28 de out. de 2008

quando um livro é bom (Travessuras da Menina Má)


Quando leio um livro bom, me dá uma felicidade... acho que falei coisa parecida em outro post. É que não posso me furtar de comentar sobre o último livro que devorei, digo, li. A Americanas.com me entregou em tempo recorde os três títulos encomendados - um deles, sobre lendas da mitologia grega, foi de presente para meu sobrinho de 9 anos, a pedido dele. Não é um fofo? - e eu peguei para ler na mesma hora Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa. Há tempos queria ler algo deste peruano, que eu vim a descobrir, lendo a orelha do livro, que chegou a ser candidato a presidente de seu país. Perdeu para o tirano Fujimori. Daí dá pra entender as críticas que permeiam a narrativa de "Travessuras ".

Não vou fazer um resumo do que li - há críticas e resenhas aos montes na web -, mas ao desafortunado que ainda não teve a oportunidade de conhecer a história da menina má e do bom menino, quero apenas deixar aqui a minha mais entusiasmada recomendação. É uma jóia rara. Provoca no leitor uma verdadeira catarse, é possível sentir as emoções dos personagens, de tão reais e humanos que são. Uma história de amor às avessas que daria um filme daqueles. Aliás, não posso acreditar que ninguém tenha pensado nisso ainda. Por via das dúvidas, melhor ler antes que Hollywood estrague a surpresa.

Comprei Travessuras da Menina Má influenciada por um título delicioso e por um escritor renomado de quem nunca tinha lido nada. Decisão impulsiva, porém acertadíssima. Estava mesmo precisando de um aperitivo pra me abrir a fome. Às vésperas da Feira do Livro de Porto Alegre, estou louca pra devorar tudo o que vier pela frente.

26 de out. de 2008

bodas de madeira

Ontem completamos, Fredo e eu, 5 anos de casados. O tempo passou rápido nisso também. Embora estejamos juntos há muito mais tempo – quase 12 anos –, foi no dia 25 de outubro de 2003 que assinamos o papel e nos tornamos marido e mulher. A gente nem precisava ter se casado, porque morávamos juntos e a lei certamente já consideraria nossa relação estável. Mas tinha um problema. Eu não conseguia deixar de chamá-lo de namorado. E isso era ridículo, pois àquela altura, namorados já não éramos há um bom tempo. Mas eu simplesmente não conseguia. Ele não me chamava de namorada, mas de mulher ou esposa também não, eu acho. Homem tem a vantagem de poder falar “minha guria”, era assim que ele falava para amigos ou colegas de trabalho que não me conheciam. Só que eu não podia chamá-lo de “meu guri” sem parecer que estava fazendo alusão à música de Chico Buarque. Ninguém chama namorado de “meu guri”, “meu homem”...

Nosso casamento foi super simples. Bonito, quase singelo. Escolhemos um espaço para festas na rua Dona Laura e ali tudo se deu. Não esbanjamos, só o essencial. Não teve igreja, mas teve uma benção dos meus pais, aproveitando o fato de eles serem católicos praticantes e minha mãe, uma ex-freira. Compareceram cerca de 80 pessoas, ou quase a totalidade de convidados. Os padrinhos foram nossos amigos mais queridos e próximos. As músicas foram selecionadas a dedo. Por meses nos dedicamos a vasculhar nossos CDs (em uma era pré-eMule) e a escolher o que o DJ do lugar - nada confiável - iria tocar. Isso deu um toque superpessoal à festa, muita gente percebeu que aquelas músicas não estavam tocando à toa. Na entrada dos padrinhos, a trilha foi In My Life, dos Beatles. Na entrada da noiva, Wave, na voz de João Gilberto. A valsa, nada ortodoxa, foi Te Solté la Rienda, na interpretação dos mexicanos do Maná. Na hora do brinde, foi a vez de Gracias a La Vida, cantada por Elis Regina. Arrepios...

Estávamos muito felizes. Reunir familiares e amigos para festejar nossa união deixou-nos extasiados. Acho que, se fosse casar hoje, faria muitas coisas de maneira diferente, principalmente a escolha dos fornecedores, pois nem tudo me agradou. Ou, provavelmente, nem casasse. Colocaria uma aliança na mão esquerda e pronto. Mas, aos 25 anos (a idade que eu tinha quando resolvemos casar; o casório foi 11 dias depois do meu aniversário de 26), não conseguia conviver com a idéia de nunca passar por esse rito de passagem, apesar de jamais ter sido o grande sonho da minha vida. Mas, naquele momento, achei que valeria a pena. Ainda bem que pensei assim.

Pena que não deu pra comemorar direito nossas bodas de madeira. Foi um final de semana chuvoso e eu ainda estou um tanto convalescente. Acho que ano que vem, em nossas "bodas de perfume", daremos uma festa. Quem sabe? De novo, é claro, com músicas escolhidas a dedo.

