31 de jul. de 2008

quarteto em cy: pelos outros e por mim


Tem coisas que a gente faz mais pelos outros do que pela gente. O altruísmo, essa qualidade tão bonita, vale mesmo quando o beneficiado duvida que a boa ação seja realmente boa. No caso, o beneficiado era meu pai, a quem quase precisei levar a força ao show do Quarteto em Cy. Sim, o grupo vocal formado por quatro baianas já bem passadinhas, mas que continuam escrevendo, com muito mérito, a história da música brasileira.

Ultimamente eu tenho tentado incluir meus velhos em programas como este. É que agora eles moram em Porto Alegre - depois de terem passado pelo purgatório, digo (ops!), por Guaíba e Tramandaí. Durante o pouco tempo em que morei com eles aqui em Poa, eu era recém-saída dos 18 anos e a última coisa que pensava em fazer era qualquer coisa com meus pais. Hoje, isso é um prazer.

Desde que soube que o Quarteto em Cy ia se apresentar em Porto Alegre, eu botei na cabeça que meu pai tinha que ir. O problema era convencê-lo disso. Ele adora falar que vai fazer e acontecer, mas, na hora H, acaba ficando em casa.

(Parênteses: foi com meu pai que aprendi a gostar de música. Não que ele seja grande entendido no assunto (hoje em dia, a gente até "briga" por diferenças gritantes de gosto). Mas foi com ele que eu ouvi pela primeira vez Lupicínio Rodrigues e Beatles, e acho que é por causa dele que eu tenho esse gosto musical tão anacrônico para alguém que nasceu em 1977.)

Eu estava certa: ele amou o show. Não só ele, claro. Apesar de ser evidente que as "meninas" já não cantam como outrora - ainda mais depois de ter sido alertada disto por quem entende do assunto -, foi uma experiência única.

O repertório era Vinicus e Caymmi. Poderia ser melhor? Curti cada música e fiquei pensando quando e se um dia eu ouviria aquelas músicas cantadas ao vivo por pessoas que conviveram com esses gênios. Nada a ver com mediunidade (depois daquela da Dercy, sei lá...), mas me senti mais perto de Vinicus assistindo a este show. E do Caymmi também, que do alto de seus noventa e poucos anos, dificilmente fará um show novamente. E me pus a pensar: quão perto é possível chegar de alguém que já se foi? Acho que descobri uma maneira.

Mas o melhor de tudo foi ver meu pai aplaudindo cada música, fazendo comentários de "sensacional"... Eita... Vai ver ele sentia isso quando me levava pra ver qualquer coisa quando eu era criança. Circo, cinema, sei lá. As coisas vão se invertendo com o tempo.

22 de jul. de 2008

o bloco, a dercy e os videntes


Eu passei um momento muito legal bem pertinho da Dercy Gonçalves. Ela era a homenageada do Bloco da Galinha do Meio no carnaval de 2007 e vinha saracoteando em cima do caminhão com pinta de trio elétrico. E eu, contagiada pelas marchinhas, pelas várias cervejas e pelo pique da velhinha, pulei com vontade nas ruas de Ipanema.

Foi um dos momentos mais divertidos de uma das melhores férias da minha vida. A cena era surreal: a Dercy ali, sambando, hora em pé, hora sentada, e visivelmente feliz. Já eu, pra lá de bagdá, ao som de Alá Meu Bom Alá, aproveitei horrores. A foto não me deixa mentir. Estão vendo Dercy ao fundo?

Videntes, nós?
Não vou nem contar em detalhes a conversa que o Fredo e eu tivemos horas antes de ela passar dessa pra melhor. Mas resumindo, a gente comentou quando será que a Dercy ia morrer, que ela parecia eterna e que seria engraçado ver o William Bonner anunciar no Jornal Nacional que, "aos 115 anos, morre Dercy Gonçalves".

Bom, ela não morreu aos 115 anos e não foi o Bonner quem deu a notícia, mas ela se foi na tarde daquele sábado. Uuuuiii... Não quero nem pensar no que isso significa.

