9 de nov. de 2010

paul, I can't hardly express

Arram, eu fui.

Por enquanto, sigo sem palavras. Quero escrever, expressar, mas é tão difícil. Vai sair, vai sair. Só tenho que conseguir lembrar do show sem ficar com os olhos marejados.

(eu sei, eu sei que o título do post é de uma música de John, mas ele não deve se incomodar com o empréstimo)









Paulinha, Dani e eu :-)

9 de out. de 2010

batendo o cartão-ponto e tirando o mofo

Estou de malas prontas para o Rio de Janeiro. O voo sai em menos de duas horas. Estou em casa ainda, terminando as arrumações, vou antes almoçar, e então ir para o aeroporto. Resolvi sentar aqui rapidinho pra escrivinhar qualquer coisa. Há anos, pelo menos uma vez por ano, bato o cartão-ponto no Rio de Janeiro. Nem que seja um final de semana, um feriadinho qualquer. Sempre volto bem de lá. Espero dessa vez voltar muito bem. Arejada. Vou lá tirar o mofo, sentir o ar da primavera que ainda não deu bem as caras aqui nos pampas. A previsão promete tempo parcialmente nublado. O que, do sudeste pra cima, normalmente significa muito sol e nuvens dando uma trégua de vez em quando. Pra mim, não tem clima melhor. A minha brancura é tanta, mas tanta, que não sei se vou ter coragem de ir à praia. Vou ter que comprar um protetor fator 450. Se existisse. Vou dar uma caminhada na areia, claro. Um mergulho também, não resisto, amo entrar no mar. O biquini está na mala, assim como duas cangas. E as havaianas, as rasteirinhas, as blusinhas, os vestidinhos e as sainhas. Tudo tirado lá de cima do armário, porque ainda não deu pra fazer a tradicional troca, os blusões e casacos permanecem ao alcance da mão, enquanto as roupas de meia-estação e de verão, só subindo no mocho. Dessa vez, vou conhecer Niterói e Vila Isabel, dois passeios diferentes, novidades. E vamos à Lapa, claro. E conhecer o Bip Bip, famoso boteco de Copacabana com três mesas e nenhum garçom, mas com um clima espetacular, dizem. Depois, se der vontade, conto tudo. Para meus dezessete leitores. Bom feriado.

29 de set. de 2010

sou uma espécie em extinção

Deu no Diário Gaúcho. E pensar que o Hospital Nossa Senhora do Livramento funcionava há 33 anos. Sim, porque eu nasci lá. É deprimente ser uma espécie em extinção. 

Guaibenses estão em extinção

Sem o centro obstétrico da cidade, fechado há mais de um ano, Guaíba e quatro municípios da região estão transferindo gestantes para Porto Alegre

Aline Custódio  |  aline.custodio@diariogaucho.com.br
 
Na falta de uma instituição especializada, cerca de mil bebês deixaram de nascer em Guaíba, via Sistema Único de Saúde (Sus), nos últimos 13 meses. Interditado pela Justiça de Guaíba desde agosto de 2009, o único hospital que oferecia o serviço a uma população de 152 mil pessoas de cinco municípios, está prestes a ser fechado.

Quem confirma a informação é o próprio diretor do Hospital Nossa Senhora do Livramento, Arno Berger, nomeado pela Justiça no ano passado.

– O Livramento deverá manter as portas abertas somente até o Pronto-Atendimento (PA) 24 Horas de Guaíba se tornar o novo hospital da cidade – garante.

Desde a interdição, motivada por dívidas que ultrapassam R$ 16 milhões, a instituição de 66 anos deixou de atender casos obstétricos e cirúrgicos. Hoje, mantém apenas as internações clínicas – pediátrica e adulta – e uma equipe de saúde mental. Por dia, a média de pacientes internados não passa de 40.

Arno ainda reforça que, com uma receita mensal em torno de R$ 187 mil, não há como deixar em dia os salários dos funcionários.

– Nossa meta é pagar o que se gasta, mas os salários sempre ficam com um atraso entre 30 e 60 dias – afirma.

Maternidade só em 2011


Considerado como prioridade para a Secretaria Municipal de Saúde, o novo centro obstétrico funcionará na mesma área onde hoje já funciona o PA 24 horas da cidade.

A secretária municipal de Saúde, Liliana Altmayer, confirma que duas alas do PA serão reformadas para ganhar a maternidade, o bloco cirúrgico, a cozinha, a lavanderia e o centro obstétrico.

A prefeitura já tem R$ 1,5 milhão, procedente de repasses do Estado e do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede), reservados para iniciar a obra. O projeto arquitetônico está na avaliação final. As próximas fases são o levantamento do orçamento e a abertura da licitação (escolha da empresa que fará a obra).

Liliana acredita que o novo hospital estará concluído até o final do primeiro semestre de 2011.

– Nossa prioridade é a construção do centro obstétrico e da maternidade. Enquanto isso não ocorre, a prefeitura disponibiliza ambulância para as gestantes que estiverem em trabalho de parto – ressalta a secretária.

"Quero ter minha filha dentro do hospital"


Enquanto o novo hospital não sai do papel, as mais de 70 crianças que deveriam nascer por mês em Guaíba acabam vindo ao mundo em Porto Alegre. Será o caso da segunda filha da dona de casa Juliana Duarte Alves, 27 anos, moradora do Bairro Santa Rita.

Grávida de 35 semanas, Juliana faz o pré-natal no posto de saúde do Bairro Cohab, e pretendia ter o bebê na cidade em que mora e onde deu à luz a primeira filha, de três anos. Porém, sem alternativas, ela já pensa em outras maternidades.

Para se ter uma ideia da importância de uma maternidade na região, só no posto de saúde do Bairro Cohab, cerca de 18 novas gestantes chegam mensalmente ao local.

A falta de atendimento especializado causou problemas para Juliana, na semana passada. Com dores, ela precisou chamar o pai, que estava em Porto Alegre, para levá-la a um hospital na Capital.

– Me sinto insegura e nervosa. Gostaria que a médica, que me acompanhou durante todo o pré-natal, fizesse o meu parto. Até pedi para ela ir junto, mas será impossível – lamenta.

Juliana, inclusive, tem economizado para pagar o transporte até Porto Alegre no dia do nascimento da filha.

