiro e meu time do coração resolveu perder duas vezes essa semana, depois de várias partidas sem perder. Por que será? Hein?

Retiro! Retiro! Eles empataram nos últimos segundos do jogo! É o fim da tempestade! Que venha a bonança!!!!!

17 de ago. de 2008

quem não gosta de samba...


...bom sujeito não é. Quem disse isso - e ainda botou numa música - só pode ser gênio, não é? Eu acho.

E o que dizer então destes outros versos:

Se fizer bom tempo amanhã
Se fizer bom tempo amanhã,
Eu vou...
Mas se por exemplo chover
Mas se por exemplo chover
Não vou...

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá



O pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar
O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai
O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai
O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar

Uma vez, ouvi Chico Buarque dizer que as letras de Caymmi eram quase infantis... e são mesmo! São tão singelas, tão simples, tão coloquiais, tão... geniais.

Eu sabia que o dia da morte dele estava próximo, afinal, ele tinha 94 anos e estava bem doente. O dia chegou, foi ontem. E mais uma vez uma enorme coincidência, talvez até maior que aquela da Dercy... hoje nós íamos a um show do Danilo Caymmi, filho dele, lá no Santander Cultural. Pode? Óbvio que o show foi cancelado.

E há uma semana corrigi meu pai porque ele disse que Caymmi já tinha morrido, e eu bem braba falei que não, que ele estava bem vivinho.

E o post do Quarteto em Cy, onde eu escrevi sobre "estar mais perto de quem já se foi", me referindo a Vinicius e, de certa forma, a Caymmi?

Que coisa, né?

Seja lá o que for tudo isso... só sei que fiquei muito triste com a morte desse baiano porreta que, graças a Deus, deixa pra gente um legado inestimável.

Descansa em paz, Caymmi, e ilumina o céu com teus versos.

9 de ago. de 2008

a balada que não é a minha


Ontem, impulsivamente, aceitei o convite da minha amiga Fê pra ir a uma boate, a tal República de Madras. Eu estava mesmo a fim de fazer algo diferente nesse final de semana, daí ela me ligou, achei que veio bem a calhar, consegui convencer (ou obrigar) o Fredo a ir... e fomos.

Não sei porque ainda insisto. Não adianta, eu até teria curtido uns anos atrás, mas pensando bem, esse tipo de balada nunca foi a minha praia. Não gosto de música eletrônica, não entendo a lógica de ficar pulando ao som de tunt tunt, de as pessoas ficarem horas em pé e não poderem se sentar porque não há sequer um banquinho de bar disponível... pois não há bancos no bar.

Ok, estou ficando velha, eu sei. Acho que comecei a ficar velha faz tempo, desde que descobri do que realmente gosto. Eu gosto mesmo é de estar em um lugar confortável, de só me levantar quando - e se - quiser, para dançar ou para conversar com alguém, bebendo chopp, cerveja ou vinho e, claro, ouvindo estilos musicais como samba, MPB, rock 'n roll...

Também, como é que alguém que gosta de Chico, Tom, Cartola, Caymmi, Vinicius, Lupicinio, Beatles... como uma pessoa que vai ao show do Quarteto em Cy, do Luiz Melodia (dia 26) e do Danilo Caymmi (domingo que vem!), vai curtir balada e música eletrônica? Eu devia ter nascido na década de 50, devia ter sido jovem nos anos 60. Assim, quem sabe, não me sentiria um peixe fora d'água fazendo algo que devia ser natural pra minha idade.

Ah, mas azar, né? Sou muito mais o meu gosto do que o deles. Egoisticamente, acho que quem sabe o que é bom sou eu.

E outra: fazendo uma análise antropológica da coisa, o lugar que, dizem, é o melhor para dançar em Porto Alegre, consegue reunir em uma noite de sexta-feira umas pessoas (desculpem a sinceridade) feias, mal arrumadas e que quase não consomem (ó a empresária falando). A faixa etária - 20 a 25 anos - é de quem está na faculdade e, portanto, ainda não tem grana. O ingresso é 20 a 30 reais por pessoa, mortinho. O resultado disso é um bando de gente careta e dura que só está ali pra dançar e caçar (ou seria "pegar"?).

