20 de jan. de 2009

decisão drástica

Tomei uma decisão drástica: não vou assitir ao BBB9 e nem à novela Caminho das Índias. Vou ocupar esse tempo com outras coisas. Vou ficar na internet, assistir a outros programas, descobrir outros canais, dormir, ler revistas e livros, bula de remédio, o que for. Mas não vou ver essas bostas aí não.

Não pense que é fácil pra mim. Tirando as duas primeiras edições, que por algum motivo não acompanhei direito, eu assisti a todos os BBBs. Alguns eu até curti, me diverti, outros eu odiei, mas assisti igual. Com a novela das 9 da Globo, a mesma coisa. Não sou dessas que ficam falando dos rumos da trama com as pessoas no elevador, mas, de um jeito ou de outro, acabo acompanhando. Mesmo quando é ruim.

Então isso não significa que eu decretei que nunca mais vou ver novela ou BBB. O problema não é o gênero em si, o problema é Caminho das Índias e o BBB9.

Lembro muito bem das duas últimas novelas da Gloria Perez. O Clone e América. Não sei dizer qual foi pior. Duas bombas, dessas que a gente vê e se contorce no sofá de tão ruim. Por isso resolvi não dar mais uma chance pra ela. Aguardemos o próximo folhetim.

E quanto ao BBB, bom, esse talvez eu deixe mesmo de assistir. Se eu passo a vida tentando ficar longe de gente vazia, por que vou querer saber como vive essa espécie em cativeiro? Não tem como sair alguma coisa que preste dali.

Livre! Finalmente, livre!

Ah, mas se eu mudar de ideia, eu aviso.

O Marcio Garcia até que é gatinho, mas não vai ter minha audiência não. Desculpa aí, Marcinho...

14 de jan. de 2009

mar azul-calcinha me espera nas alagoas

Já estou naquele ponto que só penso nas férias que se aproximam. O Fredo não para de montar roteiros, faz dois ou três por dia, anotando tudo em folhas de caderno. Já sabe decor as praias, as barbadas, as dicas quentes e as frias que cercam qualquer viagem turística.

Dessa vez vamos desbravar o litoral alagoano. Não inteirinho, é verdade, mas a melhor parte, a mais selvagem, apelidada de Rota Ecológica por nosso guru Ricardo Freire. A viagem também vai incluir uma boa parada em Carneiros, ainda em Pernambuco, e, claro, em Maceió, porque (quase) sempre é preciso um pouquinho de urbanidade.

Nossas expectativas são altas, enormes. E acho que não têm como não serem atendidas. Acho até que essa tem tudo pra ser a melhor viagem das nossas vidas. Com chances, inclusive, de superar Fernando de Noronha. Afinal, Noronha é um paraíso pequenininho, com diâmetro e atrações limitados, bem diferente da diversidade que encontraremos em Alagoas. Alguns dirão "menos, Fernanda, menos". Eu prefiro pensar que a próxima viagem será sempre a melhor.

Esse período pré-férias é legal porque dá um friozinho na barriga. Tem que lembrar de tudo, comprar o que falta, marcar manicure, depilação, tudo tem que ser feito no momento certo pra nenhum imprevisto atrapalhar a viagem. Adoro. Esse ano eu até resolvi fazer um bronzeamento a jato pra não chegar tão albina no Nordeste. Isso sem falar na superdieta que comecei rigorosamente depois do feriado de ano-novo.

Tudo pra sair bem na foto. Afinal, vamos combinar: pra sentar naquela cadeirinha ali, tem que dar um trato no visual antes, né? Pra não destoar tanto da paisagem.

Piscina da pousada Borapirá, onde nos hospedaremos na Rota Ecológica, litoral Norte de Alagoas.