11 de out. de 2008

evidências físicas

Entre as mudanças que a entrada na quarta década de vida trazem (embora esteja longe dos 40, me dei conta de que já vivi três décadas inteirinhas), as mais contundentes são as evidências físicas. Afinal, é o corpo que envelhece. A cabeça é fácil manter jovem, tenho certeza de que terei uma mente jovem sempre. Mas são as infalíveis evidências físicas que me põem louca. Por mais que a indústria da cosmética e da estética invente técnicas milagrosas, tudo o que se fizer apenas protelará o que fatalmente virá. E já está vindo.

A facilidade que eu tinha de emagrecer já não é mais a mesma. A pele - sempre tão boa! - está diferente. Umas manchinhas começam a aparecer, ruguinhas também. As pálpebras já estão meio caídas (minha dermatologista disse que é uma predisposição genética e que botox resolve. Aff...). As gorduras localizadas se instalaram com usucapião. As articulações insistem em dar o ar da sua graça (antes eu nem lembrava que tinha joelhos!). Até mesmo o sono - eu, a dorminhoca-mor - mudou, as costas começam a doer depois de 10 horas na cama e acordar às 7 horas nem é tão difícil assim.

E o corpo? Ah, o corpitcho... esse que sempre foi meu grande trunfo, o responsável por minha auto-estima, um dos poucos aspectos físicos em que Deus (ou a genética?), caprichosamente, me favoreceu... tem prazo de validade e dá os primeiros sinais de que vai me deixar na mão. Tudo o que antes eu me orgulhava de não ter - ou de ter pouco - culote, celulite, flancos... tudo começa a aparecer por aqui.

Ginástica, dieta, creme hidratante, esfoliante, drenagem linfática... tudo paliativo. É como eu disse num post no dia 10 de abril: "Faça dieta o resto da vida se não quiser engordar. Caso contrário, você engordará. Faça ginástica o resto da vida para não despencar tudo. Caso contrário, tudo despencará. E conforme-se, pois, mesmo fazendo tudo isso, você pode até não engordar, mas um dia, tudo despencará." É bem assim.

Daí a gente chega num outro assunto: as intervenções cirúrgicas para fins estéticos. Nunca fui contra, e nem poderia, afinal, corrigi as orelhas de abano com apenas 14 anos. Me incomodavam, fui lá e mudei. Por que iria me conformar com uma brincadeira de mau gosto da genética? Minhas orelhas são naturais agora, antes é que eram erradas. O mesmo vale para outros tipos de correção. Com bom senso, sem exageros, na idade certa, acho totalmente válido.

É por isso que decidi adiar mais um pouquinho o inevitável. Enquanto for considerada jovem, quero parecer jovem, não apenas ser. Depois que eu não for mais jovem... sei lá, mais tarde eu vejo. Pra essas coisas a gente tem que ser meio imediatista. Se mal estou dando conta dos 31, que dirá do que vem depois.

8 de out. de 2008

de repente 31


Semana que vem é meu aniversário. 31. A cada ano que passa eu detesto mais essa data. Começou quando eu tinha uns 24, 25. Já naquela época eu sentia a pressão de estar chegando perto dos 30. Agora que estou mais perto deles do que nunca (ops! estou passando por eles!), constato que o tempo é inexorável, implacável e totalmente indiferente ao meu sofrimento. Um sofrer acanhado, é verdade. Nada que me faça chorar, me escabelar. Mas é um sofrimento que sempre me pega de jeito. Em algum momento do dia eu lembro que o tempo não pára. Que eu já não sou mais uma guria. Que sou indubitavelmente adulta, tão adulta que já tenho idade para ser mãe, comprar carro, financiar apartamento, aplicar botox.

Vivo um estranho paradoxo entre a menina e a mulher. Às vezes sou uma, às vezes outra. O fato é que não me agrada essa idéia de ser adulta, mulher, senhora, tia. Parece que, internamente, essa transição está acontecendo só agora, tardiamente, eu diria. É uma ambigüidade que me acompanha o tempo todo, está presente nas coisas que falo, penso e faço. E sinto.

Uma das razões é que eu não fiz muita coisa que normalmente se faz antes dos 30. Não cruzei o Atlântico, não fui garçonete num pub inglês, não morei sozinha, não fui a Porto Seguro (ufa!) ou a Bariloche com a turma do colégio, não tomei bala em rave. Por outro lado, sou nova para ter feito certas coisas que já fiz. Dos 20 aos 30 eu me formei, abri duas empresas, fiz uma pós, fui presidente de entidade empresarial, casei, parei de fumar... Alguns dirão que é típico da idade: nem tão jovem a ponto de não ter um passado, uma história, mas com muita vida pela frente. Nem 8 nem 80. 31.