Tão cedo eu não entro num lugar desses de novo. Fiquei é louca pra ir ao Bar do Nito, e mais ainda pra ouvir minhas músicas de mil novecentos e antigamente. Essa é a balada que eu gosto.

31 de jul. de 2008

quarteto em cy: pelos outros e por mim


Tem coisas que a gente faz mais pelos outros do que pela gente. O altruísmo, essa qualidade tão bonita, vale mesmo quando o beneficiado duvida que a boa ação seja realmente boa. No caso, o beneficiado era meu pai, a quem quase precisei levar a força ao show do Quarteto em Cy. Sim, o grupo vocal formado por quatro baianas já bem passadinhas, mas que continuam escrevendo, com muito mérito, a história da música brasileira.

Ultimamente eu tenho tentado incluir meus velhos em programas como este. É que agora eles moram em Porto Alegre - depois de terem passado pelo purgatório, digo (ops!), por Guaíba e Tramandaí. Durante o pouco tempo em que morei com eles aqui em Poa, eu era recém-saída dos 18 anos e a última coisa que pensava em fazer era qualquer coisa com meus pais. Hoje, isso é um prazer.

Desde que soube que o Quarteto em Cy ia se apresentar em Porto Alegre, eu botei na cabeça que meu pai tinha que ir. O problema era convencê-lo disso. Ele adora falar que vai fazer e acontecer, mas, na hora H, acaba ficando em casa.

(Parênteses: foi com meu pai que aprendi a gostar de música. Não que ele seja grande entendido no assunto (hoje em dia, a gente até "briga" por diferenças gritantes de gosto). Mas foi com ele que eu ouvi pela primeira vez Lupicínio Rodrigues e Beatles, e acho que é por causa dele que eu tenho esse gosto musical tão anacrônico para alguém que nasceu em 1977.)

Eu estava certa: ele amou o show. Não só ele, claro. Apesar de ser evidente que as "meninas" já não cantam como outrora - ainda mais depois de ter sido alertada disto por quem entende do assunto -, foi uma experiência única.

O repertório era Vinicus e Caymmi. Poderia ser melhor? Curti cada música e fiquei pensando quando e se um dia eu ouviria aquelas músicas cantadas ao vivo por pessoas que conviveram com esses gênios. Nada a ver com mediunidade (depois daquela da Dercy, sei lá...), mas me senti mais perto de Vinicus assistindo a este show. E do Caymmi também, que do alto de seus noventa e poucos anos, dificilmente fará um show novamente. E me pus a pensar: quão perto é possível chegar de alguém que já se foi? Acho que descobri uma maneira.

Mas o melhor de tudo foi ver meu pai aplaudindo cada música, fazendo comentários de "sensacional"... Eita... Vai ver ele sentia isso quando me levava pra ver qualquer coisa quando eu era criança. Circo, cinema, sei lá. As coisas vão se invertendo com o tempo.

22 de jul. de 2008

o bloco, a dercy e os videntes


Eu passei um momento muito legal bem pertinho da Dercy Gonçalves. Ela era a homenageada do Bloco da Galinha do Meio no carnaval de 2007 e vinha saracoteando em cima do caminhão com pinta de trio elétrico. E eu, contagiada pelas marchinhas, pelas várias cervejas e pelo pique da velhinha, pulei com vontade nas ruas de Ipanema.

Foi um dos momentos mais divertidos de uma das melhores férias da minha vida. A cena era surreal: a Dercy ali, sambando, hora em pé, hora sentada, e visivelmente feliz. Já eu, pra lá de bagdá, ao som de Alá Meu Bom Alá, aproveitei horrores. A foto não me deixa mentir. Estão vendo Dercy ao fundo?

Videntes, nós?
Não vou nem contar em detalhes a conversa que o Fredo e eu tivemos horas antes de ela passar dessa pra melhor. Mas resumindo, a gente comentou quando será que a Dercy ia morrer, que ela parecia eterna e que seria engraçado ver o William Bonner anunciar no Jornal Nacional que, "aos 115 anos, morre Dercy Gonçalves".

Bom, ela não morreu aos 115 anos e não foi o Bonner quem deu a notícia, mas ela se foi na tarde daquele sábado. Uuuuiii... Não quero nem pensar no que isso significa.

Descansa em paz, Dercy!

