2 de mai. de 2010

borboletas no estômago


Então as coisas vão acontecendo e me deixando assim, meio tonta. Tudo o que penso e faço e vejo é para a viagem de daqui a alguns dias, aquela tão sonhada, aquela acalentada durante anos e anos, desde que me entendo por gente, talvez. Aquela que deveria ter acontecido de outro jeito, num outro momento, ou não, porque daí não seria esta viagem, teria sido outra. Esta é esta, aquela é aquela, e aquela não aconteceu, pronto. Let’s change the subject.

Será minha primeira vez em um avião com três fileiras de cadeiras, cada fileira com três cadeiras, o que faz com que este avião tenha nove fileiras de cadeiras. Ou melhor, de assentos. Avião tem assento, não cadeira. Já era hora de eu saber disso. Também será a primeira vez que ficarei mais de dez horas dentro de um avião, sobrevoando um oceano. Será a primeira vez que pisarei no Velho Mundo, aquele das aulas de história e dos filmes épicos. São tantas primeiras vezes que acho melhor parar por aqui.

Já ando pensando como e o que vou escrever quando voltar. Primeiro: pretendo me esforçar para deixar a pretensão de lado e escrever como uma boa turista de primeira viagem. Que é o que sou, for God's sake. Não posso querer escrever ou pensar como parisiense, praguense, muniquense, amsterdanense. Não tem jeito, serei mais uma brasileira deslumbrada a descobrir as maravilhas do outro lado do Atlântico, a contar centavos de euros pra ver se dá pra jantar naquele restaurante bacana, a invejar a vida europeia, o glamour de Paris, as cervejas alemãs, os telhados alaranjados de Praga, os cafés de Amsterdam. E serão tão poucos e breves dias em que tentaremos ver e fazer tudo o que pudermos, mas também tentaremos andar à toa pelas ruas, ouvir as línguas estranhas, observar as pombas nas praças, apontar para o lixo na rua e dizer "viu, viu! aqui também tem sujeira, não é só no Brasil". Ou não.

Seja como for, juro, prometo que vou escrever como uma iniciante, com todo o direito de errar, de falar a maior bobagem do mundo, a ponto de me acusarem de louca, de perguntarem "mas você esteve na mesma Paris que eu estive???". Porque a gente só consegue sentir um lugar, saber um lugar, depois de ir duas, três, muitas vezes. E mesmo assim (então não falei há poucos dias sobre minha incrível visão míope do Rio de Janeiro? então não versei sobre minha segunda vez em Búzios, dez anos depois?), nunca conheceremos, nunca saberemos como eles, como os que lá são o que eu sou aqui em Porto Alegre, e olhe que nem portoalegrense eu sou (que o digam os amigos guaibenses que se entristecem ou se ofendem ou me xingam ou só acham graça do meu menosprezo - a esses últimos, obrigada pela compreensão).

Então aqui estou eu, escrevendo pela primeira vez sobre a viagem que planejo há meses. Apenas cinco dias me separam dela. Minha lista de afazeres turísticos inclui muitas compras em freeshops e pontas de estoque europeias descobertas internet afora, porque sou mulherzinha até dizer chega. Mas inclui, sobretudo, sentir. Viver. Ver. Comer e beber, talvez não nessa ordem. Andar, me cansar, não entender, me perder, me encontrar. Falar inglês (detalhe: não vou a nenhum país de língua inglesa, God have mercy). Levar patada de algum francês mal-humorado. Me sentir cosmopolita uma vez na vida.
Sinto borboletas no estômago. Foi meu professor de inglês, o Marlo (que me ajudou a estar neste momento com a língua da aunt Elisabeth praticamente desenferrujada), quem me falou isso. Do you feel butterflies in your stomach? Sim, sinto. Muitas borboletas. Não dá pra fingir que é só mais uma viagem. It's big deal. Por mais piegas, por mais clichê que isso pareça, é a realização de um sonho.
Meu próximo post será, muito provavelmente, só em junho. É rapidinho. Vou ali e já volto.

Au revoir!

19 de abr. de 2010

os pseudorreligiosos

Pergunte aos seus amigos, colegas e conhecidos qual é a religião deles. Salvo um ou outro, a maioria dirá: sou católico, mas não-praticante. Ou então eles darão aquela resposta pronta de revista de celebridades: "Não sou religioso, mas tenho espiritualidade. Acredito em uma força superior que olha por nós..."

Será que é assim tão difícil dizer simplesmente que não se está nem aí para religião? Em nosso país, parece vergonhoso ou imoral não ter uma religião, principalmente não ser católico. Você não pode ser ateu ou agnóstico, mas tudo bem se não frequentar a igreja. Você comunga a cada dez anos e fecha os olhos para rezar o Pai-Nosso quando almoça na casa daquele tio meio crente, e tudo bem se vive a dizer heresias e a proferir o nome de Deus em vão. Você faz questão absoluta de se casar na igreja e de batizar seu filho, e esses eventos estarão entre a meia dúzia de vezes em que você ficará frente a frente com um padre na sua vida. E depois ainda irá praguejar contra esses mercenários que ficam cobrando o dízimo e obrigando você a ir à missa de preparação para a primeira comunhão do seu filho.