Uma outra nuance desse negócio de passar dos 30 são as evidências físicas. Mas isso eu vou guardar pra falar num próximo post. Espero que esses momentos de reflexão me ajudem a enfrentar mais um aniversário!

4 de out. de 2008

shows da minha vida

Este post eu fiz inspirada pela Martha Medeiros, que escreveu em seu blog sobre os muitos shows que já foi na vida. Achei legal e resolvi copiar, só pela diversão de tentar lembrar os que eu já fui. É claro que a minha lista nem se compara à dela, um dia eu chego lá...

Tudo começou com shows dos Menudos e do Dominó, mas graças a Deus as pessoas crescem, evoluem e finalmente conseguem discernir entre o bom e o ruim. E apesar de alguns tropeços nesses meus quase 31 anos de vida, só tenho boas histórias para contar. Tentei colocar numa ordem cronológica, mas foi impossível. Tem alguns que eu nem lembro quando foram. Procurei não deixar nada de fora, mas é claro que não incluí os shows de bandas cover que assisti nas festas do clube Itapuí, no Opinião e nos bares da vida. Vamos a ela:

Cascavelletes: com apenas 12 anos conferi a performance da lendária banda gaúcha cantando os hits “Menstruada” e “Nega Bombom”. Foi no clube da Riocell, em Guaíba, e foi a primeira vez que saí sozinha de noite!!! Nossa, que precoce...

Rosa Tatooada: pode? Foi também no clube da Riocell e só lembro que o cara da banda abaixou as calças e mostrou a bunda pro público. Nojento. Nem merecia estar na lista, mas já que a intenção é relembrar, vamos agüentar também os maus momentos.

Gabriel O Pensador: devia ter uns 16 anos e fui sozinha! Descolei o ingresso de graça com a mulher do dono do Opinião, que dava aula em Guaíba na época. Eu adorava o cara e aquelas músicas que, de certa forma, traduziam as coisas que eu pensava.

Jorge Benjor: em Passo Fundo, com a Fê e a Michele. Acho que isso foi em 1994 ou 1995... certamente éramos menores. E aprontamos todas nessa viagem!

Legião Urbana: show antológico de 1994 em uma das maiores lotações da história do Gigantinho. O Sandro foi meu parceiro na empreitada. Quase fui esmagada e um cara mijou na minha perna, mas nossa, como valeu a pena!

Fernanda Abreu: na primeira edição do Planeta Atlântida, em 1996. Óbvio que foi a primeira e a última vez que fui ao evento. Detalhe: passei mal e desmaiei no meio do show da mulher. Mas acho que a culpa não foi dela. Depois a vi novamente no Opinião.

Lulu Santos: mais um momento de fraqueza... eu até curto o Lulu, mas daí a ir num show... e no Gigantinho! Acho que foi em 1996 e não curti muito.

Planet Hemp: também no Opinião, com ingresso descolado na rádio Ipanema, onde eu fazia estágio na época, ali por 1998. Mas não agüentei o peso do som e nem os teens maluquetes da platéia (e olha que eu tinha só 21 anos) e fui embora antes da metade do show.

IRA!: fui ao show do disco Isso é Amor, que eu adoro. Foi no Opinião, com a companhia de Fredo, Isadora e Fi. Ainda bem que eu fui, porque infelizmente o Ira! acabou.

Papas da Língua: o Fredo jura que nós fomos a um show deles no Salão de Atos da UFRGS. Eu não lembro!

Hard Working Band: esse eu lembro e foi demais. No Salão de Atos da UFRGS lotadíssimo. Mais uma boa banda gaúcha que se acabou.

Nei Lisboa: perdi as contas de quantos shows do Nei eu fui. Acho que uns cinco. Três só no Theatro São Pedro. Destaque para o show do disco Hi-Fi, que eu adoro.

Djavan: já gostei demais de Djavan, hoje não sou mais tão entusiasmada. Mas valeu vê-lo ao vivo no Teatro do SESI.

Luiz Melodia: esse negão é algo. Foram dois shows, no SESI – só sucessos, o máximo – e esse ano no Bourbon Country, do disco Estação Melodia, só de sambas antigos. Muito, muito bom.

Titãs: assisti duas vezes, a primeira naquele Planeta Atlântida de 1996, e confesso que nem lembro direito (deve ter sido depois do desmaio). A segunda vez foi num ótimo show do disco acústico, no Teatro do SESI.

Rita Lee: só vi a rainha do rock uma vez, naquele primeiro e único Planeta Atlântida. Não lembro muita coisa, mas uma eu jamais esquecerei: da mulher nua que desfilou no palco enquanto a Rita cantava Miss Brasil 2000. Aquilo chocou, ninguém esperava. Muito tempo depois eu descobri que a primeira Miss Brasil 2000 foi a Adriana Calcanhotto, num show da Rita no Gigantinho. Pode?