14 de jul. de 2008

memórias (parte I): piadas

Estava agora lendo o blog do Bruno Medina, o cara do Los Hermanos que escreve tri bem. Ele fez um post sobre piadas, contando o quanto odeia as pretensas historietas engraçadas. Qualquer pessoa sem talento pra piadista se identificaria com o que ele escreveu. Eu nunca proclamei odiar piadas, mas pensando bem, acho que odeio sim. E tenho até motivos bem fortes para isso.

Tem umas coisas da infância da gente que, definitivamente, podiam desaparecer da nossa memória. Mas são justamente essas que ficam. E não é que minha seletiva memória me obriga a guardar duas situações relacionadas a piadas? Uma delas foi altamente constragedora. Bom, as duas foram.

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos e me caiu nas mãos um livro de piadas. Meus padrinhos estavam passando uns dias lá em casa, e o meu padrinho tinha fama de bom piadista. Acho que o livro era dele. E eu, considerada uma criança extrovertida, esperta e engraçada, fui encorajada pelos (malditos!) adultos a escolher uma piada qualquer no tal livro e ler em voz alta para toda a família.

Jamais confie no uni-duni-tê. Eu caí numa piada que, além de longa (devia ter umas 5 páginas), era praticamente pornográfica. Falava de uma velhinha que, depois de décadas fazendo amor com o marido, descobriu que se colocasse um travesseiro embaixo da bunda, ficava mais gostoso. Nada demais, se eu não tivesse 7 anos. Sem entender lhufas, eu comecei a ler a piada bem alto. Os adultos quiseram enfiar a cabeça num buraco. O horror foi tal que eles me mandaram parar no meio. Não sei exatamente o que aconteceu depois, mas acho que eles aprenderam a nunca mais pedir para criança ler piada de sacanagem.

Na segunda situação, eu tinha mais ou menos a mesma idade e fui fazer uma daquelas charadas que vinham no papel do chiclé (será que ainda existe chiclé? Com charada, duvido). A pergunta completa eu não lembro, mas era daquelas "qual a semelhança entre isso e aquilo"? O problema era que, até então, eu só conhecia charadas de diferença, não de semelhança. E, como meu vocabulário na época não era lá muito vasto, eu simplesmente resolvi que semelhança e diferença eram sinônimos. Aí, é claro, ninguém matou a charada e quando eu li a resposta, queriam minha cabeça!

Acho que peguei trauma de piada depois dessas. Nunca me dei bem contando, já desisti faz tempo. E vamos combinar que, invariavelmente, quem conta piada é chato. Já viu alguém legal e naturalmente divertido adorar contar piada? Não existe. Abaixo os piadistas. E não incentive seu filho a ser um: ele pode se traumatizar para o resto da vida.

13 de jul. de 2008

só porque eu falei (pensei, escrevi)...

Juro que eu não tinha a menor idéia de que existia mesmo a intenção de fazer uma seqüência de Sex and the City - O Filme. Nem sei porque escrevi aquilo no post de 14 de junho. Acho que foi porque eu curti muito o filme e ele me deu aquela sensação de gran finale, e por um segundo imaginei uma desnecessária continuação.

Mas estava lendo antes o blog da Julia Petit e confirmei. Parece que já estão até negociando. Ok, quem sou eu pra ser contra, né? Que venha mais Carrie e Mr. Big. Agora convenhamos: os roteiristas vão apelar pra quê? Mais uma separação dos dois? Sim, porque mostrar o casal feliz pra sempre não vende ingresso de cinema. Ai ai... só de pensar, já cansei.

6 de jul. de 2008

a lei da divergência

Vamos falar do assunto da hora. A tal lei seca que começou a vigorar há uns 15 dias no Brasil está fomentando acaloradas discussões. E eu, ouvindo e lendo sobre, confesso que ainda não formei uma opinião definitiva a respeito.

Não é segredo que eu adoro uma bebidinha. Então, em tese, eu seria contra a tal lei, certo? Em parte. Não dá pra negar que a intenção é louvável. Sempre me indignei com os bebuns que saem dirigindo por aí, ameaçando a si e aos outros. Especialmente com os playboyzinhos, que se acham imortais dirigindo seus carrões. E também com os "véio grosso" com seus chevetes e belinas caindo aos pedaços e poluindo o ar. Se a lei servir pra botar um corretivo nessa gente, então tá.