8 de jan. de 2009

acontecendo tudo, acontecendo nada

Estou em uma fase em que, apesar de muita coisa estar acontecendo, me sinto serena e tranqüila. Meu ano-novo foi a síntese disso: um feriado descomprometido, a 600 quilômetros de casa (e do litoral), longe do tumulto que marcou esse final de ano chuvoso e, para muita gente, estressante. Um feriadinho delicioso na companhia de bons amigos, com muita comida, muita bebida, muitas horas de sono e total despreocupação. Agradeço o convite dos queridos Romualdo e Ciça e a hospitalidade dos pais dele, Rosa e Jairo, e da irmã, a pequena Fabi. Não poderia ter sido melhor.

E o que mais? Além da preparação para as férias - daqui a apenas duas semanas -, muito trabalho, muita malhação, uma dietinha básica pré-férias (isso tem hífen ou não???) pra não fazer (muito) feio dentro do biquíni... e também a corrida pelo sonhado apartamento dos meus pais, que mais do que nunca estão recorrendo à filha caçula e ao genro para resolver os chatíssimos problemas causados pela aquisição de um imóvel.

E no trabalho as coisas se ajeitam e só melhoram, novidades surgem a cada momento, os clientes sempre bem felizes, as relações cada vez mais fortes, os problemas sendo resolvidos sem maiores percalços...

E em casa tem até um sofá novo, lindo, confortabilíssimo. Agora é ainda melhor ficar sentada na sala, lendo um livro ou vendo TV... coisa bem boa... perfeito para assistir à minissérie Maysa, que a Globo exibe desde segunda-feira, e que me arrepia e faz lembrar da recém-lida biografia dessa mulher incrível (emprestada pela Mimi, como não poderia deixar de ser), de quem virei fã.

Enfim, tuuudo na mais santa paz.

Hummm...

Aaaaaaaaaaaaaaargh, isso já tá me irritando! Não estou acostumada. Sempre tem alguma coisa torta. Nem tudo pode estar tão bem. Nããão, não é possível. Vamos ao que tem me irritado ultimamente:

- o redemoinho que tenho no cabelo, que às vezes me deixa meio careca.
- a brancura do corpitcho (mas que, afinal, faz juz ao Vier do meu nome)
- as celulites que povoam este corpitcho.
- a manicure que nunca tem hora pra me atender.
- a nova novela das 9 da Globo, que ainda nem começou mas que eu já sei que vai ser muito ruim.
- o Big Brother 9, que além de empurrar a Maysa para muito mais tarde, vai ter 18 pessoas certamente desinteressantes, mais não sei quantas numa bolha dentro de um shopping para o povo escolher quem entra na casa... um festival de barbaridades.
- as asinhas de cupim que insistem em aparecer aqui em casa, apesar de termos erradicado a praga de todas as madeiras.
- o Fredo reclamando que eu dirijo muito rápido na estrada.
- o Fredo reclamando que eu não avisei sobre um controlador de velocidade.
- a Varig e a Gol mudando a toda hora os vôos das nossas férias.
- a conexão da Net que volta e meia não funciona.
- a série Desperate Housewives, que o canal Sony reprisa até enjoar e fica quase um ano sem passar uma nova temporada.
- a Bovespa, que caiu muito nos últimos meses, maldita crise. Aguardemos pela recuperação da Petrobrás.
- a...

Pode não parecer, mas fiz um baita esforço pra escrever essa lista tolíssima. De fato, as coisas que me preocupam atualmente são fúteis e irrelevantes. Está tudo tão bem. Deixemos assim, porque esses momentos são raros.

24 de dez. de 2008

amigo sandro, obrigada por tudo


Que Madonna que nada. Bom mesmo foi ter ficado pertinho do meu amigo Sandro, esse irmão que conheci aos 15 anos e que continua sendo o mesmo amigão de sempre.

Sandro, quero deixar registrado aqui no blog que tu foste um ótimo anfitrião, que eu REALMENTE me senti em casa na tua casa e que não vejo a hora de repetir a dose. Obrigada por ter me levado na The Week, por ter me apresentado teus amigos, por ter me dado a chance de me divertir taaaaanto naquela balada maravilhosa, por ter passseado comigo na Oscar Freire, por ter dividido comigo aquele sushi... adorei cada momento.

coisas boas e ruins de um show da madonna

(Tentar) ver Madonna no Morumbi foi uma experiência e tanto. É muito provável que esta tenha sido minha última vez num show em estádio e, principalmente, na pista. Esqueci o dorflex e quase morri de dor nas costas, depois de passar horas em pé ou muito mal sentada no chão. Nunca fui fã de freqüentar estádios nem pra ver o Grêmio jogar, abri uma exceção porque, afinal, é Madonna, e acho que tão cedo ela não pinta no Bourbon Country...