Descansa em paz, Dercy!

14 de jul. de 2008

memórias (parte I): piadas

Estava agora lendo o blog do Bruno Medina, o cara do Los Hermanos que escreve tri bem. Ele fez um post sobre piadas, contando o quanto odeia as pretensas historietas engraçadas. Qualquer pessoa sem talento pra piadista se identificaria com o que ele escreveu. Eu nunca proclamei odiar piadas, mas pensando bem, acho que odeio sim. E tenho até motivos bem fortes para isso.

Tem umas coisas da infância da gente que, definitivamente, podiam desaparecer da nossa memória. Mas são justamente essas que ficam. E não é que minha seletiva memória me obriga a guardar duas situações relacionadas a piadas? Uma delas foi altamente constragedora. Bom, as duas foram.

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos e me caiu nas mãos um livro de piadas. Meus padrinhos estavam passando uns dias lá em casa, e o meu padrinho tinha fama de bom piadista. Acho que o livro era dele. E eu, considerada uma criança extrovertida, esperta e engraçada, fui encorajada pelos (malditos!) adultos a escolher uma piada qualquer no tal livro e ler em voz alta para toda a família.

Jamais confie no uni-duni-tê. Eu caí numa piada que, além de longa (devia ter umas 5 páginas), era praticamente pornográfica. Falava de uma velhinha que, depois de décadas fazendo amor com o marido, descobriu que se colocasse um travesseiro embaixo da bunda, ficava mais gostoso. Nada demais, se eu não tivesse 7 anos. Sem entender lhufas, eu comecei a ler a piada bem alto. Os adultos quiseram enfiar a cabeça num buraco. O horror foi tal que eles me mandaram parar no meio. Não sei exatamente o que aconteceu depois, mas acho que eles aprenderam a nunca mais pedir para criança ler piada de sacanagem.

Na segunda situação, eu tinha mais ou menos a mesma idade e fui fazer uma daquelas charadas que vinham no papel do chiclé (será que ainda existe chiclé? Com charada, duvido). A pergunta completa eu não lembro, mas era daquelas "qual a semelhança entre isso e aquilo"? O problema era que, até então, eu só conhecia charadas de diferença, não de semelhança. E, como meu vocabulário na época não era lá muito vasto, eu simplesmente resolvi que semelhança e diferença eram sinônimos. Aí, é claro, ninguém matou a charada e quando eu li a resposta, queriam minha cabeça!

Acho que peguei trauma de piada depois dessas. Nunca me dei bem contando, já desisti faz tempo. E vamos combinar que, invariavelmente, quem conta piada é chato. Já viu alguém legal e naturalmente divertido adorar contar piada? Não existe. Abaixo os piadistas. E não incentive seu filho a ser um: ele pode se traumatizar para o resto da vida.

13 de jul. de 2008

só porque eu falei (pensei, escrevi)...

Juro que eu não tinha a menor idéia de que existia mesmo a intenção de fazer uma seqüência de Sex and the City - O Filme. Nem sei porque escrevi aquilo no post de 14 de junho. Acho que foi porque eu curti muito o filme e ele me deu aquela sensação de gran finale, e por um segundo imaginei uma desnecessária continuação.

Mas estava lendo antes o blog da Julia Petit e confirmei. Parece que já estão até negociando. Ok, quem sou eu pra ser contra, né? Que venha mais Carrie e Mr. Big. Agora convenhamos: os roteiristas vão apelar pra quê? Mais uma separação dos dois? Sim, porque mostrar o casal feliz pra sempre não vende ingresso de cinema. Ai ai... só de pensar, já cansei.

6 de jul. de 2008

a lei da divergência

Vamos falar do assunto da hora. A tal lei seca que começou a vigorar há uns 15 dias no Brasil está fomentando acaloradas discussões. E eu, ouvindo e lendo sobre, confesso que ainda não formei uma opinião definitiva a respeito.