Eric Clapton: no Olímpico. Foi uma droga. Assim como a Martha Medeiros, fiquei lá longe e não me conectei com o cara. Dinheiro posto fora.

Maria Rita: linda, maravilhosa, rainha. O show, no Teatro do SESI, foi impecável. Era o lançamento do primeiro disco, Maria Rita, em 2005.

Lenine: eu e a Dani compramos ingresso para o mezanino do Teatro do SESI, mas o show não lotou. Tivemos a sorte de encontrar uma amiga minha que era assessora de imprensa da TIM, que promovia o show. Ela ficou com peninha e nos colocou na platéia baixa, bem pertinho do pernambucano arretado!

Gilberto Gil: vi o ex-ministro pela primeira vez num show no Salão de Atos da UFRGS do disco Quanta, talvez o mais difícil de digerir de toda a carreira dele. E assim foi o show. Mas o do Kaya N’ Gan Daya, em que ele canta músicas do Bob Marley, foi ótimo! E acreditem, foi no Araújo Vianna!

Marisa Monte: fui a três shows da Marisa, dos discos Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão, Barulinho Bom e Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. Eu a amava muito, hoje nem tanto, mas enfim, é Marisa Monte, não é?

Chico Buarque (As Cidades e Carioca): foram dois shows inesquecíveis do meu maior ídolo. O primeiro, em 1999, eu só consegui ingressos para a última fila do mezanino do Teatro do SESI. Ou seja, vi o Chico a uma distancia de mais ou menos... 1 km, talvez mais. O segundo, em 2007, assisti da platéia alta do mesmo teatro e foi tudo, tudo de bom.

Paralamas do Sucesso: no Rio de Janeiro, com o Romualdo e a Ciça, assistimos ao primeiro show do Paralamas depois do acidente do Herbert Vianna. Foi no Credicard Hall.

Theddy Correa: cantando Lupicínio Rodrigues no Theatro São Pedro. Escolhi esse show para comemorar nosso aniversário de dois anos de casamento. Foi bonito, mas me chamou a atenção os vários erros cometidos por Theddy. Acho que ele não tinha ensaiado direito.

Seu Jorge: adoro esse negão, mas o show não foi muito legal. Era a primeira vez que eu pisava no Teatro do Bourbon Country, em 2007, e por muito tempo eu culpei o próprio teatro pelo fracasso do show, porque o som era alto demais. Mas hoje eu acho que o problema foi o show mesmo, era a estréia da turnê e eles não estavam entrosados.

Ney Matogrosso: o show Inclassificáveis foi o presente da RBS para convidados VIPs em 2007. Como presidente da AJE, lá estava eu, lépida e fagueira. S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!

Karine Cunha: minha professora de canto merece e muito estar nessa lista. Fui a dois shows do disco Epahei!, no Teatro do SESC e no Teatro Novo do DC. Linda e talentosa!

Quarteto em Cy: as quatro baianas que fizeram história na MPB estiveram em Porto Alegre em 2008. É claro que eu estava lá.

Fernanda Takai: show do disco Onde Brilhem Os Olhos Seus, primeiro trabalho solo dela. Foi esse ano no Bourbon Country. Fofa!

Adriana Calcanhotto: show com gostinho de vitória. Consegui entrar na lista de convidados da própria Adriana depois de não conseguir ingresso pelas vias normais dos espetáculos do Porto Alegre em Cena. E não é só porque eu queria muito assisti-la. Foi simplesmente indescritível. Adri é minha deusa.

Madonna: tô precisando incrementar a lista de shows internacionais ASAP! Isso vai começar logo mais, em dezembro, no show da Madonna em São Paulo!

20 de set. de 2008

maré de sorte

Consegui. Depois de praticamente me conformar de não ir ao show da Adriana Calcanhotto, apelei para o improvável: a piedade da produção dela. E não é que deu certo? Pois é. Mandei um e-mail e contei toda a minha história triste (e verdadeira) que me impediu de acessar o site do Poa em Cena ou de chegar no Gasômetro a tempo de comprar os ingressos.

Logo no outro dia veio a resposta. Eu deveria ligar no dia 18 para uma outra pessoa que talvez pudesse me conceder dois convites. Fiquei empolgada pelo simples fato de ter recebido aquele e-mail, embora achasse difícil que alguma coisa saísse dali. Mas não ia deixar de tentar, é claro. Liguei no dia combinado e me pediram para ligar de novo no dia seguinte, pois ainda não era possível saber se haveria convites disponíveis. Quando liguei, pasmem: "ok Fernanda, vá lá hoje, me liga às oito e meia que eu digo pra você onde os convites vão estar". CARACA! Eu estava na lista de convidados da Adri. Um envelope com o meu nome e dois ingressos dentro me esperava. Primeira fila da platéia alta.