Vamos aos fatos. Primeiro, o show atrasou 1 hora e meia. E aqui fica meu protesto: esse povo de São Paulo é muito pacífico! Ficou ali como se um atraso desses fosse normal! Eu queria reclamar, mas o que seria minha voz sozinha entre 70 mil? Não ouvi um ai. Defeito ou virtude dos paulistanos, que certamente eram maioria lá? Não sei, mas fiquei revoltada. Quieta, mas revoltada.

Eis que então, finalmente, o palco se iluminou... Os telões foram ligados... E ela entrou. E todos, inclusive eu, esqueceram o atraso. E a dor nas costas. E a vontade de fazer xixi. O que tem essa mulher pra fazer isso com as pessoas? Eu, que nem curto muito música pop, que sou muito mais do "banquinho & violão", do samba, da música brasileira, fui totalmente contagiada por aquela freak que não envelhece nunca, que não pára de lançar discos incríveis e que não deixa as britneys e rihannas da vida chegarem nem perto do posto que há anos é dela.

Agradeci por ter me dedicado a ouvir exaustivamente o disco Hard Candy no meu MP3 nas últimas semanas, pois assim pude acompanhar praticamente todas as músicas. E adorei. Juntando essas com um punhado de outras mais antigas que ela cantou e está feito o show perfeito, que remete uma guria de 31 como eu a várias fases da vida, principalmente à tão remota adolescência.

Pena mesmo que não vi muita coisa. Em meus minguados 1 metro e 65, não fui páreo para meio Morumbi com mais de 1,70. Pescoção esticado, ponta do pé, nada resolveu muito. Diante de tudo isso, o saldo da experiência é uma mistura de coisas boas e ruins. Mas a conclusão é que as coisas boas neutralizam as ruins, como acabei percebendo depois que fiz essa listinha:

Gostei:
- Do show em si, da produção, dos efeitos visuais, do som que estava impecável. É puro entertainment, é espetáculo. Expectativas atendidas e superadas.
- Da companhia perfeita do meu amigo Sandro, super parceirão que até ergueu várias vezes as dezenas de quilos deste corpitcho (aff...) pra eu ver melhor o palco.
- Da simpatia da Madonna (por essa eu não esperava), que bateu altos papos, reclamou da chuva (até os popstars falam sobre o tempo...) e sorriu muito.
- Da tranqüilidade daquele povaréu. Nem sombra de violência, pelo menos por onde eu passei.
- Do repertório mesclando músicas novas e antigas.
- Do momento Like a Prayer. Nunca pulei daquele jeito num show!
- Das cervejas geladas que tomei (só isso e muita sede pra salvar uma Sol).

Não gostei:
- Do atraso de 1 hora e meia.
- Do conformismo do público com o atraso de 1 hora e meia.
- Da Madonna ter ficado quase metade do show dançando no chão (se em pé já era ruim enxergar, imagina deitada).
- Da desafinação da Madonna cantando Borderline em ritmo de rock.
- Da Madonna fingindo tocar guitarra.
- De a Madonna ter recusado o pedido de um cara para cantar Open your heart. Se só ensaiou Express yourself, por que pergunta?
- Da altura da Madonna (vai ser baixinha assim no inferno!).
- Do cabelo da Madonna (ela já teve momentos melhores).
- De a única cerveja a venda lá ser Sol.
- De ter sido obrigada a entrar no estádio do São Paulo (grrrrrrrrrrr)

11 de dez. de 2008

contagens regressivas

Minhas novas contagens regressivas são:

Viagem a São Paulo e show da Madonna: 8 dias
Reveillon em Treze Tílias/SC (exótico, não? outra hora explico melhor): 19 dias
FÉRIAS (Carneiros/PE, Maceió/AL e Rota Ecológica/AL): 43 dias

Eba! Três viagens encarreiradas! Doida pra escrever sobre, mas é cedo. Deixa pra depois.