– Só rezo para que as dores cheguem durante o dia e fora do horário de fechamento da ponte (içamento da ponte sobre o Guaíba). Quero ter a minha filha dentro do hospital – desabafa a dona de casa.

Instituição era referência

Pelo menos outros quatro municípios tinham como referência o Hospital Nossa Senhora do Livramento, em Guaíba, na área obstétrica. Agora, as gestantes de Barra do Ribeiro, Mariana Pimentel, Sertão Santana e Eldorado do Sul realizam o pré-natal na própria cidade, mas só têm a Capital como alternativa para o parto via Sus. Em Sertão Santana e Barra do Ribeiro, as prefeituras disponibilizam transporte para os casos mais graves.

Números
Hospital Nossa Senhora do Livramento
Receita mensal
- R$ 87,5 mil – ambulatório e internação pelo Sus
- R$ 60 mil – convênio com a prefeitura
- R$ 40 mil – parcela mensal repassada pelo Estado (Fundo Estadual de Saúde), que será finalizada em janeiro de 2011

27 de set. de 2010

a parada das vacas


Boa oportunidade de fazer as pazes com Porto Alegre depois do post indignado sobre nosso belo rio escondido: a partir do dia 8 de outubro vai ter Cow Parade na cidade. A-do-ro.

Vi as vaquinhas pintadas em Buenos Aires na primeira vez em que lá estive, em 2006. Foi o máximo. Tirei várias fotos, como essa aí de cima. Que sacada teve quem inventou esse negócio. Porque é definitivamente a coisa mais inusitada que pode acontecer com um cidadão comum: andar pela rua e topar com uma vaca colorida, enfeitada, diferente, linda ou nem tanto, depende do gosto e do olhar de cada um.

Tem gente que não entende, fica se perguntando "qual é a moral", "pra que serve". Ora. Acho engraçado. E por acaso é para servir para alguma coisa? O melhor é não tentar entender. A Cow Parade, na minha maneira de ver, é uma ode à (in)utilidade da arte: as vaquinhas estão lá para provocar os sentidos, aguçar a curiosidade, fazer brilhar os olhos das crianças, fazer rir os velhinhos, obrigar os transeuntes apressados a parar e olhar, colocar tempero e cor em nossa rotina tão absurdamente mergulhada na mesmice. As vacas são esculturas, são obras de arte misturadas à sujeira urbana, à feiura ou à beleza da cidade, visíveis a toda e qualquer pessoa, não precisa entrar em museu, comprar ingresso, muito menos entender de arte para apreciar. Gosto da arte acessível. Algumas vacas da Cow Parade até podem trazer certo rebuscamento nas propostas dos artistas, podem conter mensagens subliminares, ter um cunho de protesto ou alertas para a desigualdade social ou whatever. O que importa é que, independente da leitura de cada um, elas atingem o propósito de instigar, de entreter e de deixar a vida da gente mais leve.

Porto Alegre será bem mais interessante nos próximos três meses.

Mais infos em http://www.cowparade.com.br/poa/.

15 de set. de 2010

maldita seja

Maldita seja a cidade que esconde de seu povo o que tem de mais bonito. Às vezes eu não entendo porque não consigo ser apaixonada por Porto Alegre. Gosto, mas não amo. Falta alguma coisa. Não é culpa da cidade. Não sei bem de quem é  a culpa. E acho que, a essas alturas, nem interessa mais. O que interessa é que ele está ali. Sempre esteve. Mas, por algum motivo, não o vemos, pelo menos não da maneira como seria possível, como seria a ideal. Porto Alegre poderia ter uma orla. Ciclovias, calçadões. Nós poderíamos conviver diariamente com o Rio Guaíba. Assim, de pertinho, intimamente, chegar perto dele. Entrar nele talvez seja pedir demais (será?), mas não se trata disso.
Hoje, lá pelas 17h30, vindo de carro pela freeway, já próxima da ponte do Guaíba, eu vi o rio. Ele tinha uma cor prata indescritível, a paisagem era magnífica, mas eu só pude admirá-lo por uns poucos segundos, arriscando provocar um acidente, pois estava dirigindo. Nesse momento me bateu uma indignação. Fiquei pensando que cada vez que vejo o rio é como se fosse a primeira vez, a beleza dele me estarrece e ao mesmo tempo me causa estranheza, esse rio pertence à minha cidade, mas não pertence às pessoas, não me pertence.
Espero sinceramente que o governador do estado e o prefeito de Porto Alegre que forem eleitos esse ano FAÇAM finalmente alguma coisa e DEVOLVAM aos porto-alegrenses o Rio Guaíba. Usem a Copa do Mundo de Futebol como desculpa, ou como motivação, não importa. Mas façam acontecer e me deem motivos para amar Porto Alegre, para ter orgulho de Porto Alegre, para eu poder dizer a um amigo de fora "Vê que linda a cidade que escolhi pra morar?", para eu poder dizer BENDITA SEJA Porto Alegre, a cidade onde eu vivo, pois ela tem um rio que é de todos, um rio que é meu.

12 de set. de 2010

insignificante, tudo

e eu me preocupando com a fatura do cartão de crédito no dia quinze e com aquela roupa que vi na vitrine mas que é muito cara e nem tenho onde usar e que filme vou tirar na locadora nesse final de semana chuvoso e será que vai fazer sol essa semana porque afinal a primavera vem vindo e daqui a menos de um mês vou ao Rio de Janeiro mas se o tempo não for bom não vou poder fazer as coisas que planejei então eu rezo para que faça calor e sol e essas coisas que deixam o Rio mais bonito do que já é porque o Rio é bonito até em dia de terremoto só que não tem terremoto no Rio nem no Brasil pelo menos é o que dizem mas na verdade parece que teve uns tremores outro dia não sei onde mas eu não senti nada aqui em Porto Alegre essa cidade que agora está tomada por cavaletes com propaganda de políticos que querem se eleger e principalmente se reeleger porque eles não sabem fazer outra coisa na vida é o que eu acho detesto eleição pra deputado porque são sempre as mesmas caras mas afinal o que importa nada importa é tudo uma grande bobagem como eu aqui agora fazendo backup dos arquivos do computador porque se der pau no computador eu vou ter uma cópia dos meus arquivos eu fico achando que não posso viver sem eles que se eu perder meus arquivos vai ser a mesma coisa que perder um braço ou uma perna mas eu sei que se eu perder meus arquivos eu vou continuar vivendo e tudo vai ser igual como sempre foi porque ninguém morre só porque perdeu alguma coisa material mesmo que seja virtual como são os arquivos de computador mas afinal só vemos que nada dessa merda toda importa quando perdemos alguém importante na nossa vida principalmente quando é a mais importante de todas e de repente essa pessoa não está mais aqui para nos confortar nem sorrir nem perguntar como foi nosso dia não deve existir nada nada nada mais dolorido que isso e é por isso que hoje eu acho que nada mais importa e que tudo é tão pequeno mas tão pequeno que eu fico me sentindo um grãozinho de areia insignificante