Mas o que assusta é o risco de ser parada por uma blitz ao voltar de um restaurante onde eu dividi uma garrafa de vinho com meu marido. Na minha opinião (e com a minha experiência), 375 ml de vinho é uma quantia inofensiva. Era preciso haver uma estatística (talvez haja, não sei) que mostrasse a quantidade média de álcool ingerida por pessoas que se envolveram em acidentes graves. O questionável da lei é isso: colocar no mesmo nível quem bebe além da conta de quem bebe socialmente. E olha que eu, vez ou outra, me encaixo no primeiro grupo.

Só não estou mais preocupada porque já tinha me adaptado à lei antes mesmo de ela existir. E por um motivo bem mais nobre do que medo de soprar o bafômetro: a gente gosta de viver. Não é raro Fredo e eu irmos de táxi a festas mais animadas. Também nunca pegamos a estrada depois de beber (tipo Guaíba-Porto Alegre, Tramandaí-Atlântida, enfim, esses trechos que o pessoal faz como se estivesse indo à esquina). Sabemos que é melhor não confiar em bêbado, mesmo sendo nós mesmos.

Acho que o assunto ainda vai dar muito pano pra manga. Especialistas dizem que a lei tem furos, que é inconstitucional, blábláblá. Tem aquilo de ninguém ser obrigado a produzir provas contra si mesmo - ou seja, você pode se negar a soprar o bafômetro. Também tem o metabolismo de cada pessoa, que varia conforme peso, altura, sexo. E o mais preocupante: nesses últimos dias, parece que a polícia está mais interessada em pegar bebum do que bandido.

E aí ficam as perguntas: a polícia e o judiciário estão prontos para atender a demanda? Deve um delegado deixar de resolver roubos, seqüestros e homicídios para se ocupar de um motorista que bebeu dois ou três chopes? A lei que existia antes já não impedia que gente podre de bêbada dirigisse? Então por que não era cumprida?

Ainda estou formando uma opinião a respeito.

30 de jun. de 2008

maria vai com as outras

Graças à excelente idéia de colocar a rádio Gaúcha AM em uma freqüência FM (alguém me explica por que não fizeram isso antes?), eu soube do show Bailadêra, do grupo vocal Maria Vai Com as Outras. As integrantes foram entrevistadas pelo Ruy Carlos Ostermann na quinta à tarde, quando eu voltava de Novo Hamburgo na companhia do rádio do carro (que só pega FM).

Eu adoro grupos vocais, amo aquela combinação de vozes, as interpretações sempre tão criativas... Não dava pra não ir ao show das Marias, ainda mais sendo tão baratinho (doando 1 kg de alimento, míseros 10 reais). Foi no decadente Teatro Renascença, cheio de goteiras no sagüão e um cheirinho de mofo... Mas nada que comprometesse a performance das quatro cantoras e seus músicos, todos impecáveis, até onde meu parco conhecimento musical permite.

Aproveitei pra levar o pai e a mãe, que quase nunca fazem esse tipo de programa, e eles gostaram bastante. A prova de que o show foi bom é que o Fredo até bateu palmas no final. Nada demais se ele não abominasse aqueles momentos em que os cantores convidam a platéia para interagir, dançar, cantar, sabe?

No show, composições de Dona Ivone Lara (direto pro meu repertório), Ana Carolina, Tetê Espíndola, Ângela Rô Rô, Adriana Calcanhoto (inacreditável o que fizeram com Esquadros, uma das minhas preferidas), Marisa Monte e Chiquinha Gonzaga, entre outras menos conhecidas. Não por acaso (acho), todas compositoras mulheres. Ah, elas têm um blog: http://bandamariavaicomasoutras.blogspot.com.

O Ostermann tocou essa música da dona Ivone Lara durante a entrevista. Grudou no meu ouvido feito chiclete e me ajudou a decidir que valia a pena ir ao show. Salve dona Ivone Lara, salve Marias!

Alguém me Avisou

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho

Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar...

23 de jun. de 2008

ressaca carioca (agora com fotos)

Putz, tô mesmo na maior ressaca, o corpo pedindo uma noite bem dormida. Porque passar só o final de semana no Rio de Janeiro vale a pena, mas caaaansa! Cada minuto é precioso e dormir é a maior perda de tempo.