Mas você faz tudo isso mesmo assim. Porque é como manda o figurino. Você não quer ir para o inferno, afinal de contas. Deus perdoa bem mais fácil os pecadores devidamente sacramentados. Ele certamente perdoará você, que é um honesto pai de família, só quer o bem do próximo (com exceção daquele seu vizinho chato) e é batizado, crismado e casado com a benção do sacerdote da paróquia mais próxima.

O Brasil é um país católico, dizem. Se houvesse estatísticas reais (talvez existam, não sei), elas provavelmente mostrariam que essa maioria católica está fortemente baseada nesses pseudorreligiosos. É engraçado, até. Mesmo diante de uma igreja tão desacreditada, cuja história, muitas vezes hedionda, aponta a culpa ou responsabilidade por tantas guerras e povos dizimados, mesmo com as incontestáveis evidências de que o Vaticano usou, ao longo dos séculos, todo o seu poder em benefício de seus próprios interesses escusos, mesmo com a incrível multiplicação de padres pedófilos pelo mundo, mesmo assim, ao menos no Brasil, as pessoas ainda fazem questão de ser - ou de parecer - católicas. Como se desse título dependesse o seu lugar no reino dos céus.

***

Esta crônica foi escrita em sala de aula, no dia 12/04/2010, para a disciplina Escrita Criativa da Faculdade de Letras da PUCRS, ministrada pelo professor Charles Kiefer. O tema proposto era religiosidade.

Valia 2,0. Tirei 1,9. Humpf.

A propósito, de certa forma o texto é uma crítica a mim mesma, católica não-praticante que só reza quando o avião decola, nascida em uma família extremamente católica e com direito a mãe ex-freira, pasme. Ainda assim, na adolescência me desliguei desses assuntos, não me crismei e nem me casei na igreja. Mas, com certeza absoluta, batizarei o filho que um dia terei, e provavelmente o matricularei na catequese. Depois, acho que deixarei que ele cresça e se entenda por gente, para que então, quem sabe, escolha uma religião para si. É, acho que é por aí.

8 de abr. de 2010

deixa assim

Capital da violência ou paraíso tropical? Clichês à parte, o Rio de Janeiro me encanta tanto que chega a doer. Sonho com o dia em que poderei financiar no mínimo uma longa estada por ano na cidade. Enquanto isso, vou vivendo das memórias de cada segundo que lá passei. E fico esperando ansiosamente pela próxima promoção de companhia aérea.

O Rio, por si só, já é um clichê. Não é a imagem automática que todo estrangeiro tem do Brasil? A cidade maravilhosa entoada em mil versos? O cartão postal capaz de representar um país inteiro? Pensando assim, dá até pra dizer que todo brasileiro é um pouco carioca!

Se o Rio é o próprio clichê, é também a mais pura contradição. É onde muitos querem estar, e de onde tantos querem fugir. É onde o pobre tem vista para o mar e o rico vive atrás das grades. Abriga a intelectualidade da Zona Sul e a futilidade da Barra da Tijuca.

Visão deturpada? Estereotipada? É provável que sim. Cariocas, não se zanguem! Não passo de uma turista. Até tento parecer nativa, mas o desbotado da pele e o sotaque sem chiados me denunciam em segundos. Não tenho a pretensão de descrever o Rio dos cariocas, mas sim o de uma visitante esporádica. E cegamente apaixonada.

Mas e se eu me mudasse pro Rio? Bom exercício. Adoro me imaginar vivendo nos lugares que visito. E todas as vezes em que estive no Rio, essa imagem quase se materializou diante de meus olhos.

Eu moraria em Ipanema. Também poderia ser no Leblon. Numa daquelas ruas transversais às avenidas. O prédio teria grades e segurança. Mas, uma vez do lado de fora, eu estaria livre, a poucos passos da orla. Eu seria bronzeada e sarada, afinal, me exercitaria todas as manhãs no calçadão e na praia. Nos finais de tarde, iria com as amigas a um boteco pé-limpo e tomaria chope da Brahma. Nos finais de semana, me remelexeria nas casas de samba da Lapa.

Você dirá: não é bem assim. E eu direi: ESSE é o Rio que me dói. Assim é o Rio das minhas lembranças. Não estrague meus sonhos. É desse Rio que eu quero sentir saudades. Então, fazendo o favor, deixa assim.
***
Este texto foi originalmente escrito a mão, no dia 31 de março de 2010, na aula de Leitura e Produção Textual da Faculdade de Letras da PUCRS. Depois da correção e das pertinentes considerações da professora Jocelyne Bocchese, ele foi revisado e adaptado para melhor se enquadrar aqui no blog.
Poucos dias depois, chuvas implacáveis caíram sobre o Rio de Janeiro, fazendo centenas de vítimas. No noticiário, o Rio e as cidades do entorno são cenários desoladores. Por isso, achei que seria um bom momento para publicar o texto. O Rio de hoje - 8 de abril de 2010 - não é o que eu quero guardar na memória, mas é o que está precisando de ajuda. Força a todos os cariocas e fluminenses.