8 de dez. de 2008

muitas emoções, nenhum título


Não deu... :-(

Apesar de quase o país inteiro não querer um time hexacampeão e abrindo tamanha diferença em relação a qualquer outro, os entojados do São Paulo levaram a melhor. Também pudera. Grêmio vacilou quando não podia ter vacilado. Ser vice já foi um grande feito, afinal, não era um grande time. Cheio de deficiências, chegou onde chegou. O que sobra para o resto então...
Mas 2009 promete. Agora umas merecidas férias, pliss, porque foi um ano de muitas emoções.

30 de nov. de 2008

um boteco porto-alegrense, por favor?


Apreciadora de botecos como sou, peno por morar numa cidade como Porto Alegre. Além de dispor de pouquíssimas opções, ainda tenho que agüentar os pretensos "botecos cariocas" pipocando pela cidade. Tudo bem que é uma benção poder tomar um bom chopp Brahma sem quebrar a cabeça para lembrar onde ir para matar a vontade. Mas é dose ir num bar que se diz "carioca" com leão-de-chácara na porta anotando o nome dos clientes em uma comanda (isso às 5 horas da tarde!!) e garçom querendo empurrar um novo chopp quando ainda tem 1/3 de líquido no meu copo. Esse pessoal acha que é só botar umas frases espertinhas ou letras de clássicos do samba na parede (o Nito fez isso há muito tempo), um DVD de pagodão a tocar, escondidinho de camarão no cardápio e um bando de garçons mal treinados enfiando chopp goela abaixo para se autoproclamar "boteco carioca".

Menos, bem menos. Por que não tentam encontrar a essência do que poderia ser um típico boteco porto-alegrense, ao invés de ficar tentando imitar o estilo dos outros? Não vão chegar perto nunca. Era preciso estar a bem menos quilômetros do litoral, era preciso muito mais simpatia, muito mais chiado e empadas de camarão com catupiry, sem falar na carta de cachaças, que ninguém ainda pensou em oferecer. Me parece tudo tão falso, tão forçado, tão mal copiado, que dá um desânimo.

Mas enfim, nem tudo é tragédia. O Natalício, que fica na divisa entre o Centro e a Cidade Baixa, até consegue impor uma certa autenticidade. Ali toma-se um ótimo chopp a bom preço e come-se petiscos dignos dos bons bares cariocas. Ontem me arrisquei num pedido inusitado: uma coxinha de galinha, sem igual em Porto Alegre, segundo eles. E estão certos. Enorme, sequinha, a massa tipo "risólis do Limuta" (é preciso ser guaibense e ter mais de 30 anos pra entender), bom mesmo. O escondidinho é outra excelente pedida, e o sanduíche de filé com gorgonzola também. O segredo é mostrar desde o início quem manda: diga ao garçom que ele só deve servir um novo chopp quando você pedir. Aí é só curtir.

O que decepcionou mesmo foi o tal Dona Neusa, que ocupa a casa onde por tantos anos funcionou o Cult (que se mudou para o Moinhos). No pouco tempo que ficamos lá, quiseram nos enfiar um chopp com 2/3 de colarinho (sem colarinho não dá, mas só espuma também não, né?), acharam ruim quando pedimos para trocar e já vieram nos empurrando chopp quando não tínhamos terminado os nossos. Lá dentro estava rolando um samba ao vivo, mas para entrar era preciso passar por um detector de metais. Isso às 5 da tarde. Pode? Nem no Rio, a terra do tráfico de drogas e de armas, das favelas e das balas perdidas, existe isso. Deprimente. Possivelmente daremos uma nova chance ao Dona Neusa, talvez à noite, quando parece mais propício a uma badalação. Mas a primeira impressão foi péssima.
Em suma, tudo o que eu queria era ir num bom boteco porto-alegrense em Porto Alegre, num bom boteco paulista em São Paulo, num bom boteco carioca no Rio, e assim por diante. Parem de ficar copiando (mal) e criem, façam algo autêntico. Mas com chopp Brahma, se não for pedir muito.