Não sei o que dizer do show. Apenas que está no meu Top Five. Que foi divino. Que Adriana Calcanhotto é um ser superior, não é desse mundo. É deusa. E também que ela cantou uma música do Guilherme Arantes. Ela também! Eu cantei Coisas do Brasil. Ela cantou Meu Mundo e Nada Mais. Nós duas cantamos Guilherme Arantes no mesmo dia. Temos, afinal, algo em comum.

Esse episódio só reforça alguns ditos populares, como "a esperança é a última que morre", "quem espera sempre alcança", "sou brasileiro e não desisto nunca". E me deu também um alento. Minha performance ontem no sarau deixou a desejar. Fiquei extremamente nervosa e as coisas não saíram tão bem quanto nos ensaios. Fiquei desapontada. Mas não vou desistir nem me deixar abater. Vou seguir em frente nas coisas que gosto. Mesmo que não importe pra mais ninguém. Mesmo que seja só pra mim.

A foto ali em cima é de Fernanda Chemale / Divulgação PMPA.

16 de set. de 2008

cantar pra quê?

Essa semana estou me preparando para fazer algo muito legal. Minha professora de canto, Karine Cunha, e o marido dela, Marcos Bonilla, vão promover um sarau de canto e violão na Palavraria Livraria e Café, ali na Vasco da Gama. Vai ser uma espécie de despedida deles, que estão indo passar uns meses no Nordeste para fazer shows e mostrar o excelente trabalho que desenvolvem como músicos.

E eu, aspirante a reles mortal que canta, estou ensaiando (menos desesperadamente do que na época do casamento da Fê e do Ricardo, é verdade) umas músicas para apresentar aos convidados. Serão 3,3 músicas, isso porque serão três inteiras e 1/3 de outra, já que dividirei os vocais com outras duas alunas.

Estou ansiosa, mas até que nem tanto. Acho que sempre esperei por um momento desses, de tanto que gosto de cantar. Chega uma hora que cansa ficar cantando só no chuveiro. Ainda mais depois de quase dois anos de aulas. A evolução é visível, ou audível. É claro que continuo sendo uma reles mortal, mas uma reles mortal afinadinha.

O fato é que cantar - bem ou mal - me faz bem. Hoje, ouvir minha própria voz me faz bem. Antes eu tinha vergonha, não cantava alto, não sabia se podia, se conseguiria. Agora não, sei que posso fazer uma porção de coisas. Ainda tenho os diabinhos que me acompanham, que me impedem de, às vezes, alcançar as notas que eu sei que alcanço, ou de sustentar uma nota por mais tempo, ou de ter ar suficiente pra cantar uma frase até o fim... mas aos poucos estou superando isso.

Aí eu (e muita gente que sabe que eu faço - e pago! - aulas de canto) me pergunto: pra quê? Não, não pretendo virar cantora. Too late. Não sei se essa pergunta tem resposta. É como tentar explicar porque eu tenho esse blog. Quem o lê? Não faço muita idéia. De vez em quando alguém comenta alguma coisa. Mas a audiência é bem pequena. Mais ou menos como cantar: minha platéia mais freqüente é o Fredo, que não tem pra onde fugir, e a minha professora. Nessa sexta-feira, mais algumas pessoas vão poder conferir esse "talento" que eu tento desenvolver.

Continua sem resposta... Pode ser só "porque eu gosto"? Acho que sim, né? É como escrever o blog. Adoro escrever. Eu trabalho escrevendo, só que pros outros. Aqui, eu escrevo pra mim, é um exercício. Lidos ou não, esses textos retratam meus bons e maus momentos e registram coisas sobre mim, hoje e no futuro. E servem para melhorar meu português, meu vocabulário, minha escrita.

Cantar é um pouco assim. Hoje eu ouço música de outra forma, meu ouvido está muito mais seletivo. Estou musicalmente mais inteligente, não sou mais uma mera ouvinte. Me sinto mais próxima dos artistas que admiro, entendo-os melhor.

O próximo passo é aprender a tocar violão... mas pra quê? Ah, essa resposta é bem mais fácil: pra eu poder me acompanhar, ora! Pra não depender dos outros e poder cantar a qualquer hora, em qualquer lugar...

Humm, acho que arrumei mais uma atividade extra.

7 de set. de 2008

a tabela


O Fredo ultimamente anda hipnotizado pela tabela de classificação do campeonato brasileiro. É impressionante o fascínio que essa tabela exerce sobre ele. São horas olhando pra ela, seja na tela do computador, seja na TV. A casa fica toda silenciosa, nem um zumbido: é o Fredo analisando os números, fazendo cálculos, tentando prever quem sobe, quem desce... É ele e o Oswald de Souza.