Não é segredo que eu adoro uma bebidinha. Então, em tese, eu seria contra a tal lei, certo? Em parte. Não dá pra negar que a intenção é louvável. Sempre me indignei com os bebuns que saem dirigindo por aí, ameaçando a si e aos outros. Especialmente com os playboyzinhos, que se acham imortais dirigindo seus carrões. E também com os "véio grosso" com seus chevetes e belinas caindo aos pedaços e poluindo o ar. Se a lei servir pra botar um corretivo nessa gente, então tá.

Mas o que assusta é o risco de ser parada por uma blitz ao voltar de um restaurante onde eu dividi uma garrafa de vinho com meu marido. Na minha opinião (e com a minha experiência), 375 ml de vinho é uma quantia inofensiva. Era preciso haver uma estatística (talvez haja, não sei) que mostrasse a quantidade média de álcool ingerida por pessoas que se envolveram em acidentes graves. O questionável da lei é isso: colocar no mesmo nível quem bebe além da conta de quem bebe socialmente. E olha que eu, vez ou outra, me encaixo no primeiro grupo.

Só não estou mais preocupada porque já tinha me adaptado à lei antes mesmo de ela existir. E por um motivo bem mais nobre do que medo de soprar o bafômetro: a gente gosta de viver. Não é raro Fredo e eu irmos de táxi a festas mais animadas. Também nunca pegamos a estrada depois de beber (tipo Guaíba-Porto Alegre, Tramandaí-Atlântida, enfim, esses trechos que o pessoal faz como se estivesse indo à esquina). Sabemos que é melhor não confiar em bêbado, mesmo sendo nós mesmos.

Acho que o assunto ainda vai dar muito pano pra manga. Especialistas dizem que a lei tem furos, que é inconstitucional, blábláblá. Tem aquilo de ninguém ser obrigado a produzir provas contra si mesmo - ou seja, você pode se negar a soprar o bafômetro. Também tem o metabolismo de cada pessoa, que varia conforme peso, altura, sexo. E o mais preocupante: nesses últimos dias, parece que a polícia está mais interessada em pegar bebum do que bandido.

E aí ficam as perguntas: a polícia e o judiciário estão prontos para atender a demanda? Deve um delegado deixar de resolver roubos, seqüestros e homicídios para se ocupar de um motorista que bebeu dois ou três chopes? A lei que existia antes já não impedia que gente podre de bêbada dirigisse? Então por que não era cumprida?

Ainda estou formando uma opinião a respeito.

30 de jun. de 2008

maria vai com as outras

Graças à excelente idéia de colocar a rádio Gaúcha AM em uma freqüência FM (alguém me explica por que não fizeram isso antes?), eu soube do show Bailadêra, do grupo vocal Maria Vai Com as Outras. As integrantes foram entrevistadas pelo Ruy Carlos Ostermann na quinta à tarde, quando eu voltava de Novo Hamburgo na companhia do rádio do carro (que só pega FM).

Eu adoro grupos vocais, amo aquela combinação de vozes, as interpretações sempre tão criativas... Não dava pra não ir ao show das Marias, ainda mais sendo tão baratinho (doando 1 kg de alimento, míseros 10 reais). Foi no decadente Teatro Renascença, cheio de goteiras no sagüão e um cheirinho de mofo... Mas nada que comprometesse a performance das quatro cantoras e seus músicos, todos impecáveis, até onde meu parco conhecimento musical permite.

Aproveitei pra levar o pai e a mãe, que quase nunca fazem esse tipo de programa, e eles gostaram bastante. A prova de que o show foi bom é que o Fredo até bateu palmas no final. Nada demais se ele não abominasse aqueles momentos em que os cantores convidam a platéia para interagir, dançar, cantar, sabe?

No show, composições de Dona Ivone Lara (direto pro meu repertório), Ana Carolina, Tetê Espíndola, Ângela Rô Rô, Adriana Calcanhoto (inacreditável o que fizeram com Esquadros, uma das minhas preferidas), Marisa Monte e Chiquinha Gonzaga, entre outras menos conhecidas. Não por acaso (acho), todas compositoras mulheres. Ah, elas têm um blog: http://bandamariavaicomasoutras.blogspot.com.