Praticantes do "botecoturismo" como somos (créditos: meu amigo Romualdo cunhou este termo no verão de 2003, durante nossas primeiras férias cariocas. A-DO-RO!), não deixamos por menos. Fomos a todos os nossos prediletos: Informal, Belmonte, Bracarense, Jobi, Conversa Fiada, Devassa. Em todos eles, nós - óbvio - bebemos e - nem tão óbvio - comemos. Empada de camarão, escondidinho, carne de sol desfiada com cebola, pizza... O resultado é uma sensação que mistura culpa e felicidade.

A noite de sexta foi na Lapa, do jeito que eu gosto: boteco, chope, cachacinhas e comidinhas, especialmente empadas, muitas empadas! De camarão com catupiry, claro. Tava um tumulto digno da mais movimentada noite da Cidade Baixa. Data esta que, certamente, não seria 20 de junho.

Na mesinha de calçada do Antonio's, na Lapa

No Rio, o primeiro dia do inverno veio abençoado pelo sol e por um calor de mais de 30 graus. Nosso sábado começou com o pitoresco passeio de bonde pelo bairro de Santa Teresa. No início deu medo, principalmente quando ele passou por cima dos arcos da Lapa. Falando sério: aquilo ali não respeita regras mínimas de segurança. Tem que fazer vista grossa mesmo e pensar que todos os dias milhares de pessoas andam no veículo, especialmente gringos, e se algum já tivesse morrido, teria dado no Jornal Nacional. Então não vai ser contigo que vai acontecer uma tragédia, né?

Vai por mim, é melhor pensar assim e fazer o passeio. Daí é relaxar e se divertir com os moradores que andam dependurados no bonde. O bairro é uma graça, tem um quê de Pelourinho e de favela... até comprei uns trecos numa lojinha supercharmosa! E almoçamos na Adega do Pimenta, um simpático restaurante alemão.

O Fredo no bonde de Santa. Parado, obviamente

Não era permitido fotografar esse armazém de
Santa... mas eu só descobri isso depois

Pra quem pensa que esta que vos escreve só gosta de pé sujo, chope e cachaça, nosso final de semana teve um momento chique. Os amigos Eti e Cadu nos levaram ao restaurante do Jockey Clube no sábado à noite. Excelente pedida, só que tem que ser sócio, dá licença? Nos divertimos horrores e depois ainda esticamos no Conversa do Leblon. Companhia agradável, comida boa, bebida idem... o que mais poderíamos querer?

E o domingo foi um delírio. Botecoturismo na sua mais profunda essência. Com direito a jogo do Grêmio (3x0 no Atlético-PR de pênalti!), afinal, não tinha nenhum time carioca jogando naquela hora e o garçom era legal. Por tudo isso, minha segunda-feira foi, digamos, quase inútil. Mas lavô, tá novo.

Entre as diversas excentricidades do Rio, quero destacar duas:
1) Em que lugar do Brasil tu escuta "uuuuuuh" ou “gooool!!!” durante um jogo entre Holanda e Rússia? No Rio. Foi engraçado ver os gringos torcendo por suas seleções na Eurocopa. E o Fredo até encontrou um alemão que trabalha no ramo de aço da ThyssenKrupp (torcendo pra Espanha, eu hein?). Colega!
2) Carioca estaciona na calçada como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Pedestre que se dane, ande na rua, perigando ser atropelado. Não gosto, acho o cúmulo da falta de civilidade. Calçada é feita pra andar! Só espero que essa moda não pegue.
P.S.: de novo não rolou meu encontro com o Chico... Incrível o nosso azar, ele nunca está no Rio quando eu vou pra lá... aposto que foi pra Paris. Someday, someday...

19 de jun. de 2008

parabéns, Chico!

Ao meu querido Chico, felicidades, muitos mais anos de vida. Que a inspiração e o talento continuem povoando tua mente e nos brindando com muitas músicas, poesias, livros e tudo o mais o que quiserem produzir.

Estou indo aí te ver. Quem sabe não nos encontramos pelas ruas do Leblon nesse findi?

Muitos beijos de sua grande admiradora. Lóvia!