Engraçado é que isso nunca tinha acontecido antes, que eu lembre. O Fredo é gremista, mas nunca foi fanático, raramente vai ao estádio e só em jogos mais importantes se abala até o boteco da esquina pra assistir, caso não esteja passando na TV. Mas tem uma explicação. É que os prognósticos são os melhores possíveis. O Grêmio é o primeiro da tabela há várias rodadas. E tem tido uma sorte incrível no resultado dos adversários. Ou seja (dá até medo pensar nisso), temos enormes chances de ser campeões em 2008.

Números fascinam quando são favoráveis.

5 de set. de 2008

better, better, better


Things are getting better, that's all I have to say.

I'll be there!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

24 de ago. de 2008

minhas pequenas mazelas

Por que será que temos momentos em que tudo resolve dar errado? Eu acabo de viver uma semana assim, e espero sinceramente que ela encerre junto com este 24 de agosto.

A semana foi tão ruim que até coisas sobre as quais eu não tenho o menor controle - como o resultado da final do vôlei masculino nas olimpíadas - parecem corroborar minha maré de ... (aquela palavrinha proibida).

Fazendo um retrospecto, tudo começou com o Fredo manchando de X14 meu edredon novinho, que eu comprei nas Americanas.com em 10 vezes sem juros. Ou seja, vou passar quase um ano pagando um edredon que, em seu primeiro mês de uso, já ostenta uma mancha que nem Vanish, lavanderia ou reza braba tirariam.

Depois foi a minha discussão com a empregada, que resultou no pedido de demissão dela. Ambas sabíamos que esse dia estava próximo, mas é claro que tinha que ser nessa semana fatídica! Agora preciso correr contra o tempo para arrumar logo uma substituta, e nem sei por onde começar.

Na quarta-feira, adivinhem, quase bati de carro. Um taxista entrou rachando num cruzamento cuja preferencial era minha. O erro foi tal que ele até parou e pediu desculpas. E meu susto foi tão grande que não consegui nem trabalhar direito aquele dia.

A saga continuou no sábado, quando o Fredo foi assaltado bem aqui na frente de casa e nosso carro foi levado pelos ladrões. Siiiiim, minhas mazelas não se resumem a pequenos incidentes domésticos. Poderia ter sido bem pior, é verdade, mas o Fredo mandou bem e finalmente pôde colocar em prática o que até então era só retórica: numa situação dessas, entregue tudo, não reaja nem discuta.

Foi o que ele fez, e deu certo. Três sujeitos - um deles armado - abordaram o Fredo e até tentaram levá-lo junto, mas ele saiu do carro rapidinho, deixou a chave na ignição e disse leva, leva, é de vocês. Polícia e seguro avisados, algumas horas depois o carro foi encontrado em uma vila. E agora vamos ter que enfrentar toda burocracia para liberá-lo.

Para coroar meu infortúnio, neste domingo abriu a venda de ingressos pro Porto Alegre em Cena e eu só fui lembrar disso no final da tarde. É óbvio que os três shows da Adriana Calcanhotto já estavam esgotados. O show que eu espero ansiosamente há tanto tempo vai acontecer e eu não estarei lá. Ai, essa doeu demais...

Mas não posso me deixar abater pela sucessão de fatos adversos! Como diz o ditado, depois da tempestade vem a bonança. Vou fazer um esforço pra encarar essa segunda-feira com otimismo e bom humor, pra ver se atrai coisas boas.

Mas por enquanto não acabou. Neste momento, o Grêmio está perdendo para o Náutico. O líder do Brasileiro e meu time do coração resolveu perder duas vezes essa semana, depois de várias partidas sem perder. Por que será? Hein?

Retiro! Retiro! Eles empataram nos últimos segundos do jogo! É o fim da tempestade! Que venha a bonança!!!!!

17 de ago. de 2008

quem não gosta de samba...


...bom sujeito não é. Quem disse isso - e ainda botou numa música - só pode ser gênio, não é? Eu acho.

E o que dizer então destes outros versos:

Se fizer bom tempo amanhã
Se fizer bom tempo amanhã,
Eu vou...
Mas se por exemplo chover
Mas se por exemplo chover
Não vou...

Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá



O pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar
O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai
O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai
O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar

Uma vez, ouvi Chico Buarque dizer que as letras de Caymmi eram quase infantis... e são mesmo! São tão singelas, tão simples, tão coloquiais, tão... geniais.

Eu sabia que o dia da morte dele estava próximo, afinal, ele tinha 94 anos e estava bem doente. O dia chegou, foi ontem. E mais uma vez uma enorme coincidência, talvez até maior que aquela da Dercy... hoje nós íamos a um show do Danilo Caymmi, filho dele, lá no Santander Cultural. Pode? Óbvio que o show foi cancelado.

E há uma semana corrigi meu pai porque ele disse que Caymmi já tinha morrido, e eu bem braba falei que não, que ele estava bem vivinho.

E o post do Quarteto em Cy, onde eu escrevi sobre "estar mais perto de quem já se foi", me referindo a Vinicius e, de certa forma, a Caymmi?