O Ostermann tocou essa música da dona Ivone Lara durante a entrevista. Grudou no meu ouvido feito chiclete e me ajudou a decidir que valia a pena ir ao show. Salve dona Ivone Lara, salve Marias!

Alguém me Avisou

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho

Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar...

23 de jun. de 2008

ressaca carioca (agora com fotos)

Putz, tô mesmo na maior ressaca, o corpo pedindo uma noite bem dormida. Porque passar só o final de semana no Rio de Janeiro vale a pena, mas caaaansa! Cada minuto é precioso e dormir é a maior perda de tempo.

Praticantes do "botecoturismo" como somos (créditos: meu amigo Romualdo cunhou este termo no verão de 2003, durante nossas primeiras férias cariocas. A-DO-RO!), não deixamos por menos. Fomos a todos os nossos prediletos: Informal, Belmonte, Bracarense, Jobi, Conversa Fiada, Devassa. Em todos eles, nós - óbvio - bebemos e - nem tão óbvio - comemos. Empada de camarão, escondidinho, carne de sol desfiada com cebola, pizza... O resultado é uma sensação que mistura culpa e felicidade.

A noite de sexta foi na Lapa, do jeito que eu gosto: boteco, chope, cachacinhas e comidinhas, especialmente empadas, muitas empadas! De camarão com catupiry, claro. Tava um tumulto digno da mais movimentada noite da Cidade Baixa. Data esta que, certamente, não seria 20 de junho.

Na mesinha de calçada do Antonio's, na Lapa

No Rio, o primeiro dia do inverno veio abençoado pelo sol e por um calor de mais de 30 graus. Nosso sábado começou com o pitoresco passeio de bonde pelo bairro de Santa Teresa. No início deu medo, principalmente quando ele passou por cima dos arcos da Lapa. Falando sério: aquilo ali não respeita regras mínimas de segurança. Tem que fazer vista grossa mesmo e pensar que todos os dias milhares de pessoas andam no veículo, especialmente gringos, e se algum já tivesse morrido, teria dado no Jornal Nacional. Então não vai ser contigo que vai acontecer uma tragédia, né?

Vai por mim, é melhor pensar assim e fazer o passeio. Daí é relaxar e se divertir com os moradores que andam dependurados no bonde. O bairro é uma graça, tem um quê de Pelourinho e de favela... até comprei uns trecos numa lojinha supercharmosa! E almoçamos na Adega do Pimenta, um simpático restaurante alemão.

O Fredo no bonde de Santa. Parado, obviamente

Não era permitido fotografar esse armazém de
Santa... mas eu só descobri isso depois

Pra quem pensa que esta que vos escreve só gosta de pé sujo, chope e cachaça, nosso final de semana teve um momento chique. Os amigos Eti e Cadu nos levaram ao restaurante do Jockey Clube no sábado à noite. Excelente pedida, só que tem que ser sócio, dá licença? Nos divertimos horrores e depois ainda esticamos no Conversa do Leblon. Companhia agradável, comida boa, bebida idem... o que mais poderíamos querer?

E o domingo foi um delírio. Botecoturismo na sua mais profunda essência. Com direito a jogo do Grêmio (3x0 no Atlético-PR de pênalti!), afinal, não tinha nenhum time carioca jogando naquela hora e o garçom era legal. Por tudo isso, minha segunda-feira foi, digamos, quase inútil. Mas lavô, tá novo.