para Paulinha

25 de ago. de 2010

em respeito à memória de renato russo

Ontem o Multishow fez o desfavor de "homenagear" o Legião Urbana colocando o Vitor e Léo (quem?) e a Claudia Leitte (ã?) cantando a música Pais e Filhos. Putaquemepariu. Foi um dos shows do Prêmio Multishow de Música Brasileira, que, aliás, já teve dias melhores. Mas enfim, que o Multishow abra espaço para o Luan Santana (hein?) e o Fiuk (o mundo se contentaria só com um Fábio Junior, nénão?), eu até entendo, agora fazer isso com o Renato Russo, avápá... vergonha alheia, vergonha, vergonha.
Pais e Filhos foi e talvez ainda seja o maior hino adolescente da história. Eu ouvia essa música na minha adolescência e ela falava diretamente comigo, era feita pra mim. Pra mim e pra todos os que tinham a minha idade no Brasil inteiro. O Legião e o Renato Russo tinham isso, falavam a língua do público. Fizeram coisas maravilhosas. Tem gente que acha depressivo. Eu acho autêntico. Visceral. Legião é rock, é poesia, é crítica social, é soco no estômago. Que falta faz tudo isso na música brasileira de hoje.
Agora mesmo resolvi ouvir o CD Legião Urbana V, aquele da capa branca com letras douradas. Tenho ele até hoje. Está escrito no encarte: 17/10/1992. Dezoito anos. Uau... Provavelmente ganhei de aniversário, não lembro. Mas lembro que o escutei infinitas vezes. Ainda sei as letras decor. Até mesmo a da faixa número 2, Metal Contra as Nuvens, que tem mais de 11 minutos de duração. Cantei ela inteirinha no show que fui no Gigantinho, em 1994. Na época tive a nítida sensação de ser a única pessoa que sabia cantar aquela música. Acho que poucos tinham paciência de ouvi-la. Eu tinha. Sabia até mesmo as canções instrumentais, acompanhava com a mente cada nota, cada acorde. Eu era assim na adolescência, ouvia um mesmo disco até furar. Mas não furou, tanto é que esse me acompanha há longos dezoito anos.
Esse disco, o Wikipedia acaba de me contar, reflete a crise econômica causada pelo plano Collor e a dependência química de Renato. Interessante saber disso agora. Porque na época eu não me dava conta. Mas me emocionava, mesmo não entendendo bem o que as letras significavam. Não são letras fáceis. Duas delas me chamaram particular atenção hoje: a música-para-suicídio Vento no Litoral e a meiga, alto astral, romântica e bem-humorada O Mundo Anda Tão Complicado. Uma contraposição perfeita. Me fizeram ir às lágrimas indagorinha.
Renato Russo morreu uns anos depois. Não lembro bem o que senti quando soube. Mas foi estranho porque menos de dois anos antes eu o tinha visto muito de perto, nesse show do Gigantinho. Um show histórico, aliás. Histórico pra banda e pra mim também. Fomos eu e o Sandro, meu amigo, meu parceiro de momentos inesquecíveis como esse que foi ver Legião Urbana em Porto Alegre. Algumas pessoas viram Cazuza, outras viram Elis Regina, outras viram Cássia Eller. Eu vi o Renato Russo. Ídolo.
Pois tudo isso para dizer que as músicas do Legião continuam tocando adolescentes e adultos até hoje, mas se o Multishow insistir em colocá-las na boca de artistas de quinta categoria (e eu acho que "artistas de quinta categoria" é até elogio para os charlatões em questão), vai contribuir para que o legado de uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos seja confundido com música de quinta também. Ora, faça-me o favor, Multishow!

7 de ago. de 2010

se eu morasse em Amsterdam

Se eu morasse em Amsterdam
Teria uma bicicleta preta
E andaria de motoca
Só nos dias de dondoca

Se eu morasse em Amsterdam
Falaria inglês com fluência
E conversaria na língua pátria
Só com amigos de infância

Se eu morasse em Amsterdam
Viveria à beira de um canal
Haveria flores em minha porta
Onde esperaria o jornal

Se eu morasse em Amsterdam
Nunca daria chilique
Se visse o povo na rua
Muito louco de haxixe

Se eu morasse em Amsterdam
Talvez me chamasse Ana
E teria uma grande amiga
Chamada Maria Joana

Se eu morasse em Amsterdam
Seria amiga da polícia
E frequentaria a zona
Mas não me interprete com malícia!

(Fernanda Vier em duvidoso momento de inspiração poética)

6 de ago. de 2010

sobre ler de pijamas durante a semifinal da libertadores

Antes do final do primeiro tempo, já 1x0 para os são-paulinos, resolvi ir pra cama, não para dormir, mas para ler. Em dia de jogo importante passando na TV aberta, me senti uma pessoa única, no sentido de ser a única pessoa do mundo (ou de Porto Alegre e de São Paulo) a estar na cama de pijamas lendo um livro. Quantos estariam na mesma situação que eu? Chuto que bem poucos. Peguei o calhamaço de contos brasileiros e reli um da Clarice Lispector. É sempre bom reler Clarice, pra ter certeza.