25 de nov. de 2008

a decadência de um ator e de uma revista

Essa semana li a Veja mais lamentável que já caiu em minhas mãos. Na capa, a cara bem grandona do ator Fábio Assunção e a manchete: a luta de Fábio contra o vício da cocaína. Meu pior lado - aquele bem fútil, sedento por mexericos sobre celebridades - não resistiu e preferiu a revista à Zero Hora (e há muita diferença?). A matéria era uma das piores coisas que já li na vida, dedicada a expor os problemas que o cara vem tendo com as drogas. Na falta de fatos concretos e de depoimentos de amigos ou familiares (anônimos que fossem, mas nem isso), até a trama da novela das seis eles se prestaram a contar. Pura falta de assunto. Achei tão baixo, como se nada mais importante estivesse a acontecer no mundo, que o pouco conceito que eu ainda tinha da Veja caiu a níveis negativos.

E o mais incrível: hoje fui na manicure e, como de praxe, me deleitei com a última edição da revista Quem. A capa era a respeito do mesmíssimo assunto: Fábio Assunção e sua via-crúcis para se livrar das drogas. Mas não é que... a matéria era infinitamente melhor que a da Veja? Siiim, a Veja conseguiu se sair pior que uma revista de fofoca, com o mérito de esta ser assumidamente de fofoca, sem pretensões sociopolítico-econômicas.

Até onde vai esta nossa célebre publicação? Poderia ela se igualar ao que de pior existe no lucrativo segmento da imprensa marrom? Sim, porque não há outra explicação a não ser essa, o lucro. Afinal, assim como eu, quem resiste à tentação se saber por que o Fábio Assunção deixou o elenco de Negócio da China?

Well, dessa história toda, só posso lamentar uma coisa, além da decadência da Veja. O Fábio Assunção deveria estar interpretando o Dodi, que acabou nas mãos do Murilo Benício em A Favorita, a qual, eu admito, assisto quase todos os dias. Eu sempre quis ver o Fábio fazendo outro vilão depois do memorável Renato Mendes de Celebridade. Mas a alta cúpula da Globo, sabendo dos problemas do rapaz, não quis correr o risco de colocá-lo no horário nobre. Terminou fazendo par romântico com a Grazi na novela das seis. Putz! Só podia se afundar mesmo!

Vou ficar torcendo para que tudo dê certo com o Fábio Assunção e que logo a gente possa ter aqueles belos olhos azuis nas novelas globais, e de preferência como um adorável vilão!

16 de nov. de 2008

restaurantes favoritos (parte V): Baumbach Ratskeller

Ontem fomos ao alemão Baumbach Ratskeller, um dos melhores do gênero em Porto Alegre. É um dos restaurantes que mais freqüentamos, porque lá não tem erro: atendimento primoroso, comida excelente, preço razoável (querendo, dá pra gastar uma baba, mas a gente sabe como passar bem sem estourar o orçamento da noite).

Começamos a ir mais vezes no Baumbach depois que eles adotaram o prato soft. A idéia, que vem ganhando outros adeptos na cidade, é simples: uma versão menor dos pratos individuais para os menos esfomeados. A questão é que os pratos que, supostamente, são para uma pessoa, servem duas tranqüilamente. Quando não dá pra dividir, o resultado é desperdício de comida e conta astronômica. O prato soft acabou com esse problema. Os mais gulosos podem achar que não vai ser suficiente, mas eu aconselho experimentar. O preço é 1/3 menor e a porção é o que eu chamaria de normal, pois a individual "tradicional" é que é exagerada.

Descoberto o prato soft, o Baumbach entrou para o nosso top 10. É um lugar legal para ir quando se quer fazer um programa mais sóbrio (mas não sem álcool, claro). Não espere um lugar cool, descolado: o Baumbach é caretíssimo, a começar pela decoração, toda em madeira escura e com imensas e realistas telas retratando diferentes tipos de flores. É freqüentado por pessoas mais velhas, casais maduros com filhos criados. É comum que grupos de amigos dessa faixa etária se encontrem lá, em mesas de 8, 10 pessoas.