Entre as diversas excentricidades do Rio, quero destacar duas:
1) Em que lugar do Brasil tu escuta "uuuuuuh" ou “gooool!!!” durante um jogo entre Holanda e Rússia? No Rio. Foi engraçado ver os gringos torcendo por suas seleções na Eurocopa. E o Fredo até encontrou um alemão que trabalha no ramo de aço da ThyssenKrupp (torcendo pra Espanha, eu hein?). Colega!
2) Carioca estaciona na calçada como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Pedestre que se dane, ande na rua, perigando ser atropelado. Não gosto, acho o cúmulo da falta de civilidade. Calçada é feita pra andar! Só espero que essa moda não pegue.
P.S.: de novo não rolou meu encontro com o Chico... Incrível o nosso azar, ele nunca está no Rio quando eu vou pra lá... aposto que foi pra Paris. Someday, someday...

19 de jun. de 2008

parabéns, Chico!

Ao meu querido Chico, felicidades, muitos mais anos de vida. Que a inspiração e o talento continuem povoando tua mente e nos brindando com muitas músicas, poesias, livros e tudo o mais o que quiserem produzir.

Estou indo aí te ver. Quem sabe não nos encontramos pelas ruas do Leblon nesse findi?

Muitos beijos de sua grande admiradora. Lóvia!

14 de jun. de 2008

uma ode ao amor... e à futilidade

Ontem eu falava sobre sentir saudade de livros. Tem uma outra coisa de que eu também sinto muita saudade: Sex and the City. Durante uns cinco anos a série foi uma espécie de alimento pra mim, era um compromisso inadiável. Mas aí ela terminou e eu fiquei devastada, órfã, igualzinho àquela sensação de quando os bons livros acabam.

Hoje matei a saudade indo ao cinema assistir a Sex and the City - O Filme. Nada menos do que o gran finale de uma história que acabou no momento errado. Não podia ter terminado ali, com tantas coisas a serem resolvidas. Como sobreviveríamos sem saber o que de fato aconteceria com Carrie e Mr. Big? Ok, ele foi atrás dela em Paris, e foi lindo, mas e aí? Daria certo?

Os críticos obviamente falaram mal do filme. O que eles precisam entender é que esse filme não foi feito para os críticos, mas para os fãs. Danem-se os críticos. E o roteiro nem é tão ruim quanto disseram. Who cares se Manolo Blahnik, Lois Vuitton e Vivienne Westwood são tão personagens quanto Carrie e Samantha? Não fosse assim, não seria Sex and the City.

Ok, eu admito: essa é uma opinião de fã. Portanto, carece de qualquer bom senso e critério. Se eu fosse isenta, criticaria o filme de cabo a rabo, diria que ele é raso como um pires e fútil como Paris Hilton. Mas não. Para uma saudosa fã, nada disso importa. Eu era uma sedenta consumidora que teve suas expectativas totalmente satisfeitas.

E vejam do que estamos falando: da insegurança de ter quarenta anos e ser burocraticamente pedida em casamento por um cara que já aprontou todas. Do estranho sentimento de quem sempre foi autêntica estar vivendo a vida de outro. Do medo de que alguma coisa estrague a felicidade extrema. Da dor de ser traída pelo homem amado. Histórias de qualquer mulher, certo? Releve o fato de elas viverem em Nova York em meio a sapatos e vestidos de grife.

Definitivo (espero sinceramente que não façam uma desnecessária seqüência), emocionante e... fútil. Sex and the City é uma ode ao direito que toda mulher tem de ser piegas, apaixonada e totalmente fútil.

13 de jun. de 2008

saudade dos livros e do rio de janeiro

Eu tenho saudade dos livros que leio. Quando termino um, me dá um aperto, fico com aquele olhar vago, um sorriso pequeno. Fico pensando se não era de ler tudo de novo.

Se o livro era emprestado, então... ler o livro dos outros é ótimo por um lado, mas, ao devolver (eu tenho essa mania de devolver), fico me sentindo meio órfã, com uma vontade louca de não me desfazer dele. Fico pensando se não é de comprar o livro só pra tê-lo por perto.

Os últimos que me arrebataram foram um generoso empréstimo da Mimi, ambos do Ruy Castro: 'O Anjo Pornográfico', a biografia do Nelson Rodrigues, e 'Ela é Carioca', a enciclopédia do bairro carioca de Ipanema. Além de ter ficado fã do Ruy, que tem um texto incrível, eu também virei fã do Nelson, esse cara que eu conhecia tão pouco, mas de quem agora me sinto íntima.