Quando começou o segundo tempo, fiquei tentando adivinhar o que se passava. Não é difícil, basta interpretar os sons que vêm da rua. Um vizinho gritou desafinada e desesperadamente, e seus gritos foram seguidos de buzinas, vuvuzelas e muitos outros gritos. Gol do Inter. Instantes depois, não foi tão fácil de entender. Mais gritos, o desespero do mesmo vizinho, mas era um desespero diferente. Achei que pudesse ser rescaldo do primeiro gol, mas eis que o Fredo se abala da sala ao quarto para me transmitir as boas-novas: 2x1 para o São Paulo. Não era suficiente, mas bastava um golzito para tirar os colorados da final da Libertadores. Comemorei timidamente de baixo dos edredons e disse então tá, acho que vai rolar.

Silêncio. Olhos pesados. Guardei o livro, desliguei o abajur e deixei o sono me levar. Não demorou para o Fredo vir juntar-se a mim. E aí?, perguntei, semidormindo. Ficou em 2x1. Tsc, tsc, tsc. São Paulo incompetente. Sempre perde pros gaúchos, afinal. Boa noite.

19 de jul. de 2010

suavizando a existência (ou sobre aceitar a própria mutabilidade)

Começou com o sutiã. Tempos atrás eu só usava sutiã de bojo com ferrinho e enchimento, pra levantar minha autoestima e me iludir um pouquinho. Hoje esse tipo de sutiã só sai da gaveta em momentos que me exijam uma produção mais elaborada. É que, de repente, eles me fizeram sentir presa, sufocada, como deviam se sentir as mulheres de antigamente com seus espartilhos apertadíssimos. Meus sutiãs atuais não ficam me avisando o tempo todo que estão ali. Troquei o efeito peitão pelo conforto. Pela leveza.

Tempos atrás eu jamais sairia na rua em horário comercial usando All Star. Eu nem tinha All Star. Só saía de casa me equilibrando em saltos altíssimos e bicos finíssimos. Tênis, só no domingo – e olhe lá – e na hora da ginástica. Sapato baixo? Rasteira? Eu nem sabia o que era isso. Hoje, eles já são quase maioria no meu armário e reinam absolutos em meus pés.

Tempos atrás eu usava uns batons escuros, vermelhos, marrons. Hoje, só cor de boca ou rosinha, no máximo um dourado. Tempos atrás eu usava terninho. Hoje, jeans e camiseta. Tempos atrás eu tinha certeza do que queria fazer na vida. Hoje, abriu-se um leque de possibilidades na minha frente – porque eu quis abri-lo, leques não se abrem sozinhos – e eu estou tateando, provando um pouquinho, sonhando outro tanto, descobrindo o que quero, morrendo de medo, mas indo, vagarzinho. Porque o que eu queria tempos atrás parece que já não me serve mais.

Tempos atrás eu circulava muito segura de mim em eventos de networking, trocava cartões às centenas, achava assunto para falar com pessoas que não tinham nada em comum comigo. Esbarrei em muita gente boa, gente que somou, multiplicou. Mas também em gente pedante, mesquinha, vazia. Conheci perdedores, desesperados, oportunistas. Conheci gente bem-sucedida por mérito próprio, conheci filhinhos de papai brincando de ter empresa, conheci pessoas mal e bem intencionadas. Ingênuos? Nenhum. Sonhadores? Uns tantos. Talentosos, promissores? Alguns. Inteligentes? Muitos. Limitados? Arram.

Eu era um pouco disso tudo aí, eu era um deles. Ou melhor, queria ser, queria parecer. Não podia mesmo durar mais do que durou, ninguém consegue ser o que não é por muito tempo (é mais fácil saber o que não somos do que o que somos!). Até que não fui mal, não. Fiz tudo direitinho. Um pouco por vaidade, mas, sobretudo, para provar a mim mesma que podia. Que conseguia, que tinha competência, que tinha colhões. E tive, afinal. Encarei. Fiz quase tudo o que me propus a fazer, cometi erros e acertos. Essas coisas que só acontecem com quem faz. Valeu, mas passou. É passado, a hora agora é outra.

Isso é coisa de ser humano. Essa incoerência, essa mutabilidade. Somos incrivelmente incoerentes e irremediavelmente imperfeitos, por mais que tentemos mostrar o contrário, ser o contrário. Eu, dessa luta, já desisti. Porque ela é infantil e inglória. Não paga a pena. Minha luta é justamente aceitar – e como é difícil! – minha falibilidade, meus enganos, meus lapsos, minhas incertezas, minhas limitações, minhas volubilidades. Minha luta é encarar os desejos de mudança e não fazer de conta que eles não existem. É ser o que quero ser, que não é o que eu queria ser antes, mas agora é, e amanhã pode ser outra coisa. Por mais inconcebível e contraditório que pareça.

Começou com o sutiã. Culminará em algo que ainda não sei o que é, mas que deixo ser.

13 de jul. de 2010

como doar computadores e itens de informática em Porto Alegre

Achei tão difícil descobrir informações sobre isso que resolvi postar aqui, mesmo não tendo muito a ver com o propósito do blog.

O Centro Social Marista - CESMAR, que faz parte do Projeto CRC (Centro de Recondicionamento de Computadores), recebe doações do chamado lixo eletrônico, a parafernália que a gente junta em casa ou no escritório e, quando obsoleta, não sabe mais o que fazer com ela. Eu estou com um monitor de 15" sobrando e há muito desisti de tentar faturar algum troco com ele. Por pouco ele não foi parar na lixeira do meu prédio! Flagrei o Fredo quase no corredor com o trambolho nos braços. Não! Volta! Vou descobrir pra onde mandar o monstro, pro lixo seco ele não vai!

Então tá, pra quem está em Porto Alegre e imediações, seguem as informações gentilmente passadas pelo Fabiano de C. Flores, que prontamente me respondeu ao e-mail com tudo o que eu precisava. E no site http://www.computadoresparainclusao.gov.br/ tem bastante conteúdo sobre o assunto.