5 de abr. de 2010

não me conta


Acho incrível a facilidade que algumas pessoas têm de contar para quase estranhos suas coisas mais íntimas. Sabe aquela clássica frase "não me conta"? Quando acontece comigo, é isso o que eu realmente gostaria que a pessoa fizesse. Da minha boca sai "não me conta", mas à minha cabeça só vem "não me conta, eu não quero saber, eu não te conheço, não me conta!"

O que faz uma criatura falar a uma pessoa que conheceu anteontem e com quem não conversa mais do que trivialidades que está sendo traída pelo marido? Ou que está atolada em dívidas? Que está com infecção urinária? Que o filho tem problemas com drogas? É carência? Falta de assunto? Uma maneira de chamar a atenção? Por que um quase desconhecido se sente tão à vontade na minha presença a ponto de me transformar em ouvinte e conselheira?

Ninguém é obrigado a se interessar pelos assuntos alheios. Quem nunca se viu no desconforto de ter que fingir interesse, devolvendo interjeições, caras e bocas, mas se sentindo incapaz de dizer qualquer coisa que não soe fora de lugar? Ou então fazendo de conta que escuta enquanto, na verdade, a cabeça está focada em seus próprios problemas (ou em como não queria estar ouvindo aquela história)?

Eu falo das minhas coisas mais pessoais a bem pouca gente. Não defendo o não falar, o guardar para si, apenas não consigo me abrir a quem não me conhece pelo menos um pouco. Sempre que tentei fazer diferente, me senti meio idiota, como se estivesse jogando fora palavras sem significado. Prefiro ter certeza de que meu interlocutor tem interesse no que eu digo. Que me entende, que nutre simpatia e empatia por mim. É raro encontrar isso em um estranho.

Para ser sincera, meu sentimento em relação a essas pessoas tão abertas é ambíguo: sinto inveja e até certa admiração, porque não tenho essa habilidade. Mas sinto também um pouco de pena, porque acho que essa ausência de critério sobre “o que falar para quem” pode ser um sinal de desespero, um pedido de socorro. Mas também pode ser a mais pura e simples falta de noção.

Pode parecer incoerente eu escrever em um blog público sobre esse assunto, justamente quando me confesso tão reservada em relação a assuntos mais íntimos. É que escrever é um bom e necessário exercício para quem é assim como eu. Não pretendo relevar segredos recônditos através dos meus textos – vou continuar reservando-os aos amigos mais próximos –, mas aos poucos vou perdendo o receio de expor opiniões e sentimentos. Já é uma evolução. Para uns, podem ser apenas palavras à toa. Para outros, podem significar alguma coisa, mesmo tendo sido escritas por uma estranha.

26 de mar. de 2010

2 de mar. de 2010

bons e maus palavrões


O Fredo não gosta que eu fale palavrão. Ele fica chateado, por exemplo, quando a gente discute por bobagem e eu meto um palavrão no meio. Tipo, ah, vai te foder. Ele fica horrorizado, tadinho. Não sei como ele ainda não se acostumou, porque sempre fui meio desbocada.

Mas tem isso, né. Tem gente que não gosta de palavrão. Pessoas que têm os ouvidos sensíveis e acham que dá pra dizer o que se quer sem lançar mão deles. O Fredo mesmo, só fala em situações extremas, como pra xingar alguém no trânsito. "Vai tomar no teu cu" é a expressão preferida nessas ocasiões. E mesmo quando está bem brabo comigo, ele nunca me manda pra lugar nenhum. É um gentleman.

Só que eu acho que o palavrão tem um papel importantíssimo na nossa linguagem. Não adianta, tem coisas que a gente quer falar que só um palavrão consegue materializar. Não dá pra usar outras palavras quando a intenção é mandar alguém "se foder" ou "tomar no cu". Eufemismos como "vai pro inferno" ou "vai te catar" não têm o mesmo impacto.

E tem outra: hoje em dia a gente quase nunca fala palavrão pra insultar alguém. Na maioria das vezes ele serve pra enfatizar alguma coisa. O palavrão perdeu a conotação ofensiva no uso cotidiano. A gente diz que uma coisa é “muito afudê” (ou "a foder", sei lá como se escreve isso) quando achou muito bom, tri legal. Dizer que algo é "foda pra caralho" também é um super elogio. Chamar um amigo de "filho da puta" (ou "fiá da puta") ou a melhor amiga de "puta" não vai arruinar a amizade.