Ler 'Ela é Carioca' veio bem a calhar. É que eu vou para o Rio de Janeiro na semana que vem. Vou pro Rio!!! Isso merece muitos pontos de exclamação. Fizemos uma compra por impulso - quem resiste a uma promoção da Gol com trecho a 1 real?

Como agora eu me sinto mais íntima de Ipanema do que nunca, vou lá dar uma conferida nas coisas que aprendi com o Ruy Castro. Pena que muita coisa já não existe mais. Mas vou lá matar a saudade mesmo assim, do ontem e do hoje.

E em homenagem ao meu inesperado final de semana no Rio de Janeiro, um pouquinho do carioquíssimo e ipanemense Tom Jobim. Só porque eu vou pousar no Galeão. E porque estou, sim, morrendo de saudade.

Samba do Avião

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar, praias sem fim
Rio, você foi feito pra mim

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar

9 de jun. de 2008

que lambança

Desde sexta-feira todos os gaúchos estão ligados nos acontecimentos políticos do Estado. Fazia tempo que não se via uma lambança tão grande por aqui. Resumo da ópera: vice-governador (que nunca se deu com a governadora) grava conversa comprometedora com o chefe da Casa Civil, em que este afirma que os grandes partidos - citando PP e PMDB - são financiados por instituições públicas como Detran, Daer e Banrisul.

Merda feita, agora todos nós temos que agüentar a ladainha do deputado Busatto (já demitido) dizendo que estava se referindo ao loteamento de cargos nos órgãos públicos. Ou seja, os CCs financiam os grandes partidos "doando" parte dos seus salários. Ora, pois. O deputado resolveu implantar orelhas de burro e nariz de palhaço em toda a população. A explicação não convence nem o seu mais fiel eleitor.

Ele não disse nada que todos já não soubessem ou, no mínimo, desconfiassem. Mas enquanto não há provas - ou confissões - não há fatos, certo? Tem que ter uma operação da Polícia Federal, uma investigação. O que impressiona é a ingenuidade explícita, a confissão aberta a um inimigo - sim, o vice-governador sempre foi um inimigo do governo Yeda.

Incrível também é a autofagia do governo estadual. Eles estão se destruindo sem que a oposição mova um dedo sequer. Ao contrário do que normalmente acontece - a oposição procurando agulha em palheiro para condenar e difamar o governo a qualquer custo -, eles mesmos estão fornecendo subsídios para que sejam detonados pela bancada oposicionsita e pela sociedade.

Não louvo a atitude do vice-governador Feijó. Será que se sustenta como político depois dessa? Ele traiu um pacto velado que eu imagino existir neste meio, de simplesmente eles aceitarem a corrupção (e se beneficiarem dela). É assim mesmo que funciona, não é, deputado Busatto?

Tudo isso também é uma boa resposta (ou pergunta: viu? viu?) àqueles que votaram na Yeda para tirar o Olívio do segundo turno. Nunca um tiro saiu tão pela culatra como este. Ela nem devia ser nossa governadora, porque votaram nela sem querer elegê-la. Ô, culatra!

O que pode acontecer agora? Tem gente falando em impeachment, eu não iria tão longe. Espero, apenas, que o governo Yeda possa retornar ao trabalho e tocar em frente a gestão, porque o Rio Grande do Sul não pode parar. Independente de quem ocupe o Piratini.

5 de jun. de 2008

assistir ao Cirque du Soleil com tudo pago, literalmente, não tem preço


Eu já me considerava a maior das sortudas por ter ido ao show do Ney Matogrosso no ano passado, a convite da RBS, num Theatro São Pedro aberto somente para VIPs. Ontem minha sorte se confirmou, porque nem presidente de entidade eu sou mais, e mesmo assim Fredo e eu fomos lépidos e fagueiros assistir ao Cirque du Soleil, em uma apresentação exclusiva para nada menos que 2,5 mil convidados do mesmo conglomerado de comunicação. Sim, eu estava lá!