Assim, para curtir o Baumbach, o objetivo tem que ser passar bem. Ontem, estávamos com esse espírito. Queríamos simplesmente um bom lugar para jantar. Ajudou na escolha o fato de que a única bebida que estava me apetecendo era a cerveja de trigo da Eisenbahn. Lá tem, sempre geladíssima, servida em um copo lindo e de um jeito todo especial, que deixa uma espuminha cremosa.

Para comer, decidi inovar. Lá eu já tinha comido peixes, filés, massas, vitelas... ontem arrisquei e pedi uma marreca ao molho de laranja. Nunca tinha comido marreca. Não me arrependi, estava uma delícia. Mas, da próxima, acho que vou voltar a apostar nos peixes, que são o melhor da casa, na minha modesta opinião. O Fredo, mais conservador, pediu a tradicional salsicha bock com chucrute e salada de batata. Como (quase) sempre, dispensamos a sobremesa, até porque, antes do jantar, detonamos o ótimo couvert. Com tanta comida, sem chance para a sobremesa.

É isso: se a idéia for um excelente jantar, invista no Baumbach Ratskeller sem medo.

15 de nov. de 2008

valsa para uma noite

Assisti a "Antes do Amanhecer" há muito tempo. Embora não tenha entrado na lista dos meus dez mais, deixou uma marca, pois nunca esqueci daquela história de amor vivida em um dia só (quando não gosto de um filme, deleto-o da memória sem piedade).

Ontem passou na TV a continuação, feita nove anos depois, chamada "Antes do Pôr-do-sol". Assisti à revelia do Fredo, que não estava nem um pouco interessado no blábláblá do casal. Ainda bem, caso contrário não teríamos visto a cena em que Cèline, personagem de Julie Delpy, canta "A Waltz for a Night" para Jesse, de Ethan Hawke.

Só essa cena já justifica o filme, que, aliás, me pareceu tão bom ou melhor que o primeiro, com uma interpretação tocante de Julie (nem tanto do Ethan, mas nada que comprometa). A letra da valsa fala do dia que eles passaram juntos em Antes do Amanhecer. De arrepiar.

28 de out. de 2008

quando um livro é bom (Travessuras da Menina Má)


Quando leio um livro bom, me dá uma felicidade... acho que falei coisa parecida em outro post. É que não posso me furtar de comentar sobre o último livro que devorei, digo, li. A Americanas.com me entregou em tempo recorde os três títulos encomendados - um deles, sobre lendas da mitologia grega, foi de presente para meu sobrinho de 9 anos, a pedido dele. Não é um fofo? - e eu peguei para ler na mesma hora Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa. Há tempos queria ler algo deste peruano, que eu vim a descobrir, lendo a orelha do livro, que chegou a ser candidato a presidente de seu país. Perdeu para o tirano Fujimori. Daí dá pra entender as críticas que permeiam a narrativa de "Travessuras ".

Não vou fazer um resumo do que li - há críticas e resenhas aos montes na web -, mas ao desafortunado que ainda não teve a oportunidade de conhecer a história da menina má e do bom menino, quero apenas deixar aqui a minha mais entusiasmada recomendação. É uma jóia rara. Provoca no leitor uma verdadeira catarse, é possível sentir as emoções dos personagens, de tão reais e humanos que são. Uma história de amor às avessas que daria um filme daqueles. Aliás, não posso acreditar que ninguém tenha pensado nisso ainda. Por via das dúvidas, melhor ler antes que Hollywood estrague a surpresa.

Comprei Travessuras da Menina Má influenciada por um título delicioso e por um escritor renomado de quem nunca tinha lido nada. Decisão impulsiva, porém acertadíssima. Estava mesmo precisando de um aperitivo pra me abrir a fome. Às vésperas da Feira do Livro de Porto Alegre, estou louca pra devorar tudo o que vier pela frente.