O significado literal dos palavrões, aliás, pode ser objeto de uma análise muito interessante. Por exemplo, "filho da puta" nunca, nunca quer dizer que a mãe do interlocutor trabalha na zona do meretrício. "Vai te foder" nunca significa que eu queira que o outro vá copular. Dizer que alguma coisa "é foda" não quer dizer que ela seja uma relação sexual. "Vai tomar no cu" também não significa que... ahn, você entendeu.

Eu vejo gente muito educada falando palavrão. Digo educada em termos de formação acadêmica mesmo. E pessoas mais velhas. Empresários. Professores. Médicos, advogados. TODOS falam palavrão. "Escrevi uma petição que ficou do caralho". "Hoje o plantão foi foda". "Mas que baita filho da puta, tirou 10 na prova". Sempre com a melhor das intenções.

Eu prefiro palavrões assim, bonzinhos, embora use as duas modalidades com certa frequência. É que a questão não é o mau palavrão em si, mas sim que, se você precisou dele, é porque estava em apuros, meteu-se em alguma situação complicada. E aí o palavrão é o menor dos problemas.

Seja como for, tem horas que só um palavrão consegue exprimir nossas mais profundas emoções - boas ou más.
(que do caralho essa frase)

24 de fev. de 2010

confesso


Adoro histórias. Confesso, gosto até das comuns, fúteis, mundanas. E também das profundas, edificantes. Whatever. Sabendo discernir entre o que te edifica e o que te entretém, é só relaxar. E se deixar envolver.

É por isso que eu confesso que...

...eu vejo Big Brother. E não resisto a uma novela das oito (aquela que começa depois das nove). Como diria o poeta e filósofo Pedro Bial, sempre dou uma espiada. Nem que seja pra falar mal, apontar furos, dar risada. Ou dar de ombros.

...meu controle remoto adora parar em America's Next Top Model, Brasil's Next Top Model, Project Runway, American Idol e tudo quanto é reality show que tem por aí. Até Supernanny.

...sou viciada em Desperate Housewives e em Brothers & Sisters.

…morro de rir com Two and a Half Man e The Big Bang Theory.

...gostaria de não perder tantos episódios de House.

...me comovo com as histórias de Cold Case.

...me impressiono com os casos de Law & Order SVU.

...sinto saudade de Sex and The City e vejo as reprises sempre que posso, mesmo sabendo de cor.

...gostaria de ter acompanhado Friends no tempo em que era inédito. Ainda assim, adoro.

...de vez em quando vejo Gossip Girl e acho ótimo.

...fiquei triste quando soube que cancelaram Ugly Betty na quarta temporada.

...preciso de uma nova série para chamar de minha. The Good Wife está entre as candidatas.

...entre um livro e outro, sempre dou um jeito de encaixar um best-seller.

...entre um filme e outro, sempre descubro um blockbuster que vale a pena. Tá, vá lá, não seeeempre...

...choro (muito!) em comédias românticas. Até nas mais toscas.

...agradeço o advento da TV a cabo neste país e na minha casa em especial. Nada como ter sempre uma (boa?) história ao alcance do dedo.

10 de fev. de 2010

uma barata a menos no mundo


Tem uma barata no banheiro do escritório. No banheiro que usamos como uma espécie de copa-cozinha-área de serviço. Nesse exato momento ela está ali, fuçando a louça da pia.

A culpa é minha, quem manda querer ser elegante comendo banana? É que eu tenho a mania de comer banana com garfo, picada em rodelas numa tigela de vidro. O problema é que a tigela é prontamente depositada sobre a pia, ainda cheia de resíduos da fruta. Só penso em lavá-la no final do dia, ou, pior, na manhã seguinte.

É, eu dei muito mole pra essa barata. Lá está ela. Lambendo os restos da minha banana.

Elas até que são raras por aqui, as baratas. Em quase quatro anos, essa deve ser a terceira que aparece. Também, com o calor que tem feito, elas estão se proliferando como nunca. Submergem de todos os buracos da cidade, escalam paredes, canos, saídas de ar. Sei lá como essa veio parar aqui. Barata não tem medo de altura, nem de escuro. Nem de cheiro ruim.

E agora, o que eu faço? Grito? Hoje em dia eu não tenho mais o pânico de antigamente, não berro, não subo na cadeira nem saio correndo. Já fiz muito isso, mas não mais. Ora, sou adulta. Sei que é ela quem deve estar morrendo de medo de mim. Sou muito maior do que ela. Posso matá-la em um décimo de segundo. Ela deve ter conhecido milhares que morreram assim, assassinadas por alguém como eu.

O problema é o nojo. De aranha eu tenho medo, porque tem veneno, e aquelas perninhas, e... Mas pelo menos aranha não se cria em esgoto, não curte um cocô. Que eu saiba. Até lagartixa eu aprendi a respeitar. Me convenceram que ela se alimenta de insetos, então antes uma lagartixa do que um monte de bichinhos com asas em volta dos meus lustres. E elas também não andam sobre excrementos, até onde eu sei.