O Cirque du Soleil está em Porto Alegre há quase um mês e nem por um momento eu cogitei ir. Não que eu não goste dessas coisas, bem pelo contrário. Mas não compramos os ingressos com antecedência (tem gente que comprou há um ano) e depois o preço foi para as alturas. Assim, ignorei solenemente a estada do circo mais famoso do mundo na minha cidade.

Mas eis que surge, como por milagre, um inesperado convite em meu nome, com direito a acompanhante. Só tinha um problema: eu não era exatamente a convidada. Quem recebeu o convite foi a presidente da AJE-POA, cargo que desocupei há quase 6 meses. Mas o que fazer com aquele aviso de "pessoal e intransferível" em nome de Fernanda Vier?

Ora, não precisei pensar meia vez. O convite era do Ricardo - o presidente - e da Fê, meus amicíssimos. But... não custava nada perguntar se não era possível conseguir um convite a mais. Bingo! Mérito da Grazi, que com sua tradicional cara-de-pau (isso é um elogio!), em poucos minutos garantiu ingressos a todos. Eba!

É claro que o espetáculo foi ótimo. É tudo aquilo que falam mesmo, de deixar o vivente embasbacado. Continuo achando que eu não colocaria 400 reais ali, mas, com o Nelson bancando, isso virou mero detalhe. Não que não valha, mas avessa a supérfluos como sou, teria preferido esperar o show de algum dos meus cantores prediletos.

Talvez tenha sido meu último suspiro presidencial (será que eles vão atualizar o mailing?), mas como valeu a pena. Valeu ter trabalhado como uma moura pela AJE e, claro, pelas poucas - mas inesquecíveis - regalias.

1 de jun. de 2008

by the way...

Não foi exatamente o melhor domingo da história, embora eu o tenha passado mais ou menos como quase todos os últimos: no sofá, assistindo a meia dúzia de seriados estadunidenses e com o notebook no colo, navegando na web e trabalhando um tiquinho.

Mas também, né. Desde a última quinta-feira o frio aportou por essas bandas indócil. E olha que faltam quase 3 semanas pro inverno! Não deu outra: acordei hoje malexa, com uma sensação desagradável de gripe. Acho que a saída de ontem à noite ao show da Karine ajudou a me deixar nesse estado, porque ficamos um tempo ao relento e o teatro não era dos mais quentes.

By the way, o show da minha profe foi nota 10. Minhas convidadas - mãe, Bel e mana - adoraram. Fiquei tão feliz. A Karine é um supertalento e merece ser reconhecida.


O bom é que agora eu tenho uma médica particular que dá consulta pelo messenger. Que ninguém do Cremers leia isso, mas a minha maninha mata a pau. Ela já sabia tudo de drogas (ok, medicamentos), porque quase se formou farmacêutica, mas agora que migrou para o sonhado curso de medicina, sabe tudo e mais um muito. E eu, diante da menor anormalidade fisiológica, discuto com ela os sintomas antes de tomar qualquer decisão.

Se já é ótimo ter uma estudante de medicina na família, imagina uma médica. Falta uns aninhos ainda, mas a gente espera, né, neném?

By the way, incrível a diferença entre minha irmã e eu neste aspecto. Então outro dia eu não fiquei com náuseas simplesmente por ler textos da área da saúde, por conta de um projeto da Doxxa em que tivemos que produzir conteúdo para o site de uma empresa do ramo? Sem falar em ambiente de hospital, conversas sobre doenças, papo de hipocondríaco, cheiro de remédio. Odeio muito tudo isso. Já minha irmã não sabe viver sem.

Mas uma coisa temos em comum: gostamos de House, a série do médico brilhante e ranzinza que passa no Universal Channel. Aliás, eu dei a dica pra ela sobre o seriado, mas ela demorou a se render aos (des)encantos de House porque achava que iria "trair" ER. Ora, até parece, House é muito melhor. Apesar de uma ou outra cena mais explícita de piripaques, cirurgias, biópsias e etc., tudo é compensado pelo sarcasmo inteligente do protagonista.