26 de out. de 2008

bodas de madeira

Ontem completamos, Fredo e eu, 5 anos de casados. O tempo passou rápido nisso também. Embora estejamos juntos há muito mais tempo – quase 12 anos –, foi no dia 25 de outubro de 2003 que assinamos o papel e nos tornamos marido e mulher. A gente nem precisava ter se casado, porque morávamos juntos e a lei certamente já consideraria nossa relação estável. Mas tinha um problema. Eu não conseguia deixar de chamá-lo de namorado. E isso era ridículo, pois àquela altura, namorados já não éramos há um bom tempo. Mas eu simplesmente não conseguia. Ele não me chamava de namorada, mas de mulher ou esposa também não, eu acho. Homem tem a vantagem de poder falar “minha guria”, era assim que ele falava para amigos ou colegas de trabalho que não me conheciam. Só que eu não podia chamá-lo de “meu guri” sem parecer que estava fazendo alusão à música de Chico Buarque. Ninguém chama namorado de “meu guri”, “meu homem”...

Nosso casamento foi super simples. Bonito, quase singelo. Escolhemos um espaço para festas na rua Dona Laura e ali tudo se deu. Não esbanjamos, só o essencial. Não teve igreja, mas teve uma benção dos meus pais, aproveitando o fato de eles serem católicos praticantes e minha mãe, uma ex-freira. Compareceram cerca de 80 pessoas, ou quase a totalidade de convidados. Os padrinhos foram nossos amigos mais queridos e próximos. As músicas foram selecionadas a dedo. Por meses nos dedicamos a vasculhar nossos CDs (em uma era pré-eMule) e a escolher o que o DJ do lugar - nada confiável - iria tocar. Isso deu um toque superpessoal à festa, muita gente percebeu que aquelas músicas não estavam tocando à toa. Na entrada dos padrinhos, a trilha foi In My Life, dos Beatles. Na entrada da noiva, Wave, na voz de João Gilberto. A valsa, nada ortodoxa, foi Te Solté la Rienda, na interpretação dos mexicanos do Maná. Na hora do brinde, foi a vez de Gracias a La Vida, cantada por Elis Regina. Arrepios...

Estávamos muito felizes. Reunir familiares e amigos para festejar nossa união deixou-nos extasiados. Acho que, se fosse casar hoje, faria muitas coisas de maneira diferente, principalmente a escolha dos fornecedores, pois nem tudo me agradou. Ou, provavelmente, nem casasse. Colocaria uma aliança na mão esquerda e pronto. Mas, aos 25 anos (a idade que eu tinha quando resolvemos casar; o casório foi 11 dias depois do meu aniversário de 26), não conseguia conviver com a idéia de nunca passar por esse rito de passagem, apesar de jamais ter sido o grande sonho da minha vida. Mas, naquele momento, achei que valeria a pena. Ainda bem que pensei assim.

Pena que não deu pra comemorar direito nossas bodas de madeira. Foi um final de semana chuvoso e eu ainda estou um tanto convalescente. Acho que ano que vem, em nossas "bodas de perfume", daremos uma festa. Quem sabe? De novo, é claro, com músicas escolhidas a dedo.

11 de out. de 2008

evidências físicas

Entre as mudanças que a entrada na quarta década de vida trazem (embora esteja longe dos 40, me dei conta de que já vivi três décadas inteirinhas), as mais contundentes são as evidências físicas. Afinal, é o corpo que envelhece. A cabeça é fácil manter jovem, tenho certeza de que terei uma mente jovem sempre. Mas são as infalíveis evidências físicas que me põem louca. Por mais que a indústria da cosmética e da estética invente técnicas milagrosas, tudo o que se fizer apenas protelará o que fatalmente virá. E já está vindo.

A facilidade que eu tinha de emagrecer já não é mais a mesma. A pele - sempre tão boa! - está diferente. Umas manchinhas começam a aparecer, ruguinhas também. As pálpebras já estão meio caídas (minha dermatologista disse que é uma predisposição genética e que botox resolve. Aff...). As gorduras localizadas se instalaram com usucapião. As articulações insistem em dar o ar da sua graça (antes eu nem lembrava que tinha joelhos!). Até mesmo o sono - eu, a dorminhoca-mor - mudou, as costas começam a doer depois de 10 horas na cama e acordar às 7 horas nem é tão difícil assim.