Mas barata não. Essas são da pior espécie possível. Feias, imprestáveis. E não me venha com aquele papo de equilíbrio ecológico. Eu duvido - DUVIDEODÓ - que a natureza ia sentir falta das baratas. Bem capaz.

Voltando à barata do banheiro. Se eu tentar matá-la, ela vai fugir, e eu vou ter que correr atrás dela. Coisa desagradável. Além de arriscada! Posso tropeçar, cair, quebrar alguma coisa. E com certeza vou gritar. Muito. Aí os vizinhos podem estranhar, vão bater aqui, perguntar se está tudo bem. Melhor não. (ok, eu acabei de dizer que os gritos eram coisa do passado, mas se houver perseguição não tem jeito, vai ter sonoplastia).

E se eu resolver realmente acabar com a raça dela, não posso esquecer que estou usando uma rasteirinha. Como vou dar a necessária chinelada? Nem é nova a sandália, mas é uma das que eu mais gosto. Estou no trabalho, não costumo trabalhar de havaianas.

E mesmo se eu tivesse um par de chinelos aqui, só de pensar na chinelada me vem à cabeça aquele "creck" inevitável, o barulho da morte da barata, a casquinha se quebrando, a gosma se espalhando, e grudando na sola da minha rasteirinha!

TEM que haver outra maneira.

Claro.

Marido.

Nessas horas, e em muitas outras, eu sou a mulher mais mulherzinha que existe. Estou sozinha no escritório, já passa das dezenove, o Fredo está vindo me buscar. Vou convidar para dar uma subidinha. E está tudo resolvido.

Pá!

Meu herói. Uma barata a menos no mundo.

20 de jan. de 2010

hóspedes indesejáveis


Todo verão eu recebia uma visita.
Elas vinham sem avisar, mas eu sempre sabia que viriam. Que chegariam junto com o sol e o calor da estação.
Ficavam por ali aqueles meses. Não davam trabalho. Os amigos comentavam: ó, que bonitinhas! Tão charmosinhas! E eu dizia: fofas, né? Mas logo, logo elas vão embora.
E iam mesmo. Nem davam tchau.
Mas no último verão foi diferente. Elas chegaram menos sorrateiras do que de costume. Estavam maiores, mais espaçosas. Eu sentia a presença delas. Antes não, eu só lembrava quando os outros falavam. Agora elas estavam ali, bem embaixo (e em cima, e em volta) do meu nariz. E davam sinais (!) de que não iriam embora tão cedo.
Veio o inverno e elas continuaram inertes. De visitantes sazonais, transformaram-se em hóspedes indesejáveis. Sabe aqueles "amigos" que chegam na sua casa dizendo que é só por uns dias, e de repente estão comendo a sua comida e deixando a louça suja na pia? É como eu me sentia. A briga ia ser feia.
Busquei ajuda de um especialista. Depois de uma rápida análise, ele explicou o que, intuitivamente, eu já sabia. Elas não eram mais as inofensivas visitantes de verão. Sem saber dizer se foram promovidas ou rebaixadas de cargo, diagnosticou:
- Não são mais sardinhas. São melasmas.
Melasmas!
Então as inocentes pintas marrons que davam um charme extra à minha cara de verão tinham se transformado em melasmas!
Prognóstico: se eu não me cuidar, elas vão se multiplicar feito coelhos e crescer rápido como leitões. Nunca mais, a partir de agora e até o último dia da minha vida, vou poder sair na rua com filtro solar menor que 60. Na praia ou piscina, chapéu com aba de sete centímetros no mínimo.
E isso só para elas não acharem que podem se esparramar à vontade. É preciso começar já o processo de despejo. Sim, colocá-las na rua da amargura, sem dó nem piedade. Não é o que se faz com hóspede abusado? As danadinhas despertaram minha ira. Agora vão ver só uma coisa. Vou transformar o hotel cinco estrelas no lugar mais inóspito para se viver.
Está aberta a temporada de guerra às melasmas.

13 de jan. de 2010

conversa de mulher


Conversa entre amigas em um restaurante japonês. Todas com mais de 30, casadas ou comprometidas, sem filhos. Não é um encontro frequente - duas delas estão de passagem pela cidade.

O papo começa com o assunto relacionamento. Óbvio. Uma delas está meio mal-humorada porque brigou com o namorado. O motivo? Diferenças. Que dúvida. Sempre difíceis de aceitar.

A conversa continua. Racismo. Uma delas diz que não é racista, mas que não ficaria com um negro, não sente atração. Nem com japonês, não acha bonito. As outras defendem, dizem que não tem nada disso não, vai que gosta, se apaixona, e aí? Preto, amarelo, vermelho, as convicções vão todas por água abaixo se pintar o amor. Melhor mudar de assunto.

O sushi está ótimo, as sakerinhas de morango também. Restaurante lotado. Na mesa ao lado, uma espécie de convenção de promoters: todas tão iguais, montadíssimas, magras, altas, louras e bronzeadas! Preconceito com as meninas? Sei lá, mas que deu vontade de perguntar qual era o produto que elas estavam distribuindo na "blitz", ah, isso deu.