Pontos de coleta:

Colégio Marista Rosário
Deixar na recepção de segunda a sexta-feira das 8h as 12h e 14h às 17h
R. Praça D. Sebastião, 2 – Porto Alegre - RS
90035-080 – Fone/Fax (51) 3284-1200/3284-1220
Email: osario@maristas.org.br

Colégio Marista Ipanema
Deixar na Tesouraria de segunda a sexta-feira das 7h30 às 12h e 13h as 17h30
Av. Coronel Marcos, 1959 – Ipanema – Porto Alegre - RS
91760-000 – Fone/Fax (51) 3248-2209/3248-9499
Email: ipanema@maristas.org.br

Centro de Pastoral e Solidariedade – PUCRS
Deixar na Pastoral de segunda a sexta-feira das 8h às 21h30. Não fecha ao meio dia.
Av. Ipiranga, 6681 – prédio 17 sala 101
Bairro Partenon
Fone: 3320-3576

USBEE - CENTRO SOCIAL MARISTA - CESMAR
Recebe doações às terças e quintas, das 9h às 11h e das 13h30 às 16h
Estrada Antônio Severino, 1493
Bairro Mário Quintana
Porto Alegre/RS - CEP 91250-330
Fone (51) 3366.3817 ou (51) 9935.4023

ATUALIZANDO: recebi resposta da empresa PEACOCK DO BRASIL no dia 19/07 para o email enviado no dia 10/07. Antes tarde do que nunca. Eles têm o projeto E-Lixo, que também recebe doações. O endereço é Rua Frederico Mentz, 490, e o horário de funcionamento é de segunda a sexta das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

Vou fazer a minha doação e depois conto como foi :-)

1 de jul. de 2010

a europa e a internet

Se às vezes me pergunto como era possível viver sem internet, na hora de viajar esse questionamento fica ainda mais contundente. Afinal, para tornar realidade nossa viagem de 20 dias pela Europa, usamos a internet para montar o roteiro, comprar as passagens e os tickets de trem, reservar os hotéis, alugar o carro... Não fosse ela, como teria sido? Sei lá, mas o que importa é que tudo o que fizemos pela internet deu certo. Isso mesmo: tudo.

Essa viagem começou a ser imaginada há bastante tempo e vinha sendo adiada ano a ano, até finalmente decidirmos: de 2010 não passa. O primeiro passo foi escolher a época: maio. Primavera, fora da alta temporada, nem tão frio, nem tão quente. As próximas decisões já podiam começar a ser tomadas.

Já tínhamos algumas ideias, vontades, sonhos, mas o roteiro só tomou forma mesmo quando, depois de alguns dias monitorando os sites das companhias aéreas, conseguimos um bom preço na passagem da KLM direto a Praga. Na verdade, os voos da KLM sempre passam por Amsterdam, de modo que o trajeto ficou Porto Alegre - São Paulo - Amsterdam - Praga. Já a volta ficou Paris - Amsterdam - São Paulo - Porto Alegre, sendo que a conexão Paris - Amsterdam foi feita três dias antes da data de retorno. Assim, por uma módica taxa de 60 reais, a capital holandesa entrou definitivamente em nosso roteiro.

A passagem foi adquirida no próprio site da KLM uns cinco meses antes do embarque. Era o tempo que tínhamos para decidir todo o resto. Praga, Paris e Amsterdam eram destinos certos. O que fazer no resto do tempo? Vai dizer. Essa é uma das melhores partes da viagem. Nesta fase, reservamos e cancelamos hotéis (os que não cobram adiantado, claro), mudamos de ideia várias vezes, reviramos o Trip Advisor, o Conexão Paris e o Viaje na Viagem (entre outros) de cima abaixo, devoramos guias impressos (sim, eles continuam sendo essenciais!), conversamos com viajantes mais experimentados... Enfim, começamos a viajar antes de sair de casa.

Um mês antes, tínhamos tudo 100% definido e reservado. Nosso roteiro passou a ser Praga, Garmisch-Partenkirchen e Munique (Alemanha), Paris e Amsterdam. A seguir, relato as principais "transações" – de reservas a compras – feitas pela internet que nos ajudaram a compor a viagem.

- Hotel em Praga: reservamos pelo Late Rooms o Residence Agnes por 66 euros/dia. E ficamos positivamente surpresos: o hotel era melhor ao vivo do que nas fotos do site, muito bem localizado em uma rua tranquila a poucos minutos a pé da Cidade Velha. Funcionários gentis e com inglês fluente. Claro que deve haver hotéis muito melhores em Praga, mas este tem uma excelente relação custo x benefício!

- Aeroporto de Praga até o hotel - serviço de transfer: primeiro destino num país cuja língua é o tcheco... achamos melhor não arriscar. Contratamos – por e-mail – o serviço de transfer do hotel. Além de ser quase o mesmo preço de um táxi (30 dólares), vale pela comodidade, afinal, era a chegada e estávamos bem cansados.

- De Praga a Munique - ônibus e trem: depois de quatro deliciosos dias na capital tcheca, era hora de mudar de ares. Alemanha! Como não havia trem direto para Munique, o jeito foi comprar o ticket que faz Praga-Nüremberg de ônibus (de primeira categoria, aliás) e Nüremberg-Munique de trem. Compramos no próprio site da DB, a companhia de trens alemã, com o prazo máximo de antecedência, que são 90 dias. Vale a pena: pegamos a menor tarifa possível! Mas tem que ficar monitorando para não perder a barbada.

- De Munique a Garmisch-Partenkirchen - carro: nosso primeiro destino na Alemanha não foi Munique; ficamos três dias na pequena Garmisch-Partenkirchen, localizada aos pés dos Alpes, a meio caminho de Innsbruck, na Áustria, e de Füssen, onde está o castelo de Neuschwanstein (o da Cinderela). Alugamos pela Sixt uma Mercedes A160 novíssima que aquecia até a bunda (achei supérfluo, mas como pegamos quase zero graus por lá, mudei de opinião rapidinho) e devidamente equipada com GPS, o que se mostrou uma mão na roda. A reserva do carro havia sido feita previamente pelo site da Sixt.

Não posso deixar de falar sobre a experiência do aluguel do carro. Em todas as vezes que fiz isso no Brasil, perdi pelo menos uma hora com a burocracia da papelada, as explicações idiotas (como ligar o pisca-alerta, como abrir o porta-malas...) e as vistorias. Em Munique, colocaram a chave na nossa mão, disseram (naquele inglês carregadíssimo) onde o carro estava e virem-se! Na entrega a mesma coisa: eles não foram nem conferir se o tanque estava mesmo cheio, se não usamos o carro em um rally... só devolvemos a chave e thank you very much! Enfim, tudo muito self-service e na base da confiança. Bem diferente daqui...