Que coisa, né?

Seja lá o que for tudo isso... só sei que fiquei muito triste com a morte desse baiano porreta que, graças a Deus, deixa pra gente um legado inestimável.

Descansa em paz, Caymmi, e ilumina o céu com teus versos.

9 de ago. de 2008

a balada que não é a minha


Ontem, impulsivamente, aceitei o convite da minha amiga Fê pra ir a uma boate, a tal República de Madras. Eu estava mesmo a fim de fazer algo diferente nesse final de semana, daí ela me ligou, achei que veio bem a calhar, consegui convencer (ou obrigar) o Fredo a ir... e fomos.

Não sei porque ainda insisto. Não adianta, eu até teria curtido uns anos atrás, mas pensando bem, esse tipo de balada nunca foi a minha praia. Não gosto de música eletrônica, não entendo a lógica de ficar pulando ao som de tunt tunt, de as pessoas ficarem horas em pé e não poderem se sentar porque não há sequer um banquinho de bar disponível... pois não há bancos no bar.

Ok, estou ficando velha, eu sei. Acho que comecei a ficar velha faz tempo, desde que descobri do que realmente gosto. Eu gosto mesmo é de estar em um lugar confortável, de só me levantar quando - e se - quiser, para dançar ou para conversar com alguém, bebendo chopp, cerveja ou vinho e, claro, ouvindo estilos musicais como samba, MPB, rock 'n roll...

Também, como é que alguém que gosta de Chico, Tom, Cartola, Caymmi, Vinicius, Lupicinio, Beatles... como uma pessoa que vai ao show do Quarteto em Cy, do Luiz Melodia (dia 26) e do Danilo Caymmi (domingo que vem!), vai curtir balada e música eletrônica? Eu devia ter nascido na década de 50, devia ter sido jovem nos anos 60. Assim, quem sabe, não me sentiria um peixe fora d'água fazendo algo que devia ser natural pra minha idade.

Ah, mas azar, né? Sou muito mais o meu gosto do que o deles. Egoisticamente, acho que quem sabe o que é bom sou eu.

E outra: fazendo uma análise antropológica da coisa, o lugar que, dizem, é o melhor para dançar em Porto Alegre, consegue reunir em uma noite de sexta-feira umas pessoas (desculpem a sinceridade) feias, mal arrumadas e que quase não consomem (ó a empresária falando). A faixa etária - 20 a 25 anos - é de quem está na faculdade e, portanto, ainda não tem grana. O ingresso é 20 a 30 reais por pessoa, mortinho. O resultado disso é um bando de gente careta e dura que só está ali pra dançar e caçar (ou seria "pegar"?).

Tão cedo eu não entro num lugar desses de novo. Fiquei é louca pra ir ao Bar do Nito, e mais ainda pra ouvir minhas músicas de mil novecentos e antigamente. Essa é a balada que eu gosto.

31 de jul. de 2008

quarteto em cy: pelos outros e por mim


Tem coisas que a gente faz mais pelos outros do que pela gente. O altruísmo, essa qualidade tão bonita, vale mesmo quando o beneficiado duvida que a boa ação seja realmente boa. No caso, o beneficiado era meu pai, a quem quase precisei levar a força ao show do Quarteto em Cy. Sim, o grupo vocal formado por quatro baianas já bem passadinhas, mas que continuam escrevendo, com muito mérito, a história da música brasileira.

Ultimamente eu tenho tentado incluir meus velhos em programas como este. É que agora eles moram em Porto Alegre - depois de terem passado pelo purgatório, digo (ops!), por Guaíba e Tramandaí. Durante o pouco tempo em que morei com eles aqui em Poa, eu era recém-saída dos 18 anos e a última coisa que pensava em fazer era qualquer coisa com meus pais. Hoje, isso é um prazer.

Desde que soube que o Quarteto em Cy ia se apresentar em Porto Alegre, eu botei na cabeça que meu pai tinha que ir. O problema era convencê-lo disso. Ele adora falar que vai fazer e acontecer, mas, na hora H, acaba ficando em casa.

(Parênteses: foi com meu pai que aprendi a gostar de música. Não que ele seja grande entendido no assunto (hoje em dia, a gente até "briga" por diferenças gritantes de gosto). Mas foi com ele que eu ouvi pela primeira vez Lupicínio Rodrigues e Beatles, e acho que é por causa dele que eu tenho esse gosto musical tão anacrônico para alguém que nasceu em 1977.)

Eu estava certa: ele amou o show. Não só ele, claro. Apesar de ser evidente que as "meninas" já não cantam como outrora - ainda mais depois de ter sido alertada disto por quem entende do assunto -, foi uma experiência única.