E o corpo? Ah, o corpitcho... esse que sempre foi meu grande trunfo, o responsável por minha auto-estima, um dos poucos aspectos físicos em que Deus (ou a genética?), caprichosamente, me favoreceu... tem prazo de validade e dá os primeiros sinais de que vai me deixar na mão. Tudo o que antes eu me orgulhava de não ter - ou de ter pouco - culote, celulite, flancos... tudo começa a aparecer por aqui.

Ginástica, dieta, creme hidratante, esfoliante, drenagem linfática... tudo paliativo. É como eu disse num post no dia 10 de abril: "Faça dieta o resto da vida se não quiser engordar. Caso contrário, você engordará. Faça ginástica o resto da vida para não despencar tudo. Caso contrário, tudo despencará. E conforme-se, pois, mesmo fazendo tudo isso, você pode até não engordar, mas um dia, tudo despencará." É bem assim.

Daí a gente chega num outro assunto: as intervenções cirúrgicas para fins estéticos. Nunca fui contra, e nem poderia, afinal, corrigi as orelhas de abano com apenas 14 anos. Me incomodavam, fui lá e mudei. Por que iria me conformar com uma brincadeira de mau gosto da genética? Minhas orelhas são naturais agora, antes é que eram erradas. O mesmo vale para outros tipos de correção. Com bom senso, sem exageros, na idade certa, acho totalmente válido.

É por isso que decidi adiar mais um pouquinho o inevitável. Enquanto for considerada jovem, quero parecer jovem, não apenas ser. Depois que eu não for mais jovem... sei lá, mais tarde eu vejo. Pra essas coisas a gente tem que ser meio imediatista. Se mal estou dando conta dos 31, que dirá do que vem depois.

8 de out. de 2008

de repente 31


Semana que vem é meu aniversário. 31. A cada ano que passa eu detesto mais essa data. Começou quando eu tinha uns 24, 25. Já naquela época eu sentia a pressão de estar chegando perto dos 30. Agora que estou mais perto deles do que nunca (ops! estou passando por eles!), constato que o tempo é inexorável, implacável e totalmente indiferente ao meu sofrimento. Um sofrer acanhado, é verdade. Nada que me faça chorar, me escabelar. Mas é um sofrimento que sempre me pega de jeito. Em algum momento do dia eu lembro que o tempo não pára. Que eu já não sou mais uma guria. Que sou indubitavelmente adulta, tão adulta que já tenho idade para ser mãe, comprar carro, financiar apartamento, aplicar botox.

Vivo um estranho paradoxo entre a menina e a mulher. Às vezes sou uma, às vezes outra. O fato é que não me agrada essa idéia de ser adulta, mulher, senhora, tia. Parece que, internamente, essa transição está acontecendo só agora, tardiamente, eu diria. É uma ambigüidade que me acompanha o tempo todo, está presente nas coisas que falo, penso e faço. E sinto.

Uma das razões é que eu não fiz muita coisa que normalmente se faz antes dos 30. Não cruzei o Atlântico, não fui garçonete num pub inglês, não morei sozinha, não fui a Porto Seguro (ufa!) ou a Bariloche com a turma do colégio, não tomei bala em rave. Por outro lado, sou nova para ter feito certas coisas que já fiz. Dos 20 aos 30 eu me formei, abri duas empresas, fiz uma pós, fui presidente de entidade empresarial, casei, parei de fumar... Alguns dirão que é típico da idade: nem tão jovem a ponto de não ter um passado, uma história, mas com muita vida pela frente. Nem 8 nem 80. 31.

Uma outra nuance desse negócio de passar dos 30 são as evidências físicas. Mas isso eu vou guardar pra falar num próximo post. Espero que esses momentos de reflexão me ajudem a enfrentar mais um aniversário!