- Hotel em Garmisch-Partenkirchen: nos hospedamos no Mercure, da Accor. Neste caso pagamos adiantado para garantir as ótimas tarifas. Não imaginávamos ficar em um hotel de rede logo em Garmisch – embora este Mercure seja excelente –, mas não tivemos muita opção: lá, a maioria das pousadas é pequena e familiar, muitas não tem nem site, e as que enviamos e-mail não tinham quem entendesse inglês. Esse é o tipo de lugar onde internet e inglês não são tão úteis assim, o que, sinceramente, considero um charme a mais.

- Hotel em Munique: na capital da Bavária ficamos em um Tryp da rede Sol Meliá. A localização é apenas razoável (15 minutos a pé da Marien Platz, a famosa praça no Centro de Munique), mas o hotel é bom. A reserva, feita diretamente pelo site, foi paga no ato para garantir a tarifa camarada, que não incluía café da manhã. Mas isso não foi um problema, já que na Alemanha é possível comprar queijos, presuntos, pães e mil coisas deliciosas por preços inacreditáveis.

- De Munique a Paris - trem: este ticket também foi comprado no site da DB. A viagem levou seis horas e foi tranquila. No entanto, em Paris as coisas mudaram um pouco. Nós, que vínhamos da Alemanha, onde tudo funciona e é muito limpinho e cheirosinho, fomos negativamente impactados pelas estações de metrô da capital francesa. Sabíamos quais linhas pegar para chegar até nosso endereço, mas na prática não foi tão simples, pois foi preciso carregar duas malas grandes e pesadas escada acima e escada abaixo várias vezes. Demorei a acreditar naquilo: poucas estações de metrô de Paris têm escada rolante. Elevador? Esqueça. Não sei como cadeirantes se locomovem naquela cidade. Concluímos que a economia do táxi não vale o esforço.

- Estúdio em Paris: como ficamos sete dias em Paris, optamos por um estúdio e não por um hotel. Depois de pesquisar bastante, achamos que era o melhor a fazer, pois pelo que estávamos dispostos a pagar pela diária, o máximo que conseguiríamos seria um hotelzito muito meia-boca. Não é exagero: por 100-120 euros é difícil ficar bem instalado em Paris. O estúdio foi encontrado no site http://www.homelidays.com/ (referência 18500) e era apenas razoável. Se o proprietário fosse mais caprichoso, nossa impressão teria sido beeem melhor. E o prédio, óbvio, não tinha elevador: nada menos que 112 degraus nos separavam do estúdio. Haja perna, pulmão... Mas enfim, a semana saiu por 450 euros, uma pechincha. E a localização é quase imbatível: na rua Saint Honoré, bem no Centro, pertíssimo do Louvre, do Sena, de metrôs e etc. Por isso, fica a dica: quem pretende ficar pelo menos uma semana em Paris (costuma ser o mínimo exigido) pode optar por um estúdio ou apartamento pequeno, e se puder desembolsar mais do que nós, tanto melhor. Provavelmente encontrará excelentes ofertas.

- De Paris a Amsterdam - avião: o deslocamento Paris – Amsterdam foi feito de avião, já que fazia parte da nossa passagem da KLM. Desta vez nem cogitamos pegar o metrô, até porque o aeroporto Charles de Gaulle é bem mais longe que a estação do trem. Subir e descer escadas carregando 50 quilos de malas, nunca mais!

- Bed & Breakfast em Amsterdam: terminamos nossa viagem em Amsterdam, onde nos hospedamos em um bed & breakfast, o Inn Old. Ficamos muito felizes com nossa escolha: é uma espécie de pousada, localizada no centro da cidade e ao lado do distrito da Luz Vermelha (o que foi ótimo, o bairro é o máximo!), com diária de 95 euros com café (para Amsterdam, o preço é bem camarada). O quarto era lindinho, amplo e aconchegante, mas tinha o inconveniente de não ter banheiro privativo, era preciso dividi-lo com os proprietários. Um pouco estranho, certo? Mas não foi problema nenhum: o banheiro era absolutamente limpo e, como era apenas mais um casal, foi super tranquilo.

Tanto em Paris quanto em Amsterdam, a reserva da hospedagem foi feita por e-mail diretamente com os proprietários. Nos dois casos, não pagamos nada adiantado. Foi tudo feito na base da confiança. Depois de vários e-mails trocados, já nos sentíamos amigos dos caras. Enviamos todas as informações possíveis para tranquilizá-los de que realmente estaríamos lá no dia combinado, e poucos dias antes do embarque um último e-mail dizendo “já, já estaremos aí!”. Para nós, brasileiros, que não confiamos nem na própria sombra, que estamos sempre a mercê de algum espertinho pronto para nos passar a perna... essa é uma das melhores coisas da Europa.

E por que decidi escrever sobre isso? Ah, sei lá. Tanta gente nos pergunta “como vocês foram? com que agência?” e aí respondemos “agência nenhuma, fizemos tudo por conta” e muitos ainda ficam impressionados com isso, principalmente porque foi nossa primeira vez na Europa. Não tenho nada contra agências de turismo, mas vejo que muita gente poderia fazer diferente e não faz por insegurança, porque não se acha capaz de fazer ou porque não confia na internet (pois saiba que o seu agente de turismo faz tudo pela internet também, da mesma maneira que você faria). E, com isso, não se dedica tanto a sonhar, planejar, pesquisar, escolher. Deixar tudo nas mãos de especialistas pode reduzir os riscos ao mínimo (nunca a zero), mas o que você terá aprendido? Acho que toda viagem tem seus momentos roubada, tem imprevistos, tem coisas que você achava que seriam diferentes. Você vai tomar “tufo” antes, durante ou depois. Você vai gastar mais do que planejou. Você pode ficar resfriado (aconteceu comigo em Garmisch), você pode ser surpreendido pelo frio ou pelo calor fora de época (Paris 35 graus em maio). Você vai se irritar por não ser compreendido, vai ficar feliz porque entenderam seu inglês macarrônico, vai cruzar com pessoas grosseiras e gentis, vai derrubar preconceitos e mitos. E acredito que tudo isso será muito mais intenso se você tiver feito todas as escolhas.

Mas é só a minha opinião.

10 de jun. de 2010

tem que ir

"O quê? Você foi a Amsterdam e não visitou o museu da Anne Frank?"