Em papo de mulher, nunca falta um veneninho.

E nem dicas de beleza. O conversê segue: uma quer saber, afinal, qual o segredo das belas madeixas da outra. Cremes, tratamentos, cabeleireiros, ampolas, tesouras, lua nova... só faltou calendário pilomax.

O que ensejou outro assunto: Twitter. Aquele foi o dia da tag #twittealgomuitoantigo. Calendário pilomax, claro. Três twittam frequentemente, uma não. Queria entender como é. E putz, como é difícil explicar o Twitter. Meia hora no mínimo.

#twittealgomuitoantigo continuou rendendo boas risadas. Croco. Embaixada de Marte. Bunker. Santa Mônica. Pichulym. Kenwood. Kras. Company. T5. Tênis com linguão. Calça semibag.

Ombreiras.

E a moda dos anos 80, era brega ou não era?

E como saímos disso para o sucesso dos empreendimentos do Grupo Zaffari? E para o bairrismo do povo gaúcho? E para o domínio da China na economia mundial?

Até onde pode ir uma conversa de mulher.

Muitas e boas e altas risadas depois, hora de ir embora. Pagamos a conta, pedimos nossos carros aos manobristas e aproveitamos a espera para tirar fotos. Momento devidamente eternizado e, em breve, publicado internet afora.

Queria saber sobre o que conversam mulheres adultas, bem-resolvidas e desacompanhadas em uma mesa de bar? Taí uma amostra. Nunca falta fofoca, sexo, dieta, trabalho, casamento. Também pode pintar dinheiro, política, economia. Viagens, compras, liquidação. Drogas. Moda. Homossexualismo. Culinária. Pornografia. Cinema.
Tudo regado a muito palavrão e gargalhada.

Futebol? Passo.

22 de dez. de 2009

21 de dez. de 2009

o português que eu conheci


Conheci um português diferente outro dia. Foi lá na PUC. Cheguei pensando que encontraria o português de sempre, conservador, carrancudo, autoritário, moralista. Senti até um pouco de medo quando entrei na sala de aula. Não tinha certeza se estava no lugar certo, se aquele português era pra mim. Mas, já que estava ali, não me restava alternativa a não ser descobrir.
Logo percebi que tudo não passava de pré-julgamento. Preconceito meu. Já na primeira aula, vi que o português que eu conheci ainda criança não era exatamente como eu achava que era. Ou como me fizeram pensar que era. Não deixaram que eu o enxergasse de verdade. Foi preciso me matricular num curso sequencial da Faculdade de Letras pra entender que o tal português não é, afinal, tão mau assim.
Foi o professor Gilberto Scarton quem me apresentou esse outro português. No início, eu nem podia acreditar em meus olhos e ouvidos. Não foi de imediato que consegui me despir de todos os preconceitos. Mas, aos poucos, compreendi. E vi que eu não precisava mais me sentir culpada por escrever certo de maneira intuitiva. Porque é isso o que eu faço, mas eu achava que era errado. Sempre exigente comigo mesma, não aceitava que pudesse escrever um bom texto mesmo sem saber suas regras.
Sim, eu sentia culpa por não lembrar nada de análise sintática. Por não saber dizer se um verbo estava no pretérito imperfeito do subjuntivo, por não poder explicar a regência nominal em uma frase. Do mesmo modo que não guardei na memória a fórmula de Báscara ou as leis de Newton, grande parte do meu aprendizado de gramática evaporou-se ao longo dos anos (e olhe que eu só tirava dez na escola). Mesmo assim, eu consigo escrever bons textos. Não me sinto capaz de resolver uma equação matemática, mas posso, sim, criar bons textos.
E o que isso quer dizer? Eis minha grande descoberta: ser um bom escritor independe do conhecimento das regras da gramática. Tudo aquilo que nos fazem decorar na escola tem pouquíssimo impacto na qualidade dos nossos textos. De nada adianta você conseguir dissecar uma frase sob todos os seus aspectos – morfológicos, sintáticos, semânticos e o diabo a quatro. Isso não significa que você seja capaz de produzir um bom texto. Talvez ele seja gramaticalmente correto, se analisado sob a ótica da gramática tradicional. Mas pode ser que você seja incapaz de concatenar uma frase à outra e um parágrafo ao outro com lógica e coesão. Porque, para isso, você precisa de bem mais do que ser fera em gramática.
Aprendi também que, para escrever bem, o importante mesmo é ler. Mario Quintana disse um dia: “Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo.” E não é? Chega a ser óbvio, mas quem se dá conta? Nós primeiro aprendemos a falar, muito antes de sermos alfabetizados. Não é preciso conhecer as letras e saber como se formam as palavras para se comunicar oralmente (depois é que vem a gramática e encaixota tudo). Da mesma maneira, é a leitura que nos dá a base para a produção de bons textos. Lendo, absorvemos conhecimentos de todo tipo, que vão além do conteúdo em si: vocabulário, ortografia, estilo, e até gramática. E o mais incrível é que, muitas vezes, esse aprendizado não é proposital, não é exatamente um estudo. Ler é prazer, é lazer, e também é aprender.
Por fim, a verdadeira mudança de paradigma: esse outro português é muito democrático. Ele me fez entender que a língua é viva, mutável e flexível, e que aquilo que pensamos ser o certo não é, necessariamente, o único certo que há. Devo confessar que, inconscientemente, eu era uma preconceituosa linguística. Agora, sei que a língua tem modalidades distintas, que são usadas nos diferentes ambientes e situações. Pense bem: não dá pra encontrar um amigo na rua e perguntar “como tu estás?”, ou então “traga-me um chope” para o garçom do boteco. Todos nós dizemos “como é que tu tá?” (bem típico dos porto-alegrenses) e “me vê aí um chope” ou coisa parecida. Não é errado - desde que esteja adequado ao contexto. O segredo, como disse o professor Scarton, é ser um poliglota no interior da própria língua.
Diante de tantas coisas novas, a sensação é de liberdade. Esse português que eu conheci me livrou de amarras que a escola e a sociedade me colocaram. Não preciso mais me sentir culpada por não lembrar das regras que um dia eu soube de cor. Se o texto é bom, quem se importa? Se for preciso, as gramáticas, os dicionários e os revisores estão aí para nos socorrer. Eu quero agora é conhecer cada vez mais esse português boa pinta e boa praça, aberto às evoluções da língua, atento ao linguajar das ruas, das favelas e dos condomínios. Muito prazer, português.