E o melhor é que até os professores do curso de medicina da PUC assistem! Ahan, mana told me. Pois não é que as investigações e os diagnósticos aparentemente malucos da série têm fundamentação científica? Nos EUA, um médico analisou cada episódio, constatou a veracidade e publicou tudo num livro. House subiu no meu conceito quando soube disso.

Bueno, era isso. Se o analgésico que eu acabei de tomar não me derrubar antes, vou assistir agora a Desperate Housewives, minha outra paixão televisiva. Até a próxima.

31 de mai. de 2008

mais ceumar

Escrevi sobre a Ceumar em março, quando estava recém começando a conhecê-la. Desde então, devo ter ouvido as músicas dela umas mil quatrocentos e cinqüenta e cinco vezes. É só o que dá no meu mp3 e no meu windows media player. Não canso de ouvir! Agora só falta ela fazer um show em Porto Alegre. Estarei na fila do gargarejo.

Na aula de canto da semana passada, cantei uma música dela pela primeira vez: O Seu Olhar. Não foi muito fácil não. O problema é que a referência que eu tenho, obviamente, é a voz dela, a interpretação dela, e nem que eu nasça de novo mil vezes eu vou conseguir cantar como Ceumar.

Na próxima semana vou cantar "Lá", uma música superzen, como disse a Karine. Tentei cantar uma vez na última aula, mas foi um desastre. Preciso entender melhor a música, ouvir mais a melodia. E dar um jeito de enfiar mais ar nos meus pulmões!

No site da Ceumar, ela comenta a canção: "do cantor e compositor baiano Péri, a música conduz a uma busca pessoal de paz, espiritualidade, encontro. LÁ é mesmo dentro da gente...". Olha só que mimo de letra:

Lá onde o sol descansa
Amarra sua luz no vento que balança
No veio do horizonte o meio que arredonda
Um caminho de paz

Lá onde a dor não vinga
Nem mesmo a solidão extensa da restinga
Até aonde a vista alcança é alegria
Um mundo de paz

Lá onde os pés fincaram alma
Lá onde os deuses quiseram morar
Lá o desejo lá nossa casa lá

Lá onde não se perde
A calma, o silêncio nada se parece
Nem ouro, nem cobiça, nem religião
Um templo de paz

Lá onde o fim termina
Descontinua o tempo o tempo que ainda
Herança que deixamos do nosso lugar
Um canto de paz

Lindinha, né?

Em tempo: hoje à noite vou ao show da Karine Cunha, minha professora de canto. Ela se apresenta no Teatro Novo do DC. Vai ser um programa familiar: vou levar minha mãe, minha irmã e minha prima Bel. O Fredo vai ficar em casa (afinal, já vimos esse show uns meses atrás, no Teatro do Sesc) assistindo ao último capítulo de Duas Caras, pra me contar tudo depois. Amanhã digo como foi (o show, não a novela).

26 de mai. de 2008

tchaaaaaaaauuuu!!!


Não é no sentido de já vai tarde, como pode estar parecendo, mas o Guga tá exagerando nas despedidas! Faz 6 meses que ele está dando adeus às quadras! Deu, né?

Quem lê pensa que eu me importo com os rumos do tênis mundial, mas se tem um esporte que eu não entendo lhufas (e não assisto) é esse. Só que o manezinho da ilha conquistou todo mundo, até os maiores leigos no assunto. Não dá pra não ir com a cara dele.

Valeu, Guga. Espero que o Brasil consiga formar outro que nem tu (de preferência, tão simpático quanto). Em país de futebol, e a exemplo do que acontece na Fórmula 1... sejamos otimistas. Sempre tem um pai rico a fim de bancar o sonho do filho, ou o seu próprio.

A foto ali em cima é do Rubens Chaves.