Pois é, passei essa, algum problema?

Eu mesma vivo fazendo isso, mas tenho tentado me policiar. O fato é que é quase irresistível querer que os amigos façam e vejam o mesmo que você. Esquecemos que a nossa viagem é diferente da viagem deles. A realidade, as vontades, os gostos, tudo é muito diverso, por mais afinidade que se tenha.

Analisemos o típico caso do "tem que ir". No fundo, o seu amigo quer que você passe pelo mesmo que ele passou. E, muitas vezes, a experiência dele não foi das mais agradáveis. Você “tem que ir” porque ele não quer se dar mal sozinho, ou não quer reconhecer que fez programa de índio e acaba “indicando” a roubada. Não é fácil assumir os próprios erros, ainda mais quando estão envolvidas boas somas de dinheiro e as suas preciosas férias.

Aconteceu conosco em Búzios. Vários amigos recomendaram que fôssemos a Arraial do Cabo, que é ali perto. Lá fomos nós. As águas são realmente cristalinas, mas o passeio de barco foi uma droga. Quando tudo acabou, lamentamos o dia perdido em um programa mais ou menos.

Então o negócio é desencanar e não entrar nessa do "tem que ir". Tem que ir para ver que é ruim com seus próprios olhos? A internet está aí para informar e advertir. Pesquise antes – em sites isentos, por favor – para não cair em armadilhas.

E aí chegamos ao ponto. A Torre Eiffel.

De tudo o que fiz em Paris, o mais "tem que ir" era subir a Torre Eiffel.

A primeira vez que eu enxerguei a Torre foi incrível. Foi logo no primeiro dia, de uma das pontes do Sena perto do Louvre. Dei um gritinho e senti o frio na barriga: estou em Paris. Sensação maravilhosa. Depois a vi várias outras vezes, de perto e de longe, porque é raro algum ponto de Paris de onde não se possa ver um negócio daquele tamanho. Ela está quase sempre lá, acompanhando nossos passos.


Mas e subir?

Bom, eu estava decidida desde sempre que subiria. O Fredo, nem tanto. Ele bem que tentou me dissuadir, mas não conseguiu. Fora de cogitação, “tem que ir”. Escolhemos uma segunda-feira de manhã, fugindo estrategicamente do final de semana. Chegamos o mais cedo possível, que não foi tão cedo assim porque ficamos bebendo vinho rosé na noite anterior e acordamos de ressaquinha.

Vou pular a parte em que ficamos mais de meia hora na fila errada (na que não tem elevador e os turistas pagam 5 euros para subir 400 degraus - sinalização, definitivamente, não é o forte de Paris). Uma vez na fila certa, precisávamos decidir se iríamos até o último nível, a mais de 300 metros de altura. O Fredo não estava nem um pouco a fim. Eu não estava completamente certa. Mas o "tem que ir" falou mais alto. Vou subir na Torre Eiffel e ficar no segundo andar, SÓ a 115 metros de altura? Não. Quero o topo.

Naquele dia, o céu de brigadeiro não podia ser mais perfeito para ver a cidade do alto. Só que o sol e o calor estavam implacáveis – em plena primavera, demos a sorte ou o azar de pegar temperaturas de verão em Paris. Com isso, a fila, que já é lenta e cansativa, ficou ainda pior. Levamos em torno de 1 hora e meia só para comprar os tickets, mais meia hora até chegar ao saguão do elevador, tudo isso sob um sol escaldante. No tal saguão espremeram-se dezenas de crianças e adultos, e o Fredo, que é meio claustrofóbico, quase desmaiou. E não é que o elevador resolveu dar pau bem nessa hora? Siiiiim, em Paris os elevadores também pifam. Mas ninguém arredou o pé: essa geringonça vai ter que funcionar! E funcionou, depois de mais uns vinte minutos esperando. Ar-condicionado? Nem em sonho.

Quando finalmente chegamos ao segundo andar, a vista levou um tempo até chamar nossa atenção. Estávamos cansados, queríamos ir ao banheiro e sentar um pouco depois de tantas horas de pé. Imagine o humor do Fredo a essas alturas. Eu, diplomática como quase sempre, tentava ver o lado bom da situação e me entusiasmar, afinal, estava na Torre Eiffel.

Depois de um rápido descanso, fomos disputar nosso lugar ao sol (literalmente) para curtir a vista e tirar fotos. Foi preciso enfrentar hordas de gente de todas as nacionalidades para chegar aos pontos que poderiam dar boas fotos. Na minha opinião, sobe gente demais naquela Torre. E isso ficou ainda mais evidente quando decidimos pegar o elevador que nos levaria ao topo: devia ter umas 500 pessoas na fila. Ou seja, se havia fila para subir, claro que também haveria para descer, e depois mais uma para ir do segundo andar ao térreo. Tô fora.

Pois é, resolvemos não subir. Pagamos o ticket de 13 euros (o do segundo andar é 8 euros) e jogamos dinheiro fora. Não dava pra encarar mais aquela fila. O "tem que ir" tinha chegado ao limite. Já me disseram que o legal de subir é mais pela emoção da subida mesmo, porque tudo fica pequenininho demais daquela altura e bom mesmo é ver Paris do segundo andar. De fato, a vista dali é belíssima. As fotos estão aí para comprovar.



Agora, se vierem me perguntar se eu acho que a Torre Eiffel é programa obrigatório, já sei o que vou dizer:
Ver a Torre de longe é muito legal, faz você sentir que está MESMO em Paris, e você não precisa ir a nenhum lugar muito específico para vê-la.
Ver a Torre de perto (mas não muito de perto) é muito legal também, especialmente da Place du Trocadéro.
Ver a Torre ao anoitecer, quando ela se ilumina, e o show de luzes (que dura uns 5 minutos) é imperdível.
Você pode ter vistas maravilhosas de Paris sem sofrer tanto: do Arco do Triunfo (a que eu mais gostei), do terraço do Centre Pompidou, da Sacré-Coeur. E certamente de outros pontos que eu desconheço.
Sobre subir a Torre, decida sozinho. Mas eu é que não vou dizer "tem que ir".

E se você quiser uma cidade bonita DE VERDADE vista do alto, vá a Praga, na República Tcheca!