7 de dez. de 2009

um livro que me fez sonhar

O post sobre mulheres e futebol foi o centésimo do blog e eu custei a tomar coragem de escrever o centésimo primeiro. Porque sei lá, parecia que um ciclo tinha se encerrado, nem sei de quê, eu entrava no editor do blog e ficava olhando aquele número, 100 posts publicados nesse blog que pouca gente lê, mas que eu não consigo largar porque adoro escrever e, como já disse antes, não me importo de escrever pra mim mesma, pelo menos enquanto não encontro tempo de me dedicar a sério (se é que vou um dia).

O que finalmente me encorajou a escrever o centésimo primeiro post foi o livro que li nesse final de semana, Mulher de um homem só, do Alex Castro. Breve histórico: acompanho o blog LLL há algum tempo, só como leitora mesmo, nunca participei das polêmicas que ele enseja a cada post publicado. Eu só me divirto com as coisas que o Alex escreve. Às vezes concordo, às vezes discordo (é impossível ficar indiferente), mas acima de tudo eu adoro as coisas e, principalmente, o jeito que ele escreve.

Então ler um livro dele seria algo natural, não? Nem tanto, eu custei a decidir comprar o livro. Levei alguns meses. Bem sinceramente, a promoção de final de ano a 25 reais foi fundamental. Não que não valha mais, mas eu adoro uma promoção, compro quase tudo que tenho na liquidação, do sapato à máquina de lavar roupa, e com livro não é diferente. Foi um puta incentivo. Mas deixemos esses assuntos mundanos pra lá.

O livro atrasou dois dias e, quando chegou, eu brinquei que aquilo era uma carta dizendo que eu tinha que retirá-lo no correio ou algo assim. Porque ele é minúsculo. Fiquei meio decepcionada, mas não quis julgar pela embalagem. Naquele dia mesmo, fui andando pra casa e no caminho li as primeiras páginas. Cheguei em casa sorrindo, bom sinal.

Well, muito já se disse sobre Mulher de um homem só. Não sei mais em que eu poderia contribuir. Só lamento ter lido tantas coisas a respeito do livro antes de lê-lo: eu quase já tinha sacado a história (quase, na verdade só lendo mesmo pra saber), depois de tantas resenhas, elogios e críticas. Não foi uma leitura muito isenta. Mesmo assim, me atraiu do início ao fim, e já estou querendo ler de novo pra ver se capto outras nuances que, acho, me passaram meio despercebidas.

Terminei de ler durante o jogo de Grêmio X Flamengo, para o qual nem dei bola (e nem precisava, anyway). Ao acabar, fiquei burilando várias coisas: o quanto tenho (e não tenho) em comum com Carla; o quanto Murilo é chato, um mala mesmo, nunca me casaria com um cara assim (embora ele seja praticamente um coadjuvante, não dá pra conhecê-lo de verdade); que eu fiquei com uma tremenda vontade de conhecer a Júlia melhor, acho que ela é uma injustiçada, uma incompreendida que precisa de análise urgente, terapia nela djá!; e que a Carla é paradoxal, porque o livro começa mostrando uma guria toda moderninha, tipo "à frente de seu tempo", e no decorrer da história ela se mostra bem conservadora e antiquada. E tão ou mais louca quanto Júlia.