O repertório era Vinicus e Caymmi. Poderia ser melhor? Curti cada música e fiquei pensando quando e se um dia eu ouviria aquelas músicas cantadas ao vivo por pessoas que conviveram com esses gênios. Nada a ver com mediunidade (depois daquela da Dercy, sei lá...), mas me senti mais perto de Vinicus assistindo a este show. E do Caymmi também, que do alto de seus noventa e poucos anos, dificilmente fará um show novamente. E me pus a pensar: quão perto é possível chegar de alguém que já se foi? Acho que descobri uma maneira.

Mas o melhor de tudo foi ver meu pai aplaudindo cada música, fazendo comentários de "sensacional"... Eita... Vai ver ele sentia isso quando me levava pra ver qualquer coisa quando eu era criança. Circo, cinema, sei lá. As coisas vão se invertendo com o tempo.

22 de jul. de 2008

o bloco, a dercy e os videntes


Eu passei um momento muito legal bem pertinho da Dercy Gonçalves. Ela era a homenageada do Bloco da Galinha do Meio no carnaval de 2007 e vinha saracoteando em cima do caminhão com pinta de trio elétrico. E eu, contagiada pelas marchinhas, pelas várias cervejas e pelo pique da velhinha, pulei com vontade nas ruas de Ipanema.

Foi um dos momentos mais divertidos de uma das melhores férias da minha vida. A cena era surreal: a Dercy ali, sambando, hora em pé, hora sentada, e visivelmente feliz. Já eu, pra lá de bagdá, ao som de Alá Meu Bom Alá, aproveitei horrores. A foto não me deixa mentir. Estão vendo Dercy ao fundo?

Videntes, nós?
Não vou nem contar em detalhes a conversa que o Fredo e eu tivemos horas antes de ela passar dessa pra melhor. Mas resumindo, a gente comentou quando será que a Dercy ia morrer, que ela parecia eterna e que seria engraçado ver o William Bonner anunciar no Jornal Nacional que, "aos 115 anos, morre Dercy Gonçalves".

Bom, ela não morreu aos 115 anos e não foi o Bonner quem deu a notícia, mas ela se foi na tarde daquele sábado. Uuuuiii... Não quero nem pensar no que isso significa.

Descansa em paz, Dercy!

14 de jul. de 2008

memórias (parte I): piadas

Estava agora lendo o blog do Bruno Medina, o cara do Los Hermanos que escreve tri bem. Ele fez um post sobre piadas, contando o quanto odeia as pretensas historietas engraçadas. Qualquer pessoa sem talento pra piadista se identificaria com o que ele escreveu. Eu nunca proclamei odiar piadas, mas pensando bem, acho que odeio sim. E tenho até motivos bem fortes para isso.

Tem umas coisas da infância da gente que, definitivamente, podiam desaparecer da nossa memória. Mas são justamente essas que ficam. E não é que minha seletiva memória me obriga a guardar duas situações relacionadas a piadas? Uma delas foi altamente constragedora. Bom, as duas foram.

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos e me caiu nas mãos um livro de piadas. Meus padrinhos estavam passando uns dias lá em casa, e o meu padrinho tinha fama de bom piadista. Acho que o livro era dele. E eu, considerada uma criança extrovertida, esperta e engraçada, fui encorajada pelos (malditos!) adultos a escolher uma piada qualquer no tal livro e ler em voz alta para toda a família.

Jamais confie no uni-duni-tê. Eu caí numa piada que, além de longa (devia ter umas 5 páginas), era praticamente pornográfica. Falava de uma velhinha que, depois de décadas fazendo amor com o marido, descobriu que se colocasse um travesseiro embaixo da bunda, ficava mais gostoso. Nada demais, se eu não tivesse 7 anos. Sem entender lhufas, eu comecei a ler a piada bem alto. Os adultos quiseram enfiar a cabeça num buraco. O horror foi tal que eles me mandaram parar no meio. Não sei exatamente o que aconteceu depois, mas acho que eles aprenderam a nunca mais pedir para criança ler piada de sacanagem.

Na segunda situação, eu tinha mais ou menos a mesma idade e fui fazer uma daquelas charadas que vinham no papel do chiclé (será que ainda existe chiclé? Com charada, duvido). A pergunta completa eu não lembro, mas era daquelas "qual a semelhança entre isso e aquilo"? O problema era que, até então, eu só conhecia charadas de diferença, não de semelhança. E, como meu vocabulário na época não era lá muito vasto, eu simplesmente resolvi que semelhança e diferença eram sinônimos. Aí, é claro, ninguém matou a charada e quando eu li a resposta, queriam minha cabeça!

Acho que peguei trauma de piada depois dessas. Nunca me dei bem contando, já desisti faz tempo. E vamos combinar que, invariavelmente, quem conta piada é chato. Já viu alguém legal e naturalmente divertido adorar contar piada? Não existe. Abaixo os piadistas. E não incentive seu filho a ser um: ele pode se traumatizar para o resto da vida.