9 de jun. de 2010

o que vale a pena contar


Opa, tudo bem?

Não voltei da Europa inspiradíssima para escrever sobre a Europa. Achei mesmo que isso aconteceria. Também pensei que escreveria muito sobre a viagem que fiz no verão de 2009 para o litoral de Alagoas, mas acabei não escrevendo nada. Fui deixando, deixando, e o momento passou.

Não é o mesmo que acontece com essas férias europeias, que obviamente não foram como ir para o Nordeste do Brasil. Mas é que tanto se fala sobre Paris, Praga, Amsterdam e etc. que eu não acho que minhas impressões possam contribuir muito. São impressões, como eu bem disse no post anterior, de uma "marinheira de primeira viagem". É o olhar de alguém que pisa na Europa pela primeira vez, e portanto, muito limitado.

O fato é que, no final das contas, cada um tem uma visão, cada experiência é única. A minha foi diferente da sua. É normal que eu não tenha gostado muito da mesma coisa que alguém adorou, e vice-versa. Não vi nem fiz tudo o que outras pessoas fizeram, os destinos que escolhi não são os mesmos que muitos teriam escolhido. Qualquer coisa que eu escreva será absolutamente particular, representará unicamente a realidade que eu vivi.
Por tudo isso, vou me abster de detalhar meus 20 dias de férias na Europa. Coloquei as melhores fotos no Orkut para compartilhar com os amigos de perto e de longe. Pretendo fazer o mesmo no Facebook, assim que sobrar um tempinho. O resto é lembrança, é o que terei sempre para contar, é vivência, e isso nem cem anos apagam.
O que certamente acontecerá é que, em meus próximos textos, minha experiência virá sob outras formas, afinal, uma viagem é aprendizado e descoberta. Me sinto, sim, mais completa. Faltava isso no meu currículo.
No entanto, quero escrever sobre algumas coisas sim, ideias que vieram com a viagem. O próximo post, sobre a máxima TEM QUE IR, vai contar nossa aventura (desventura?) ao subir a (imperdível? obrigatória?) Torre Eiffel. Também quero falar sobre o fato de a viagem ter sido inteiramente planejada, pesquisada e, principalmente, RESERVADA e COMPRADA pela internet. Isso sim, vale a pena ser compartilhado.

2 de mai. de 2010

borboletas no estômago


Então as coisas vão acontecendo e me deixando assim, meio tonta. Tudo o que penso e faço e vejo é para a viagem de daqui a alguns dias, aquela tão sonhada, aquela acalentada durante anos e anos, desde que me entendo por gente, talvez. Aquela que deveria ter acontecido de outro jeito, num outro momento, ou não, porque daí não seria esta viagem, teria sido outra. Esta é esta, aquela é aquela, e aquela não aconteceu, pronto. Let’s change the subject.

Será minha primeira vez em um avião com três fileiras de cadeiras, cada fileira com três cadeiras, o que faz com que este avião tenha nove fileiras de cadeiras. Ou melhor, de assentos. Avião tem assento, não cadeira. Já era hora de eu saber disso. Também será a primeira vez que ficarei mais de dez horas dentro de um avião, sobrevoando um oceano. Será a primeira vez que pisarei no Velho Mundo, aquele das aulas de história e dos filmes épicos. São tantas primeiras vezes que acho melhor parar por aqui.

Já ando pensando como e o que vou escrever quando voltar. Primeiro: pretendo me esforçar para deixar a pretensão de lado e escrever como uma boa turista de primeira viagem. Que é o que sou, for God's sake. Não posso querer escrever ou pensar como parisiense, praguense, muniquense, amsterdanense. Não tem jeito, serei mais uma brasileira deslumbrada a descobrir as maravilhas do outro lado do Atlântico, a contar centavos de euros pra ver se dá pra jantar naquele restaurante bacana, a invejar a vida europeia, o glamour de Paris, as cervejas alemãs, os telhados alaranjados de Praga, os cafés de Amsterdam. E serão tão poucos e breves dias em que tentaremos ver e fazer tudo o que pudermos, mas também tentaremos andar à toa pelas ruas, ouvir as línguas estranhas, observar as pombas nas praças, apontar para o lixo na rua e dizer "viu, viu! aqui também tem sujeira, não é só no Brasil". Ou não.

Seja como for, juro, prometo que vou escrever como uma iniciante, com todo o direito de errar, de falar a maior bobagem do mundo, a ponto de me acusarem de louca, de perguntarem "mas você esteve na mesma Paris que eu estive???". Porque a gente só consegue sentir um lugar, saber um lugar, depois de ir duas, três, muitas vezes. E mesmo assim (então não falei há poucos dias sobre minha incrível visão míope do Rio de Janeiro? então não versei sobre minha segunda vez em Búzios, dez anos depois?), nunca conheceremos, nunca saberemos como eles, como os que lá são o que eu sou aqui em Porto Alegre, e olhe que nem portoalegrense eu sou (que o digam os amigos guaibenses que se entristecem ou se ofendem ou me xingam ou só acham graça do meu menosprezo - a esses últimos, obrigada pela compreensão).

Então aqui estou eu, escrevendo pela primeira vez sobre a viagem que planejo há meses. Apenas cinco dias me separam dela. Minha lista de afazeres turísticos inclui muitas compras em freeshops e pontas de estoque europeias descobertas internet afora, porque sou mulherzinha até dizer chega. Mas inclui, sobretudo, sentir. Viver. Ver. Comer e beber, talvez não nessa ordem. Andar, me cansar, não entender, me perder, me encontrar. Falar inglês (detalhe: não vou a nenhum país de língua inglesa, God have mercy). Levar patada de algum francês mal-humorado. Me sentir cosmopolita uma vez na vida.
Sinto borboletas no estômago. Foi meu professor de inglês, o Marlo (que me ajudou a estar neste momento com a língua da aunt Elisabeth praticamente desenferrujada), quem me falou isso. Do you feel butterflies in your stomach? Sim, sinto. Muitas borboletas. Não dá pra fingir que é só mais uma viagem. It's big deal. Por mais piegas, por mais clichê que isso pareça, é a realização de um sonho.
Meu próximo post será, muito provavelmente, só em junho. É rapidinho. Vou ali e já volto.

Au revoir!