Sonhei essa noite inteirinha com Mulher de um homem só. Não foi um sono tranquilo, não. Foi quase uma noite de insônia. Mexeu com a minha cabecinha de mulher de um homem só. Meu lado Carla e meu lado Julia ficaram ali se afrontando. Fazia muito, mas muito tempo que um livro não me tirava o sono assim.

21 de nov. de 2009

mulheres e futebol


Há muito tempo eu não ia ao estádio ver um jogo de futebol. Ontem quebrei o jejum com o pé quente que dei num sorteio da Locaweb, que tem um camarote no Olímpico. Eu podia escolher qualquer jogo do Brasileirão. Deixei passar várias boas partidas até me dar conta de que o campeonato estava acabando. Tive que escolher entre Palmeiras e Barueri. Palmeiras, claro.

Assistir ao jogo do camarote foi bom demais. Eu estava feliz feito pinto no lixo. Mas não era pelo jogo em si. Era por estar ali, fazendo parte daquela festa toda. E, sério, em vez de prestar atenção na partida (que, no máximo, valia a manutenção da invencibilidade no Olímpico), eu fiquei elucubrando sobre esse fenômeno chamado futebol. E resolvi escrever esse post.

Eu acho futebol uma viagem. Muitas mulheres devem sentir o mesmo que eu. Tem umas que são bem fanáticas, discutem, acompanham, sabem a escalação, coisa e tal. Mas o fato é que a igualdade entre os sexos ainda não chegou ao mundo futebolístico. Não por ser um mundo impenetrável, mas sim porque o futebol não consegue ser tão interessante e relevante para as mulheres. E tem ainda o estereótipo do marido atirado no sofá, bebendo cerveja e assistindo a um jogo na TV, ignorando completamente a esposa. Talvez essa seja a melhor explicação para a indiferença das mulheres pelo futebol, afinal, quantas ainda precisam dividir com o esporte a atenção dos homens. É uma competição.
Mas eu não posso dizer que sou indiferente ao futebol, especialmente ao Grêmio. Porque, em todas as vezes que presenciei meu time ser campeão (e até que não foram poucas), eu senti algo. Uma felicidade, uma euforia, maiores até do que nas duas copas que eu vi a Seleção ganhar. E quando o Grêmio estava prestes a ser rebaixado, em 2004, me dava um frio na barriga cada vez que eu pensava nessa possibilidade. Uma sensação de nervoso.

Então não me venha dizer que eu não dou bola pra futebol.

O futebol também é um negócio que me intriga. Desde a maneira tão séria com que os jornalistas e comentaristas falam nos programas de TV e rádio – às vezes eles parecem que estão falando sobre alguma tragédia, como a queda das torres gêmeas ou algo do gênero –, até a experiência sociocultural que é ir ao estádio. No camarote nem tanto, afinal, é nas arquibancadas que as classes, cores e credos se misturam. Só uma coisa não se mistura: o clube do coração. Todos ali, exceto a pequena parte reservada para o adversário, estão motivados pelo mesmo sentimento de amor ao time.

Amor, aliás, é palavra de ordem no estádio. O repertório de músicas da torcida gremista (e de qualquer outra, imagino) é repleto de declarações de amor incondicional. Dessas que poderiam estar na mais romântica canção do Roberto Carlos. Frases como “hoje eu vim te ver, e não importa mais nada”, “um sentimento que me faz amar” e “amor verdadeiro”. Aposto como a maioria daquelas pessoas jamais disse nada parecido para suas namoradas ou namorados. Ser apaixonado por um time de futebol não dá vergonha nem insegurança em ninguém.

E a rapidez com que esses ávidos torcedores percebem e até prevêem os acontecimentos? Eles dizem “que bola!” antes mesmo de a bola chegar ao destino. E se o jogador furar? E se a bola desviar do seu percurso e a jogada nem for assim tão boa? Será que eles não têm aquela ilusão de ótica que faz com que a bola pareça estar indo lá pras cochinchinas, quando na verdade ela vai cair direitinho no pé do jogador? Eles gritam quando a jogada nem está completa, enxergam a falta antes do juiz. São quase adivinhos.

É essa experiência de futebol – que até quem não pratica o esporte tem – que diferencia homens e mulheres como espectadores e torcedores. Deve existir um gene que só os seres do sexo masculino têm, as mulheres são desprovidas dele. Mas nada que as degrade: é apenas uma relação mais light, em que se aproveita quando o time vai bem, e se esquece do assunto quando ele vai mal. É assim que eu me sinto em relação ao Grêmio. E, Grêmio, não se ressinta. Meu amor não é menor por causa disso.

30 de out. de 2009

conta outra

Em homenagem à minha mana, uma música pra embalar esse feriadinho (que promete muito sol e calor em Porto Alegre, finally!) e espantar pra bem longe tudo o que nos coloca pra baixo.

Porque as mulheres dessa família não caem do salto (mas brigam) e não faltam com a sua verdade. E, sinceridade, se a fila tiver que andar, que ande!